
Buscando novas estratégias de diagnóstico e tratamento, além de métodos que possam diminuir o número de pessoas infectadas pelo vírus HIV, pesquisadores do Rio Grande do Sul foram selecionados para integrar um estudo realizado pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH).
Com objetivo de buscar e avaliar a “cura funcional” para pacientes com HIV, o trabalho é feito em Porto Alegre pela equipe de pesquisa do Serviço de Infectologia do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) em parceria com o Instituto de Pesquisas Avançadas do Rio Grande do Sul (Ipargs). No Brasil, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Rio de Janeiro, também foi selecionada para o estudo.
Historicamente, o RS está entre as regiões do país com os maiores índices de infecções por HIV. Conforme dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação, do Ministério da Saúde, entre 2013 e 2024, o Estado teve mais de 39 mil notificações e lidera o ranking nacional dos casos envolvendo grávidas – 980 mulheres.
O que seria a “cura funcional”?
Essa definição consiste no fortalecimento da resposta imunológica ao HIV. Conforme a coordenadora da residência em Infectologia do Grupo Hospitalar Conceição, Marineide Gonçalves de Melo, isso permitiria que o corpo do paciente controle o vírus sem a necessidade do uso diário da terapia antirretroviral.
O trabalho é direcionado para dois grupos diferentes: um para pacientes que tenham infecção aguda pelo HIV recentemente e que ainda não iniciaram o tratamento; o outro, para pessoas que fazem o tratamento há pelo menos um ano. Ambos terão duração, em média, de dois anos. (Veja como participar da pesquisa abaixo).
Pacientes infectados há mais de um ano
O estudo utiliza a estratégia tripla imunológica para a remissão do HIV. Os pacientes irão receber uma combinação de tratamentos experimentais: vacinas para direcionar a resposta do corpo a partes vulneráveis do HIV e um agente oral para fortalecer o sistema.
Na primeira etapa da pesquisa, os pacientes irão continuar o tratamento também com antirretrovirais. Conforme a coordenadora, depois será realizada uma parada estrutural do medicamento para verificar a resposta imunológica. Todo o processo será acompanhado pela equipe de pesquisadores e monitorado através de exames.
— É um estudo randomizado, duplo cego. O pesquisador e o paciente não irão saber se será utilizado medicamento da pesquisa ou placebo. O objetivo é ver a eficácia da estratégia — explica Marineide.
Para participar é necessário ter a partir de 18 anos, ter recebido diagnóstico de infecção aguda pelo HIV, estar em terapia antirretroviral estável há pelo menos um ano e nunca ter interrompido o uso dos medicamentos. Pacientes com alergia grave a ovos de galinha, com histórico de câncer ou tuberculose não poderão participar.
Pacientes recém infectados
A pesquisa busca analisar a segurança e a eficácia da combinação de anticorpos neutralizantes com o início da terapia antirretroviral em pacientes após infecção aguda pelo vírus. O objetivo é controlar a presença do HIV no sangue e impedir que o vírus se reproduza.
De acordo com os profissionais, os medicamentos devem evitar que a pessoa desenvolva a doença de forma crônica. Neste estudo, os pacientes irão receber doses únicas de anticorpos e da terapia TARV, considerada de última geração.
Para participar, o paciente precisa ter sido diagnosticado com infecção aguda pelo HIV há, no máximo, sete dias e ainda não ter iniciado o tratamento. É necessário ter entre 18 e 70 anos. Não podem participar gestantes, lactantes, pessoas com hepatite B ou com doenças graves de fígado.
Quatro décadas de luta
Em 2025, o Brasil completa 40 anos da resposta à epidemia de HIV/Aids, iniciada em 1985. Atualmente, há diversos recursos para prevenção, diagnóstico e tratamento, no entanto, ainda não é possível eliminar o vírus.
Para os profissionais, a pesquisa é vista como um avanço importante diante da necessidade de encontrar a cura da doença.
— Depois de 40 anos de luta, estamos podendo, finalmente, falar dos estudos de cura. Os tratamentos evoluíram muito ao longo dos anos, mas para ter cura é necessário estimular o sistema imunológico da pessoa que tem o HIV e fazer com que o próprio corpo se defenda da infecção. É isso que estamos buscando — ressalta Marineide.
Para participar da pesquisa
Pessoas interessadas em participar da pesquisa ou profissionais de saúde que queiram mais informações para orientarem seus pacientes devem procurar o Ambulatório de Infectologia do Grupo Hospitalar Conceição.
A unidade fica localizada na Avenida Francisco Trein, 596, no bairro Cristo Redentor, em Porto Alegre. Também são aceitos contatos pelo WhatsApp (51) 99883-4886.




