
Vizinhos à China, primeiro epicentro da covid-19, Singapura, Taiwan e Hong Kong estão se tornando referência no combate à doença que assusta o planeta. Em comum, a principal ação para frear a velocidade da contaminação foi a rapidez na tomada de decisões governamentais.
Nesses territórios, a letalidade e a expansão do coronavírus tem sido bem menor do quem em solo chinês, onde houve mais de 80 mil casos e 3 mil mortes. Em Taiwan, foram registrados 59 casos e apenas uma morte. Em Singapura, o número de infectados é quase quatro vezes maior (226), mas ninguém morreu. Hong Kong teve 131 pessoas positivo e quatro mortes ante 1.350 óbitos de Guangdong, província chinesa vizinha.
Logo no início da expansão da covid-19, as autoridades locais implementaram restrições ao deslocamentos de passageiros vindos do continente. A determinação, que inclusive contrariou orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e resultou em prejuízo financeiro, reduziu exponencialmente o registro de casos no início da pandemia. Contribuiu para o cenário atual os ensinamentos obtidos após as crises sanitárias provocadas pelas gripes sars e mers no início dos anos 2000. Outra medida comum foi a testagem em massa de pessoas com suspeita de estarem contaminadas pelo novo vírus.
— A experiência foi crua e muito, muito visceral. E por trás disso, sistemas melhores foram implantados — afirmou à revista Time Jeremy Lim, co-diretor do Instituto de Liderança para Transformação Global da Saúde da Universidade Nacional de Singapura.
Em 2003, o governo de Taiwan, uma ilha de 22 milhões de habitantes a apenas 180 quilômetros da China, criou um centro integrado de controle de epidemias formado por mais de 100 agências governamentais. Em janeiro, quando a covid-19 começava a se expandir na China, o centro de controle já listava 124 iniciativas, incluindo monitoramento de fronteiras, políticas escolares e de trabalho, planos de comunicação pública e avaliação de recursos hospitalares. Todos as pessoas que chegavam ao país vindo de Wuhan eram imediatamente submetidas a testes.
Em Singapura, agentes de saúde entrevistaram passageiros vindos do Exterior. Quando as informações não eram claras ou precisas o suficiente, eles recorriam a imagens de empresas de transportes e hotéis. O governo recorreu à testagem em massa e uma campanha de esclarecimentos da população calcada no didatismo e no bom humor. As pessoas infectadas, porém, foram submetidas à regras rígidas de isolamento. Mentira e quebra da quarentena geram multas pesadas e até mesmo punições judiciais.
Para reforçar a fiscalização, todos os nomes dos infectados são divulgados, inclusive com o endereço e local de trabalho. Taiwan adotou medidas similares. A quarentena é monitorada por aplicativo de celular e infração às regras gera multa de US$ 33 mil (cerca de R$ 150 mil). Em Hong Kong, a principal atitude do governo foi impor o distanciamento social. Escolas e repartições públicas estão fechadas, grandes eventos foram cancelados, empresas paralisaram atividades ou recomendaram aos funcionários que trabalhassem de casa.
— A parte social é uma das razões pelas quais conseguimos manter os casos de vírus tão baixos — disse à agência de notícias Bloomberg o professor Nicholas Thomas, da Universidade da Cidade de Hong Kong.
Veja as medidas de contenção
Taiwan
- Checagem dos sintomas em passageiros de avião
- Unificação dos bancos de dados de saúde e imigração
- Quarentena controlada por aplicativo de celular
- Apoio do governo à produção massiva de máscaras
- Aplicação de multas pesadas a quem infringir regras
Singapura
- Testagem rápida e em grande proporção
- Esclarecimentos na TV com didatismo e bom humor
- Entrevistas e investigação de passageiros do Exterior
- Multa pesada a quem mentir ou quebrar quarentena
- Divulgação do nome, endereço e local de trabalho dos infectados
Hong Kong
- Fechamento de escolas até a Páscoa
- Fechamento de repartições públicas
- Suspensão de atividades das empresas
- Instituição do teletrabalho
- Distanciamento social autoimposto



