
A Prefeitura de São Bernado do Campo confirmou, nesta segunda-feira (29), a terceira morte relacionada ao consumo de bebidas alcoólicas que teriam sido adulteradas com metanol na Grande São Paulo.
O metanol é um tipo de álcool usado como solvente em processos industriais. Mesmo em pequenas quantidades, a substância é tóxica ao ser humano, podendo causar dores abdominais, cegueira permanente, coma e até a morte.
Milhares de casos de intoxicação por metanol são registrados todo ano, conforme levantamento da instituição Médicos sem Fronteiras. A taxa de mortalidade é de 20% a 40%, dependendo da quantidade ingerida, do tempo de resposta e do tratamento administrado.
— As principais causas de intoxicação por metanol são exposição no ambiente ocupacional, como no caso de trabalhadores que manipulam a substância, uso de bebidas alcoólicas adulteradas ou exposições intencionais — explica Bruno Pereira dos Santos, toxicologista doutorando em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
O que acontece no envenenamento por metanol
O metanol é uma versão mais barata e perigosa do etanol, o álcool resultante da fermentação de frutas e cereais, como no vinho e na cerveja.
O álcool etílico é o único tolerado pelo corpo humano, desde que não seja em quantidades excessivas. Também é o mesmo usado em alguns combustíveis e produtos de limpeza – porém, nesses casos, o etanol é misturado a outras substâncias impróprias para o consumo.
Produtores clandestinos adicionam metanol para deixar as bebidas mais fortes e aumentar o rendimento a baixo custo. Um dos perigos é que os dois tipos de álcool apresentam gostos parecidos, e os sintomas de envenenamento podem demorar de 12 horas a 24 horas para se manifestarem. Ou seja, é difícil saber, no ato, que a contaminação está acontecendo.
O que começa como uma aparente embriaguez comum, com sonolência ou náusea, pode piorar. Santos alerta que o maior risco está no momento em que o corpo começa a metabolizar a bebida:
— No organismo, o metanol será convertido em outra substância, o ácido fórmico. Esta conversão leva a efeitos mais graves, como acidose metabólica. Há uma descompensação no que chamamos de equilíbrio ácido-base no organismo, podendo ser caracterizada por um sangue com pH mais ácido. Se tal situação não é revertida, o quadro torna-se incompatível com a vida.
Entre as consequências da ingestão de metanol estão danos no trato gastrointestinal, cegueira, convulsões e falência renal. Sem o tratamento rápido e adequado, pode levar à morte.
Como evitar e tratar o envenenamento por metanol
Em um infográfico, a ONG Médicos Sem Fronteiras alerta sobre as principais orientações médicas sobre o tema. Os cuidados começam na hora de escolher o que tomar.
Bebidas vendidas de forma legal, em estabelecimentos licenciados, dificilmente estarão adulteradas – e tendem a ser mais caras. Também é importante atentar para rótulos e garrafas. Aquelas com lacre quebrado ou erros na impressão têm mais risco de terem sido modificadas.
Segundo a BBC, envenenamento por metanol é um problema recorrente em países em torno do rio Mekong, na Ásia, como Tailândia, Camboja, Laos e Vietnã. Para o veículo britânico, muitas vezes a causa está associada a produtores que buscam explorar a oportunidade de vender bebidas mais baratas em regiões com pouca ou nenhuma fiscalização sanitária.
Em caso de intoxicação, é fundamental procurar ajuda profissional quanto antes. O tratamento é feito com ingestão controlada de etanol, que funciona como um antídoto contra o metanol. O processo precisa ser feito em ambiente hospitalar.
— A administração de etanol diminui a conversão de metanol em ácido fórmico, que é o principal causador dos efeitos tóxicos — esclarece o doutorando.

