
Médicos do Hospital Universitário (HU) de Canoas, na Região Metropolitana, iniciaram uma paralisação nesta quarta-feira (17), com restrições nos atendimentos eletivos – aqueles que não são de urgência e emergência.
Não foi detalhado, porém, quais serviços foram afetados. O atendimento de casos graves segue sem alterações.
O motivo da paralisação é a precariedade de equipamentos e materiais, falta de pagamentos e escala de trabalho excessiva, segundo os profissionais.
Conforme o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), a mobilização foi decidida durante assembleia da categoria no último dia 1º.
O sindicato também acrescentou que os atendimentos já estavam restritos mesmo antes da decisão da categoria devido aos problemas de falta de equipamentos e profissionais.
Em nota à Zero Hora, a prefeitura de Canoas afirmou não ter sido informada “com precisão acerca dos serviços que terão restrição no HU” e que “recebeu com preocupação as informações sobre condições de trabalho dos profissionais no hospital”.
Além disso, o Executivo canoense disse ter informado o Simers que, ainda na terça-feira (16), haviam sido depositados R$ 720 mil para a Associação Saúde em Movimento (ASM), gestora do hospital, para os pagamentos dos médicos. Também afirma que, nesta quarta-feira, serão depositados mais R$ 600 mil para o mesmo fim, e, no dia 25 de setembro, mais R$ 1,3 milhão.

O que diz o Simers
"A partir desta quarta-feira (17), o Hospital Universitário de Canoas (HU) começa a restrição dos atendimentos eletivos, conforme aprovado em Assembleia Geral Extraordinária no dia 01 de setembro. Entre os fatores que levaram à medida estão:
Dificuldades na formação de escalas: a insegurança em relação aos pagamentos e as condições de trabalho têm afastado profissionais, resultando em carência grave de pediatras e anestesiologistas, entre outros. Há médicos entrando para plantões de 12 horas e ficando 36 por conta da falta de profissionais.
Falta de diretor técnico no hospital, o que é irregular. Medida já foi denunciada ao Cremers.
Atrasos recorrentes nos pagamentos a médicos. Há rescisões não pagas e débitos de honorários desde janeiro.
Ambiente de trabalho inadequado com falta ou inoperância de alguns tipos de equipamentos e/ou materiais, como exemplos:
-Cardiotocógrafo (equipamento que monitora o coração do feto em gestantes)
-Manta térmica (para manter a temperatura de recém-nascidos e lactantes durante cirurgias)
-Fibrobroncoscópio (equipamento para avaliação de vias aéreas)
-Equipamento de Ressonância Nuclear Magnética
-Serra de gesso (para atendimentos ortopédicos)
Serviços essenciais à vida serão mantidos. Os médicos que atuam no HU marcarão suas vestimentas com fitas pretas e adesivos em sinal de protesto.
O Simers reforça que a restrição dos atendimentos não é uma escolha, mas uma consequência inevitável da falta de condições financeiras e estruturais. E o movimento vai seguir, conforme conclusão da assembleia, até que 100% dos médicos sejam pagos e que os profissionais tenham melhores condições de trabalho. É importante salientar que, mesmo antes da decisão dos médicos, os atendimentos já estavam restritos pela falta de equipamentos e/ou profissionais.
Seguimos abertos ao diálogo e à busca por soluções imediatas que permitam o restabelecimento pleno do atendimento e a valorização do trabalho médico."
O que diz a prefeitura de Canoas
"A Prefeitura de Canoas, por meio da Secretaria Municipal da Saúde, informa que está em constante e permanente diálogo com as entidades de classe na área da saúde, tem recebido as demandas e preocupações dos médicos que atuam no Hospital Universitário (HU) e já se comprometeu em realizar o pagamento de valores em atraso com a Associação Saúde em Movimento (ASM), empresa gestora do HU, para que estes profissionais sejam pagos pelos serviços prestados no hospital.
No final da tarde de terça-feira (16), a administração municipal informou ao Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) que, ainda na terça, já haviam sido depositados R$ 720 mil para a ASM, para a realização destes pagamentos. Nesta quarta-feira (17), serão depositados mais R$ 600 mil para o mesmo fim, e, no dia 25 de setembro, a Prefeitura repassará mais R$ 1,3 milhão. Estes valores colocam em dia o calendário de pagamentos dos profissionais médicos que atuam no HU por meio do regime de Pessoa Jurídica (PJ).
A Secretaria Municipal da Saúde ressalta que não foi informada com precisão acerca dos serviços que terão restrição no HU e recebeu com preocupação as informações sobre condições de trabalho dos profissionais no hospital. A Prefeitura também está em contato permanente com a ASM para que os problemas apontados pelos médicos sejam solucionados e o atendimento integral da população seja retomado no HU".
Posicionamento do HU
"A direção do HU segue em tratativas com o corpo clínico para minimizar o impacto da mobilização dos médicos e aguarda o avanço das negociações sobre a proposta do governo a respeito do repasse para o pagamento dos valores em atraso."





