
A nova Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, apresentada no Congresso Brasileiro de Cardiologia nessa quinta-feira (18), deixa pacientes com pressão arterial acima de 12 por 8 em alerta. A medida também estabelece 13 por 8 como o novo critério para hipertensão, uma medida menor ao critério anterior, que era de 14 por 9.
Os novos limites seguem os padrões apresentados no Congresso Europeu de Cardiologia, em 2024, e servem para promover ações preventivas.
Na prática, a nova diretriz determina que 12 por 8 é o limite de pressão normal. Isso, porém, deve ser encarado como um alerta, como destaca o cardiologista do Hospital São Lucas da PUCRS Guilherme Velho.
— A gente quer que a pressão seja abaixo de 12 por 8. Então, sim, essas pessoas (cuja pressão é de 12 por 8) precisam se preocupar porque o risco de elas se tornarem hipertensas é maior do que as pessoas que têm pressão mais baixa. Talvez esse seja o alvo mais importante da diretriz nova de hipertensão, identificar essas pessoas para que elas saibam que precisam ter cuidados redobrados — ressalta.
O médico ainda frisa que quanto mais cedo a pessoa procurar orientação, mais chances de ter o acompanhamento adequado e evitar as chances de AVC ou infarto. Da mesma forma, as pessoas que estão na zona da risco para a hipertensão podem iniciar alguns cuidados fazendo mudanças no estilo de vida. Melhorar a alimentação, se exercitar, parar de fumar, tentar se manter dentro do peso, controlar o sono e o estresse são alguns dos fatores que exigem atenção.
Outra forma importante de cuidado é tentar evitar alimentos sabidamente muito ricos em sal, defendeu o presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul, Luis Beck da Silva Neto, em entrevista ao programa Estúdio Gaúcha, da Rádio Gaúcha. Como dica prática, o especialista sugere buscar o chamado sal light, que tem menos concentração de sódio, e ficar atento aos rótulos dos produtos no supermercado.
— Até a água mineral tem diferentes conteúdos de sódio. Nos queijos, muda muito a quantidade de sódio. As manteigas têm diferença no sódio. O pão tem diferença. Então se a gente começar a olhar e optar por alimentos que têm um menor conteúdo de sódio, já faz uma diferença. O sódio é o mecanismo pelo qual a humanidade se tornou hipertensa — analisou.
Quem já toma medicação será impactado?
O presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul ainda destacou que quem toma algum tipo de medicação para controle de pressão também pode ser impactado pela nova diretriz. Conforme Neto, os médicos podem fazer ajustes de dosagem ou adicionar mais uma medicação para chegar ao novo padrão.
— Eventualmente vai ter um discreto aumento de dose dos remédios ou se adicione um medicamento adicional além do que eles estão usando. Então, sim, pode ter um impacto em quem já usa medicamentos, como também o número de pessoas que vão precisar tomar medicamentos, em tese, se todo mundo tiver acesso, vai ser maior — afirmou.
Guilherme Velho concorda que a mudança pode afetar quem já faz tratamento.
— A meta de pressão para quem já é hipertenso se tornou um pouco mais rigorosa. O objetivo do tratamento é que a pressão fique abaixo de 13 por 8. Então, pacientes que estão em tratamento e que têm pressões acima desses níveis vão ter que ter o seu tratamento revisto e melhorado com o objetivo de diminuir as doenças relacionadas à hipertensão alta não tratada de maneira adequada — salienta.
O dado mais recente sobre hipertensão no Rio Grande do Sul é de 2021. Segundo estudo da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, em torno de 26% gaúchos apresentavam a condição.
— O que a gente sabe é que, com o passar dos anos, a prevalência de hipertensão vai aumentando, então a partir dos 45 aos 50 anos de idade essa prevalência fica em torno de 30%, mas se a gente for de 55 a 64 anos de idade, metade das pessoas pode ter hipertensão e a grande maioria delas sem um diagnóstico preciso — observa.
O especialista orienta que a população busque uma primeira avaliação, seja no posto de saúde, no consultório ou em serviços dos hospitais. Para ele, iniciar o tratamento, quando for o caso, o mais precoce possível pode ser decisivo para que a pessoa viva mais tempo com qualidade de vida.




