
A pressão sobre os hospitais da rede pública e privada de Porto Alegre começou ainda antes da chegada do inverno. Diante da superlotação nas principais instituições de saúde, o presidente do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), Gilberto Barichello, fez um alerta sobre o risco de agravamento do cenário.
— A situação tende a se agravar esta semana. Isso vai ter consequência nas síndromes respiratórias, até pela baixa cobertura vacinal no Estado. Estamos com tudo lotado. Nunca vi algo assim em 26 anos de saúde pública — afirma.
Barichello avalia que a superlotação tem causas múltiplas: o aumento dos casos de infecções respiratórias, os impactos da tragédia climática que afetou o Estado e comprometeu hospitais da Região Metropolitana, a continuidade da circulação do coronavírus e a crise no IPE Saúde.
De acordo com o presidente, a rede do GHC enfrenta uma sobrecarga tão intensa que já impede a transferência de pacientes das emergências para os leitos clínicos ou de UTI.
— Não conseguimos subir os pacientes da emergência porque está tudo lotado. Os leitos cirúrgicos, clínicos e de terapia intensiva estão todos acima da capacidade. Está mais grave do que semana passada — diz.
Apesar do cenário crítico, o GHC assegura que não há risco de desabastecimento de insumos para o atendimento de pacientes.
— Não há falta de insumos. O que precisamos é de apoio do Estado e do Município para drenar pacientes para outras instituições — explica Barrichello.
Terceiro turno
Programado há dois meses, o terceiro turno de atendimento na rede do GHC começou a funcionar nesta segunda-feira (2), em meio à pior fase da superlotação. A medida prevê a realização de cirurgias eletivas, exames e consultas no turno da noite, das 19h à 1h, além de atendimentos aos sábados.
— Não imaginávamos que estaríamos numa situação tão extrema agora. Não temos mais capacidade durante o dia para cirurgias eletivas. Por isso, conservamos os blocos cirúrgicos também à noite, inclusive para urgências — explica Barichello.
Inicialmente, o terceiro turno será implementado de forma gradual nos hospitais Conceição, Cristo Redentor, Fêmina e Hospital da Criança. A ampliação total está prevista até o fim de agosto, após o pico do inverno. Hoje, a rede realiza cerca de 70 mil cirurgias por ano, sendo 42 mil de urgência e 28 mil eletivas.
Além dos procedimentos cirúrgicos, o turno noturno também abrange sessões de quimioterapia, radioterapia, consultas especializadas e exames de imagem.

Contratações e medidas emergenciais
Para viabilizar a expansão dos atendimentos, o GHC abriu 1.648 chamadas por concurso e já contratou 236 profissionais que começaram a atuar nesta segunda-feira. Outras medidas emergenciais também vêm sendo adotadas, como a ampliação da retaguarda no Hospital da Criança e a instalação de um gabinete de crise que se reúne três vezes por semana.
— Cada dia é uma situação diferente. Temos medidas a serem tomadas o tempo inteiro — diz o presidente do GHC.
A expectativa da instituição é que, ao final do inverno, a nova estrutura permita um salto no número de atendimentos, ajudando a reduzir filas e garantir o acesso da população ao sistema de saúde no tempo adequado.



