
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) lançará, nesta quarta-feira (3), uma campanha pela inclusão dos novos medicamentos antiobesidade no Sistema Único de Saúde (SUS).
Além da incorporação das canetas com soluções injetáveis e outros medicamentos, a iniciativa defende mais acesso a tratamento multidisciplinar — com médicos, nutricionista, educador físico e psicólogo, entre outros — e à cirurgia bariátrica.
O anúncio, antecipado com exclusividade a Zero Hora, ocorrerá durante o Congresso Brasileiro de Atualização em Endocrinologia e Metabologia 2025, em Gramado.
Campanha em parceria
Intitulada Tratamento Adequado da Obesidade: Acesso Já, a campanha será realizada em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e com apoio da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).
No final de agosto, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) recomendou não incorporar liraglutida e semaglutida ao SUS, devido ao alto impacto orçamentário.
Neste momento, sem medicamentos para obesidade no SUS, a cirurgia bariátrica é uma das opções para controlar a doença.
Critérios serão discutidos
A campanha sugere novas simulações de orçamento, com foco em grupos específicos, compra pública com desconto por volume e modelos de risco compartilhado, com pagamento atrelado a resultados. O foco é a equidade, ou seja, priorizar grupos de maior risco e de maior benefício esperado, com protocolo, acompanhamento e avaliação.
Entre os perfis de pacientes importantes estão aqueles com índice de massa corporal (IMC) maior do que 30 e doença cardiovascular estabelecida; com pré-diabetes e outros.
Os critérios de inclusão dos grupos ainda devem ser discutidos com base em novos estudos de custo-benefício e impacto.
— Defendemos a incorporação responsável, realizada em fases e focada, começando por perfis de maior risco e maior valor em saúde, com negociação de preço e controle de uso, o que é factível no SUS — sustenta Clayton Macedo, diretor da Sbem.
Cuidado baseado em evidências
O objetivo é mudar o eixo do debate público: da culpabilização do paciente para o direito ao cuidado baseado em evidências.
— A obesidade é uma doença crônica de alta prevalência e alto impacto no Brasil, afetando desproporcionalmente populações de menor renda e pressionando o orçamento público por complicações cardiometabólicas, hepáticas e osteoarticulares. Ampliar o cuidado com terapias efetivas não é luxo, e sim política pública de redução de risco e de desigualdades — ressalta o endocrinologista.
As entidades buscarão articulação junto à Conitec, ao Ministério da Saúde e a gestores estaduais e municipais, apresentando evidências clínicas e econômicas, bem como propostas de elegibilidade ao tratamento e de farmacovigilância (monitoramento dos efeitos dos medicamentos).
Impactos para o SUS
Macedo avalia que, além dos benefícios aos pacientes, os medicamentos podem trazer economia de recursos ao SUS com a redução de eventos, hospitalizações e progressão de comorbidades.
Ao abordar uma questão transversal como a obesidade, a política pública tende a reduzir desigualdades, já que o acesso aos medicamentos hoje é majoritariamente privado, defende o médico:
— O Brasil já documenta a trajetória ascendente da obesidade; portanto, agir agora evita que a curva de custos se torne ainda mais íngreme.




