
O laboratório Novo Nordisk — que produz os medicamentos Wegovy e Ozempic — anunciou, na quarta-feira (4), um projeto-piloto de tratamento de obesidade com canetas emagrecedoras no Sistema Único de Saúde (SUS). Somente pacientes que já tratam a doença nos hospitais selecionados poderão participar. Os resultados serão acompanhados pelo Ministério da Saúde, sem custos adicionais aos cofres federais.
O Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre, será um dos locais que vai participar do projeto, assim como o Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (IEDE), no Rio de Janeiro, e um terceiro que ainda não foi definido. Cada instituição vai elaborar protocolos próprios para selecionar os pacientes que poderão receber o tratamento.
Ainda não há informações sobre a data de início da ação, mas a pesquisa deve durar dois anos. Segundo o laboratório, objetivo é gerar dados que melhorem a compreensão do tratamento na saúde pública de pessoas com obesidade com a semaglutida, princípio ativo do qual são feitos os medicamentos.
A ideia é gerar evidências para possibilitar mudanças de protocolos e de atendimento em nível nacional e mundial. Além da melhora de qualidade de vida dos pacientes, a farmacêutica afirma que o programa irá gerar evidências de que o uso dos medicamentos reduz custos de longo prazo do sistema de saúde. O resultado esperado é a redução de complicações graves e onerosas, como cirurgias do coração, diálise e internações.
O programa, chamado de Acesso Equitativo, foi elaborado em conjunto com o governo dinamarquês e faz parte de um projeto global do laboratório, com implantação também nas redes públicas da Dinamarca e das Ilhas do Pacífico. Conforme a empresa, a meta é expandir a ação para populações em situação de vulnerabilidade social.
Segundo o Ministério da Saúde, os índices de saúde nutricional têm piorado nos últimos anos. Conforme o relatório Vigitel 2025, 60% dos brasileiros têm excesso de peso e 24% são considerados obesos.
Detalhes do programa
- Capacitação e suporte: treinamento para gestores, equipe e profissionais de saúde, assim como suporte técnico especializado para gestão do cuidado e implementação de protocolos de saúde
- Monitoramento independente: parceiros técnicos e acadêmicos analisarão os dados de vida real para garantir transparência e rigor científico. O objetivo é melhorar a qualidade, abrangência e uso de dados relacionados à obesidade, tanto para o planejamento de cenários epidemiológicos e triagem territorial quanto para a avaliação e o monitoramento dos resultados de políticas públicas e fluxos de atendimento
- Modelo de sustentabilidade: serão avaliados os impactos fiscais e econômicos do cuidado integral às pessoas com obesidade atendidas pelo SUS no contexto do programa
- Foco na redução das comorbidades: medição da redução de riscos de doenças do coração e a melhoria na qualidade de vida dos pacientes, avaliando o impacto e eficácia do programa
*Sob orientação de Juliana Lisboa
