O uso de máscaras é apontado por médicos e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das maneiras mais eficazes de se proteger da contaminação pelo coronavírus. Em Porto Alegre, o uso não é consenso, e, principalmente em áreas de lazer, tem adesão baixa.
Um levantamento feito por GaúchaZH na quinta-feira (6) mostrou que a média de pessoas usando máscara enquanto pratica exercícios é menor do que o número que circula em áreas comerciais em Porto Alegre. O levantamento foi feito em cinco pontos da Capital: nas zonas comerciais da Avenida Assis Brasil, Azenha e Rua dos Andradas e em locais usados para práticas físicas, como o Parque Germânia e a Redenção.
Durante 10 minutos, a reportagem definiu um ponto e contou e anotou quantas pessoas estavam usando máscara de forma correta ou não. O local com o maior percentual de uso da máscara de forma correta foi na Azenha, onde 84% das pessoas estavam protegidas. Na Assis Brasil, o índice chegou a de 83% e na Rua da Praia, a 82%.
Na Azenha com a Rua Barão do Triunfo, durante o período analisado, 127 pessoas passaram pelo local. Dessas, 107 usavam a máscara corretamente. Nove pessoas estavam completamente sem máscara, três com o item abaixo do nariz e oito, no queixo.
Já nas imediações de parques e praças, o uso adequado da máscara foi bem menor. No Parque Germânia, a reportagem acompanhou a movimentação por 10 minutos. De um total de 42 pessoas passando pelo local durante o período, 47,62% não estavam com a proteção facial devidamente colocada. Já na Redenção, cerca de 30% das pessoas não usavam máscara da forma adequada.
Item fundamental
Conforme o mestre e doutor em epidemiologia pela Universidade Federal do RS (UFRGS) e professor da Faculdade de Odontologia Paulo Petry, o uso da máscara é fundamental em ambientes como praças e parques durante a atividade física. Segundo o especialista, há risco de contaminação por meio de partículas expelidas por outra pessoa que passou no local.
— Mesmo em ambiente aberto, num parque ou em uma praia, você está expelindo esses aerossóis da respiração, que aumenta com o exercício. Isso vai ficar em suspensão pelo ar. Qualquer pessoa que passar, ou pouco após a passagem do primeiro atleta, o segundo vai ser contaminado — disse o especialista.
Além disso, Petry destacou que o desconforto de usar a máscara durante a prática física é comum, já que a população em geral não está habituada ao uso da proteção. O especialista frisou que o exercício aumenta a frequência ventilatória, mas afirmou que a etiqueta respiratória é a principal forma de coibir a disseminação do coronavírus.
Resultados do levantamento
Áreas comerciais
Assis Brasil x Roque Callage

- Horário: 15h20min-15h30min
- 87 pessoas
- 10 estavam sem máscara
- 1 com máscara no nariz
- 3 com máscara no queixo
- 73 usando corretamente
- Total:
- 14 usando a máscara incorretamente (16,09)
- 73 usando a máscara corretamente (83,91%)
Rua dos Andradas, 1.261

- Horário: 10h13min-10h23min
- 223 pessoas
- 21 sem máscara
- 6 com máscara no nariz
- 4 com máscara no Queixo
- 9 máscara baixa fumando
- 183 usando corretamente
- Total:
- 40 usando a máscara incorretamente (17,94%)
- 183 usando a máscara corretamente (82,06%)
Azenha x Barão do Triunfo

- Horário: 11h10min-11h20min
- 127 pessoas
- 9 sem máscara
- 3 com a máscara no nariz
- 8 com máscara no queixo
- 107 usando corretamente
- Total:
- 20 usando a máscara incorretamente (15,75%)
- 107 usando a máscara corretamente (84,25%)
Locais de lazer
Parque Germânia

- Horário: 15h50min-16h
- 42 pessoas
- 18 sem máscara
- 0 com máscara no nariz
- 2 com máscara no queixo
- 22 usando corretamente
- Total:
- 20 usando a máscara incorretamente (47,62%)
- 22 usando a máscara corretamente (52,38%)
Parque da Redenção

- Horário: 17h35min-17h45min
- 139 pessoas
- 30 sem máscara
- 9 com máscara no nariz
- 3 com máscara no queixo
- 97 usando corretamente
- Total:
- 42 usando a máscara incorretamente(30,22%)
- 97 usando a máscara corretamente (69,78%)
