
Na última semana, a Food and Drug Administration (FDA), agência que regula medicamentos e alimentos nos Estados Unidos, autorizou o primeiro papanicolau caseiro do mercado. A proposta é ampliar o acesso e o número de exames realizados no país.
Normalmente, é preciso ir a uma clínica ou ao ginecologista para realizar o papanicolau, procedimento em que um tubo é inserido no canal vaginal até o colo do útero para recolher algumas células. O exame é uma das principais formas de identificar lesões precoces no trato uterino, que podem evoluir para câncer.
Segundo o g1, cerca de 13 mil pessoas são diagnosticadas com a doença por ano somente nos Estados Unidos. A taxa de mortalidade pode chegar a 30%. O vírus do HIV representa a principal causa do câncer de colo de útero.
Como funciona o papanicolau caseiro
Essa é a primeira vez que uma versão caseira do procedimento é aprovada. A tecnologia da empresa Teal Health consiste em um aparelho com uma esponja na ponta, parecida com um cotonete, que coleta as células ao passar pelo colo do útero — tudo direto de casa.
Nas regiões atendidas pela companhia, será possível solicitar o exame online. Em seguida, é marcada uma consulta de telemedicina antes do material ser enviado pelo correio.
O produto vem com um manual de instruções que explica a coleta e como mandar o aparelho para a análise, também pelo correio. Caso o exame aponte alguma alteração, o caso é encaminhado para consultas presenciais.
Um vídeo explicativo sobre o funcionamento do exame caseiro está disponível nas redes sociais da empresa, em inglês.
Até o momento, a Teal Health planeja iniciar a distribuição da tecnologia na Califórnia, para depois expandir para o resto do país. Ainda não se sabe se a iniciativa chegará em outras regiões do globo.
Possíveis vantagens
A aprovação do produto aconteceu após um estudo ter constatado que exames caseiros feitos pelos próprios pacientes podem ser tão eficientes quanto os feitos em consultórios médicos.
A maioria das pessoas que integraram a pesquisa também disseram preferir fazer o procedimento em casa, chegando, inclusive, a afirmar que a alternativa aumentaria a probabilidade de manter os exames de câncer de colo de útero em dia.
Realidade brasileira
O Ministério da Saúde nacional estima que esse é o terceiro tipo de câncer mais comum entre mulheres. Cerca de 17 mil novos casos são registrados por ano.
Ainda neste ano, o Sistema Único de Saúde (SUS) começou a oferecer um exame de teste molecular como alternativa para rastrear sinais da doença.
Enquanto o papanicolau busca pelas células que já apresentam alterações, a versão molecular consegue agir mais cedo, identificando se o paciente possui o DNA do vírus do HPV, causa primária do câncer de colo de útero.

