
Trabalho, casa, filhos e a tentativa de manter uma rotina de exercícios e uma alimentação equilibrada. O dia a dia da mulher moderna costuma reunir várias jornadas em uma só. Nesse ritmo, o cuidado com a própria saúde muitas vezes fica em segundo plano — e a sobrecarga cobra seu preço, afetando o bem-estar e contribuindo para o adoecimento físico e mental.
Neste mês, a campanha internacional Outubro Rosa reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama. Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA), a doença deve atingir 78,6 mil mulheres em 2026. Entre os principais fatores de risco estão sedentarismo, consumo de álcool, tabagismo, idade avançada, histórico familiar e exposição prolongada ao estrogênio, hormônio feminino.
Para além do diagnóstico, o mês é um convite para olhar para si e entender que o cuidado com a saúde precisa fazer parte da rotina. Ainda assim, o autocuidado e a realização de exames preventivos podem acabar sendo adiados — e, em alguns casos, essa resistência pode ser intencional.
Conforme a médica ginecologista cooperada da Unimed Porto Alegre Juliane Lavarda Scheinpflug, alguns fatores afastam as mulheres da mamografia — exame indicado para a detecção precoce do câncer de mama. Um deles é a ideia de que “quem procura acha”. No entanto, procurar também permite identificar precocemente o que precisa ser tratado.
— A vida está muito atribulada, e a saúde acaba ficando em segundo lugar. A mulher não se prioriza, dando mais importância à beleza externa e esquecendo de olhar para a saúde interna. Além disso, existe a conversa entre as mulheres de que os exames doem ou são desconfortáveis, como a mamografia, ou ainda a desinformação da internet dizendo que o exame vai trazer alguma doença — diz.
Para mudar esse cenário, é fundamental manter consultas e exames em dia. O acompanhamento permite identificar possíveis problemas antes mesmo do surgimento de sintomas ou sinais clínicos. O médico ginecologista cooperado da Unimed Porto Alegre Geraldo Gomes da Silveira reforça que esse cuidado ajuda a antecipar diagnósticos: não é preciso esperar sentir dor ou notar um nódulo para procurar o médico.
— Quem está com os exames atrasados deve observar possíveis mudanças nas mamas, como nódulos, alterações de cor ou sensibilidade diferente. Diante de qualquer um desses sinais, é importante buscar atendimento médico — recomenda.
Cuidado integral
A prevenção deve ser compreendida de forma mais abrangente. Segundo Gomes, ela vai além da realização de exames e começa nas escolhas cotidianas. Nesse sentido, o estilo de vida tem papel importante: praticar exercícios regularmente, manter uma alimentação equilibrada e reduzir ao máximo o consumo de produtos industrializados e ultraprocessados estão entre os cuidados recomendados.
— O sobrepeso e a obesidade também são fatores de risco, por isso o controle de peso é importante. Fora os hábitos mais evidentes, como não fumar e não consumir álcool em excesso. O exercício, por exemplo, é incrível. Estudos mostram que a prática regular reduz em 30% a chance de ter câncer de mama — afirma o ginecologista.
A prática de exercícios físicos é importante tanto para a prevenção de doenças quanto para o tratamento de pacientes oncológicos. Entre pessoas com câncer colorretal, Gomes explica que a adoção de um programa estruturado de exercícios durante o tratamento reduziu a mortalidade em 37% e a recidiva da doença em 28%, em comparação com pacientes com o mesmo tipo de tumor, submetidos ao mesmo tratamento, mas que não se exercitavam.
— Há estudos em andamento sobre câncer de mama indicando a mesma linha. Diretrizes das principais sociedades, como a SBOC (Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica) e o INCA, já colocam a integração do exercício como primeira escolha para o câncer — completa o médico.
Autocuidado não é luxo
Cuidar da saúde começa por colocar-se em primeiro lugar. Para as mulheres, a prevenção envolve rotinas bem estabelecidas ao longo das diferentes fases da vida: vacina contra o HPV na adolescência, preventivo do câncer do colo do útero a partir dos 24 anos e exames laboratoriais de rotina a partir dos 30. Aos 40, entra a mamografia anual. Durante a gravidez, o pré-natal é indispensável e, no climatério e na menopausa, a atenção à saúde continua necessária.
— A mamografia não traz prejuízos. Tudo o que foi pensado e pesquisado na medicina é para o bem da nossa saúde — reforça Juliane.
A ginecologista pondera que as mulheres costumam cuidar de todos ao redor, mas também precisam priorizar a própria saúde para dar conta das diferentes demandas do dia a dia. Conforme a médica, quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maiores são as chances de sucesso no tratamento.
— Se pensarmos que vamos viver 87 anos ou mais, não é aos 80 que vamos começar a fazer a prevenção. O cuidado é para a vida inteira, para podermos chegar à terceira idade de forma saudável, sem grandes complicações, e aproveitarmos a vida — completa a médica.

Checklist da saúde
Autocuidado também passa por observar como anda a rotina. Sono, alimentação, movimento, descanso e relações fazem parte desse olhar. Faça um checklist:
Como estou dormindo?
Observe a qualidade do sono e como você acorda.
Tenho descansado de verdade?
Reserve momentos sem trabalho, tarefas ou outras demandas.
Como está minha alimentação?
Perceba se há regularidade e variedade nas refeições.
Tenho movimentado o corpo?
Caminhadas, dança, esporte e outras atividades também contam.
Tenho com quem dividir preocupações?
Manter vínculos e compartilhar o que sente também é cuidado.
Tenho feito algo que me dá prazer?
Lazer e hobbies não precisam ficar para quando “sobrar tempo”.
Consigo colocar limites?
Observe se as demandas estão excessivas e preserve espaços de descanso.




