
O Hospital Cristo Redentor, localizado na zona norte de Porto Alegre, irá mudar de endereço. A instituição fundada há 70 anos ganhará um novo prédio dentro do complexo que será construído pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), também na Zona Norte, em frente ao Hospital Conceição. É o mesmo complexo onde serão erguidos os novos hospitais Fêmina e da Criança Conceição.
Em entrevista ao Estúdio Gaúcha nesta quinta-feira (5), o diretor-presidente do GHC, Gilberto Barichello, confirmou a disposição do grupo hospital em incluir o Cristo Redentor na nova área. Segundo Barichello, o complexo será construído em uma área de 9.578 metros quadrados, em frente ao Hospital Conceição.
— O Cristo Redentor foi o primeiro hospital construído (do GHC) e está hoje numa esquina que impossibilita a ampliação dele. A estrutura não suporta construir mais andares para cima e a avaliação técnica de engenharia é que é um prédio impróprio para essa ampliação. Por isso que se tomou a decisão (de mudar de endereço) — afirmou Barichello.
O destino do prédio onde hoje fica o Cristo Redentor ainda não está definido. A Caixa Federal auxilia na avaliação de valores. Conforme o diretor-presidente do GHC, o prédio e o terreno podem ser colocados à venda ou a edificação poderá ser usada para outros serviços do GHC.
— Nós estamos numa discussão, ainda não tenho a definição. Nos próximos dois meses teremos uma decisão se a gente coloca à venda ou se também tem outras ideias de aproveitamento — explica Barichello.
Modernização e ampliação
Mais moderno, o novo hospital Cristo Redentor terá um heliponto, de modo a agilizar o socorro médico em casos de acidentes. Também está prevista a ampliação a oferta de leitos. Ao todo, o complexo de três hospitais deverá ter quase 800 leitos de internação, cerca de 90 leitos de UTI e mais de 70 salas cirúrgicas. O investimento é calculado em R$ 1,5 bilhão.
O decreto federal que declara os quatro terrenos do novo projeto para fins de utilidade pública em favor da União foi publicado nesta semana no Diário Oficial. A área pertence ao Grupo Zaffari. Inicialmente, chegou-se a cogitar uma troca entre a União e a rede hipermercadista envolvendo um terreno na Avenida Ipiranga, junto ao hipermercado Zaffari.
Como não houve acordo, a União decidiu comprar os quatro terrenos vizinhos ao Hospital Conceição, na Avenida Antônio Joaquim Mesquita e Rua Umbu. A desapropriação visa agilizar o negócio.
— Na desapropriação, muitas vezes, o desapropriado não precisa pagar alguns impostos. Então tem um efeito tributário — explica o diretor-presidente do GHC.
Cronograma
A construção do novo complexo hospitalar não deve começar antes do final de 2027 ou início de 2028. As obras devem ser finalizadas em até quatro anos, portanto, até 2032. O cronograma depende do desenvolvimento do projeto, que contará com o trabalho de consultores contratados pelo BNDES, incluindo estrangeiros. Entre as referências internacionais na área da saúde citadas estão China e Índia.
— O ministro e a equipe do Ministério da Saúde, junto com empresários, estiveram na China recentemente. A ideia é que não haja só a aquisição de equipamentos, mas a transferência de tecnologia, para que o Brasil produza tecnologias digitais e inteligentes e ofereça diagnósticos e cirurgias com mais velocidade
Homenagem a Verissimo
Conforme o diretor-presidente do GHC, o novo complexo hospitalar só passará a funcionar com os três hospitais prontos, e não por etapas. Também está previsto um novo centro ambulatorial, uma central de logística e abastecimento farmacêutico, além de um centro de ensino e pesquisa, que receberá o nome de Luis Fernando Verissimo, que faleceu no ano passado.
— Estávamos assinando o contrato com o BNDES no dia que faleceu Luis Fernando Verissimo. A pedido do presidente Lula, o ministro Alexandre Padilha (da Saúde) pediu que o centro de pesquisa fosse batizado assim — explica Barichello.




