Especialistas da área médica consideram promissores os dados de eficácia da CoronaVac, vacina contra a covid-19 desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac e, no Brasil, em parceria com o Instituto Butantan. Conforme informações divulgadas nesta quinta-feira (7) pelo instituto e pelo governo de São Paulo, o imunizante registrou 78% de eficácia nos testes clínicos feitos no Brasil.
Na prática, o resultado significa dizer que, a cada cem pessoas vacinadas, 78 ficam protegidas contra a covid-19. A taxa mínima recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 50%.
Outro dado importante é que a vacina garantiu a proteção total (eficácia de 100%) em voluntários que foram contaminados. Ou seja: mesmo aqueles que foram vacinados e tiveram a covid-19 não apresentaram maiores complicações.
— Esta é uma taxa de eficácia muito boa, pois mostra que grande parte das pessoas que recebem as doses ficam protegidas do vírus, e ainda evita complicações para os que possam contrair a covid-19 — analisa o mestre e doutor em Epidemiologia Paulo Petry, que é professor na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
O índice de 78% é menor que os das vacinas desenvolvidas pelos laboratórios Pfizer e Moderna, que já foram aprovadas na União Europeia e nos Estados Unidos. As vacinas, que usam a tecnologia de RNA mensageiro, alcançaram eficácias de 95% e 94%, respectivamente.
— É importante observar o fato de que no Brasil os testes ocorreram com profissionais na linha de frente no combate ao coronavírus, ou seja, altamente expostas. Se esses profissionais tiveram índice tão elevado de proteção, os resultados são promissores — reforça Petry.
A vantagem da CoronaVac está no fato de ser produzida no Brasil e demandar uma cadeia logística mais simples — sem a necessidade do uso de superfreezers, tal como a vacina da Pfizer. Isso, na análise de especialistas, poderá agilizar a distribuição das doses após aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Novos dados ainda deverão ser divulgados nos próximos dias, principalmente após a apresentação do pedido de uso emergencial da substância no país, que ainda não ocorreu. O chefe do Serviço de Infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Eduardo Sprinz, analisa que a falta de detalhamentos prejudica uma análise mais fria da eficácia da CoronaVac.
Na apresentação do Butantan, explica, não ficou clara a quantidade de pacientes que receberam placebo e não tiveram complicações após se adoentarem com a covid-19, para que se compare com o volume de pessoas que efetivamente foram imunizadas.
— A eficácia de 100% de proteção contra formas graves de covid-19 é importante, pois o que precisamos, neste momento, é frear esse indicador. Mas não tenho como analisar melhor esse número se poucos dos voluntários tiveram a covid-19 e sem poder comparar com os casos de doentes graves do grupo do placebo — pondera Sprinz.
Esse tipo de informação também é uma lacuna em outras vacinas, como a da Oxford. O imunizante fabricado em parceria da universidade britânica com o laboratório AstraZeneca terá nas próximas semanas um estudo mais aprofundado para conhecer essas informações, e Sprinz considera fundamental que a CoronaVac também traga esse tipo de transparência.
O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou nesta quinta-feira que o contrato com o Instituto Butantan prevê a compra de 100 milhões de doses da vacina CoronaVac — o número equivale a todo o estoque do instituto. Segundo Pazuello, até abril, o Butantan fornecerá 46 milhões de doses. Outras 54 milhões chegariam até o fim do ano.





