A pandemia de coronavírus e as medidas tomadas por governantes para evitar que a doença se dissemine muito rapidamente por aqui, sobrecarregando o sistema de saúde, fizeram com que a maior parte da população atendesse aos apelos de só sair de seus lares em caso de muita necessidade. Veja, a seguir, alguns exemplos de rotinas alteradas pelo novo cenário.
Concentração para aulas online

A principal dificuldade para os pais com filhos pequenos é ter calma e pensar em atividades para mantê-los ocupados e aprendendo mesmo sem poderem ir à escola. O uso de aparelhos eletrônicos costuma crescer muito (algo nem sempre desejado pelos pais), mas a tecnologia não precisa virar vilã: ela pode ser utilizada a favor dos pais e dos estudantes de todas idades.
Na casa da odontopediatra Renata Franzon, de quem falamos no início da reportagem, as crianças têm algumas aulas online.
E o desafio da família é manter a atenção dos pequenos estudantes a elas, mesmo com a tentação do tablet e do celular tão próximos.
— Aqui estamos tentando fazer as atividades que a escola manda de acordo com a disposição das crianças, pois entendemos que é um período difícil para elas também. Não sabemos até que ponto compreendem toda essa situação e estamos priorizando preservar o bem-estar emocional da família toda — explica Renata.
Já os adolescentes, especialmente aqueles que veem a época de provas para ingressar no Ensino Superior se aproximar, precisam de muita disciplina – e tudo por conta própria. Luísa Leão, 17 anos, aluna do 3° ano do Ensino Médio no Colégio Farroupilha, está estudando de casa, e sabe que não é por estar em frente ao computador que deve perder o foco na rotina de aulas.
— Estou há dias isolada em casa com a minha família e, realmente, ficar em casa não tem sido a parte mais difícil, mas sim conciliar isso tudo com os estudos. Por conta justamente no ano em que estou, assim: um ano decisivo, de vestibular, Enem, último ano do colégio...
Luísa explica que acha corretas as medidas que foram tomadas para preservar os jovens alunos, afinal é uma razão “de força muito maior”. E explica que, quando o pico da pandemia passar, vai ver o mundo com outros olhos:
— Tenho certeza de que quando voltar para nossa vida real a gente vai passar a valorizar muito mais amigos, colegas, presença, como também o sistema educacional com um todo.
Sem parar com os exercícios

Quem está acompanhando as redes sociais neste período de isolamento social, já viu algumas das transmissões ao vivo feitas por academias e profissionais de educação física.
Com restaurantes e outros estabelecimentos comerciais, as academias estiveram entre os primeiros alvos dos decretos que determinaram o fechamento desse tipo de empreendimento, marcado pela aglomeração de pessoas e, frequentemente, também pelo contato físico.
Ao saber da determinação de fechamento, o gerente executivo Paulo Ayres agiu rápido: propôs que as atividades físicas fossem levadas para a residência dos alunos virtualmente. Com parceria de professores e orientação profissional, sua unidade criou um cronograma de aulas que podem ser feitas apenas com o que se tem em casa.
– Qualquer aluno pode acessar pelo nosso Instagram, seguir a gente e aproveitar todo cardápio de exercícios. O sucesso foi estrondoso, porque nossa preocupação foi levar a aula que acontecia dentro da academia para dentro de casa. Todo mundo gostou – diz Ayres, que trabalha na Cia Athletica Porto Alegre.
Ele explica que a motivação é mostrar para as pessoas que elas podem se movimentar em qualquer ambiente e situação. E calcula que, por conta das transmissões ao vivo, o número de seguidores nas redes sociais da academia subiu cerca de 35%.
Carolina Castilhos, 40 anos, é uma das instrutoras que, da própria sala de casa, faz centenas de pessoas se movimentarem sem sequer vê-las. Ela explica que já tinha experiência com lives em seu estúdio de pilates, mas a procura pelo serviço – disponível de maneira totalmente gratuita a quem quiser acompanhá-lo – cresceu muito na quarentena.
– Ofereci, por exemplo, aula de pilates kids, teve uma super adesão. Os pais amaram, as crianças estão adorando fazer. Está sendo muito gratificante fazer as lives, por vários motivos. Para mim, como profissional, me manter fazendo aquilo que eu adoro, mesmo que à distância, é o máximo – descreve a profissional de Educação Física.
Sobre o retorno que recebe dos alunos, ela explica que são reações das mais diversas: desde “nossa, vocês estão sendo um alento neste momento” vindo de alunos mais experientes até “comecei a fazer exercício por causa de vocês!” de quem tem procurado, mesmo com o isolamento social, se manter ativo.
Aproximação com público

O trabalho dos instrutores dentro de casa revela também um lado mais “humano” desses profissionais: às vezes tem bagunça, tem filhos, tem animais de estimação. É “a vida como ela é”, como define Paulo Ayres.
– Mostramos também a realidade do professor, tentando motivar o pessoal diretamente das suas casas, com seu celular, algo bem simples, direto e objetivo, sem grandes produções – destaca o gerente.
Essa proximidade com a “vida real” também foi levada ao público pelo comunicador do Grupo RBS Daniel Scola, gerente-executivo e apresentador da Rádio Gaúcha que está em teletrabalho. Em meio a uma de suas participações no programa Bom Dia Rio Grande, da RBS TV, os telespectadores puderam ouvir o choro de uma criança: era uma de suas filhas querendo atenção do pai enquanto ele trabalhava.
— Os primeiros dias foram um pouco mais complicados, mais difíceis de fazer adaptação, mas depois do terceiro ou quarto dia, conseguimos estabelecer na nossa rotina de casa algumas prioridades. Por exemplo: quando estou no ar, minha esposa fica com as filhas cuidando para que não cheguem perto do microfone. Nem sempre dá certo — explica Scola.
Essa aproximação é parte também de uma ligação maior com a própria família, garante o comunicador:
— A gente vai se adaptando cada vez mais. E acho que, de certa forma, isso serviu para nos unir ainda mais e colocar em evidência aquele sentimento familiar, aquela união familiar que a gente já tinha muito forte aqui. Nos últimos dias, isso ficou mais presente nas nossas vidas.





