Minas Gerais é o Estado pioneiro na criação de um centro especializado em transplante de fezes no Brasil. O Hospital das Clínicas da UFMG, administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), criou o Centro de Transplante de Microbiota Fecal, instalado no âmbito do Laboratório de Pesquisas/Banco de Tumores e Tecidos do Instituto Alfa de Gastroenterologia (IAG) do HC-UFMG.
Fora os transplantes, o local também é um dos primeiros a manter um banco de fezes. O hospital já está em fase de análise e seleção de pacientes para o primeiro procedimento.
— Até o momento, em nosso país, há poucos relatos de transplante fecal. Apenas um estudo foi publicado no ano de 2015, descrevendo a experiência de 12 pacientes submetidos ao transplante no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Além disso, há registros no Hospital Vera Cruz, em Campinas, e em uma clínica em São José do Rio Preto (SP). No entanto, todos os casos foram isolados e de forma experimental — afirmou o chefe do IAG e coordenador do Banco de Tumores e Tecidos do mesmo instituto, Luiz Gonzaga Vaz Coelho ao site do Hospital. Segundo ele, não há nenhum registro de um centro de transplante de microbiota fecal respaldado pelas rigorosas orientações dos órgãos internacionais como o do HC-UFMG.
O transplante fecal é visto com o uma saída promissora para pacientes infectados com a bactéria Clostridium difficile e que não respondem ao tratamento com antibióticos. Patogênica, a Clostridium difficile está presente na microbiota de até 20% dos adultos hospitalizados, levando a quadros de diarreia em até 5% deles. Desses 5%, um grupo considerável não apresentará resposta satisfatória ou duradoura ao tratamento com medicamentos, diz a casa de saúde.



