
A interdição parcial do Hospital Universitário, solicitada pelo Conselho Regional de Medicina do Estado (Cremers), entrou em vigor às 11h desta sexta-feira (20).
A medida suspende novas internações de pacientes da instituição especificamente nos setores: UTI Neonatal, Centro Obstétrico, Sala de Parto, Alojamento Conjunto e Internação Pediátrica.
Localizado em Canoas, na Região Metropolitana, o hospital é referência para 153 municípios gaúchos, principalmente para os casos de gestação e parto de alto risco.
As pessoas que já estão sendo atendidas no local não serão desassistidas, garante o Cremers. Segundo o Conselho, enquanto estiverem no Hospital Universitário, elas seguirão recebendo atendimento e devem ser transferidas para instituições de saúde de municípios da região, com capacidade para atender cada caso, de acordo com o Sistema de regulação de internações hospitalares do SUS (Gerint).
A prefeitura tentou suspender a medida com uma Ação Civil Pública (ACP) com pedido de tutela de urgência na Justiça Federal, mas o juiz André de Souza Fischer entendeu que não havia necessidade de que o caso fosse avaliado durante o regime de plantão. Com isso, o caso deve ser avaliado por outro magistrado e, portanto, não há prazo para que haja uma definição.
Processo de interdição
Os representantes do Cremers chegaram no local próximo das 11h desta sexta para efetivar os trâmites da interdição. Além da entrega do documento com as orientações de paralisação de internações, entregue em mãos à diretoria da instituição, outras medidas foram tomadas.
— Faz parte do processo colocar cartazes nos locais da interdição, conferir quantos profissionais estão atuando e checar como está sendo organizada a transferência de pacientes pelo Gerint (sistema do SUS) — explica o vice-presidente do Cremers, Eduardo Trindade.
A Associação Saúde em Movimento, que administra o hospital, afirma que enviou documentos ao Conselho, demonstrando capacidade de atendimento. No entanto, o Cremers afirma que "parte significativa" das escalas médicas encaminhadas ao Conselho, "não se acompanhava de comprovação efetiva e contínua da cobertura assistencial exigida pelas normas vigentes".
Visita de autoridades e coletiva de imprensa
Em meios às dificuldades de atendimento enfrentadas pela população atendida no local, foi anunciada às 14h30min desta sexta uma coletiva de imprensa no hospital, com a presença do Secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, Mozart Sales.
Também devem comparecer o presidente do Grupo Hospitalar Conceição, Gilberto Barichello, e o deputado federal, Paulo Pimenta.
De acordo com apuração de Zero Hora, a agenda inicial foi marcada para tratar de melhorias no parque tecnológico do hospital, no âmbito do programa federal Agora Tem Especialistas. Nos bastidores, há, expectativa por aporte financeiro, diante dos problemas que a instituição enfrenta.



