
A circulação de uma superbactéria dentro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal do Hospital Fêmina, em Porto Alegre, está controlada. A afirmação foi feita pela diretora de Atenção à Saúde do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), Rosana Reis Nothen, nesta quarta-feira (22).
— O surto está contido. A gente não tem nenhum indicativo de que ele vai ter qualquer tipo de disseminação para além do que já houve. Consideramos que a situação está totalmente dentro do controle — disse a diretora em entrevista à Rádio Gaúcha.
A bactéria encontrada no hospital é a Acinetobacter baumannii, considerada uma bactéria multirresistente. Até o momento, quatro recém-nascidos tiveram positivo para a bactéria. Um dos bebês faleceu. Os outros estão em estado grave, mas com quadro estável.
Segundo a diretora, a circulação deste tipo de bactéria é considerada comum em ambientes hospitalares. Mas, a situação é considerada preocupante.
— No cenário de pacientes que tenham comprometimento imunológico, principalmente os prematuros, ela (a bactéria) tende a causar infecções. Mas identificamos que é sensível a algumas substâncias que já estão sendo administradas nos bebês — explicou.
Outras duas crianças, que estavam na mesma unidade, são considerados contactantes e estão em observação. Todos os bebês estão em isolamento e recebem cuidados de uma equipe exclusiva, sem contato com outros setores da instituição.
A UTI neonatal do Fêmina está fechada desde a última quinta-feira (16) e deve permanecer interditada por mais uma semana. O cenário é acompanhado pelo setor de Vigilância em Saúde, da Secretaria de Saúde de Porto Alegre.
Casos graves
As gestantes de alto risco estão sendo direcionadas para outras instituições, incluindo o Hospital Presidente Vargas e Santa Casa de Porto Alegre – conforme disponibilidade de leitos. Os demais serviços realizados pelo Fêmina estão funcionando normalmente.
O hospital é administrado pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC). Em nota, divulgada ainda na terça-feira (21), a instituição afirmou que foram adotados procedimentos de restrição máxima e que atua para garantir que nenhum paciente fique sem atendimento ou exposta a situação de risco.
Em comunicado nesta quarta (22), a instituição destacou que a bactéria é sensível a antibióticos, que passaram a ser usados para o tratamento.
Confira a nota do Grupo Hospitalar Conceição na íntegra:
Bactéria identificada na UTI Neonatal do Fêmina é sensível a antibióticos
1. A primeira informação relevante é que a bactéria encontrada na UTI Neonatal do Hospital Fêmina é multirresistente e sensível a antibióticos, que passaram a ser usados para o tratamento e combate imediatos. Não se trata, portanto, de bactéria pan-resistente.
2. No dia 16/04, quando o Hospital Fêmina detectou a presença da bactéria acinetobacter baumannii, na UTI Neonatal, imediatamente, todos os órgãos de controle e regulação do sistema de saúde em Porto Alegre foram avisados e a Unidade foi fechada para o recebimento de novos pacientes. Os hospitais do GHC atuam como sentinela para situações sanitárias. Por esta razão, o comunicado foi imediato para todo o sistema.
3. O hospital adotou o acompanhamento dos internados por três equipes distintas: uma atende pacientes sem nenhum contato com a bactéria, outra atende pacientes que tiveram contato, mas não positivaram e o terceiro grupo que atende exclusivamente os três pacientes que foram detectados com a bactéria.
4. Dos 34 pacientes internados no Fêmina e testados no dia 16/04, quatro positivaram para a bactéria. Infelizmente, um deles, em situação de prematuridade extrema, com 26 semanas de gestação e parto considerado de alto risco, veio a óbito. Os outros três bebês estão estáveis e isolados, sendo acompanhados por equipe exclusiva de cuidados, sem contato com outros setores. Desse total, 23 pacientes já tiveram alta.
5. As equipes clínica e de enfermagem do Hospital Fêmina vêm atuando de forma diligente, garantindo que nenhum paciente internado ou gestante que tenha buscado o hospital fiquem sem atendimento ou expostos a situações de risco.





