
A tecnologia tem redefinido os rumos da medicina, e a ortopedia acompanha essa evolução. Os tratamentos para a coluna vêm evoluindo constantemente, proporcionando mais conforto, segurança e melhores resultados aos pacientes. Enquanto no passado a necessidade de uma cirurgia gerava grande insegurança, hoje os avanços na área oferecem soluções cada vez mais modernas e eficazes para quem precisa de cuidados com a coluna, seja por dores, lesões ou doenças.
Impulsionada pelos avanços da tecnologia, a área que cuida da saúde da coluna tem investido em técnicas menos invasivas que buscam atender melhor às necessidades dos pacientes. Na região Sul do Estado, o Instituto de Ortopedia e Traumatologia de Passo Fundo (IOT) — localizado dentro do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) — se tornou referência nacional em cirurgias minimamente invasivas na região da coluna.
Com mais de duas décadas de atuação, o médico Diego Heredia é especialista em coluna vertebral e já atendeu mais de 30 mil pacientes ao longo de sua carreira. Desses, mais de 4 mil foram submetidos a procedimentos cirúrgicos, incluindo mais de 500 cirurgias realizadas por meio de técnicas minimamente invasivas. Essas técnicas substituem grandes cortes por pequenas incisões, com o objetivo de reduzir a agressão ao organismo e favorecer a recuperação.
Para Heredia, a importância desses avanços fica clara na comparação com a cirurgia tradicional. Antes, os procedimentos eram feitos com cortes maiores, mais riscos e recuperação prolongada. Hoje, as técnicas minimamente invasivas permitem tratar o problema com menor agressão ao paciente, reduzindo sangramento, complicações e tempo cirúrgico.
— Na coluna, a técnica vídeo-endoscópica permite operar por uma incisão milimétrica, suficiente para retirar uma hérnia de disco ou descomprimir um nervo. Trata-se de fazer apenas a intervenção necessária, com menor agressão ao organismo — explica.
Em entrevista, o especialista explica os benefícios dessa prática, em quais casos o uso da técnica endoscópica é recomendado e por que Passo Fundo virou referência nesse setor.
Em quais casos a técnica endoscópica é indicada?
As doenças da coluna podem ser divididas em grandes grupos: traumáticas, oncológicas e degenerativas. As traumáticas envolvem fraturas, entorses e deslocamentos de estruturas anatômicas. As oncológicas incluem tumores e metástases. Já as degenerativas estão relacionadas ao envelhecimento natural dos tecidos e ao desgaste progressivo das estruturas, como ocorre em casos de hérnia de disco e compressão de nervos.
De modo geral, a cirurgia endoscópica tem indicação importante no tratamento de doenças degenerativas da coluna, especialmente quando há necessidade de descompressão de nervos ou remoção de hérnias de disco. Por ser uma técnica minimamente invasiva, ela busca tratar o problema com menor agressão aos tecidos, reduzindo sangramento, dor pós-operatória e tempo de recuperação.
Embora as indicações estejam se ampliando — inclusive com relatos de uso em situações mais complexas, como determinados casos tumorais —, a aplicação da técnica exige formação específica, treinamento contínuo e domínio da curva de aprendizagem. Regiões mais delicadas, como áreas próximas à medula espinhal, demandam ainda mais experiência e critério médico para garantir segurança ao paciente.
Como é, na prática, a diferença de recuperação para o paciente?
Antes, uma cirurgia de coluna costumava exigir longo afastamento da vida social e profissional, com o paciente limitado ao leito por mais tempo. Com as técnicas minimamente invasivas, em muitos casos ele já consegue sair da cama poucas horas após o procedimento e retomar gradualmente o trabalho e até atividades esportivas.
A principal diferença está na tecnologia envolvida. A cirurgia endoscópica pode ter custo maior, mas tende a reduzir sangramento, tempo de internação, complicações e afastamento das atividades. Quando se considera o retorno mais rápido à rotina e ao trabalho, o investimento pode se equilibrar em relação aos custos indiretos de uma cirurgia tradicional.
O que mudou na procura dos pacientes nos últimos anos?
A procura por procedimentos minimamente invasivos tem crescido nos últimos anos, mas ainda ocorre de formas diferentes entre os pacientes. De um lado, estão aqueles que têm mais acesso à informação e já chegam ao consultório buscando alternativas tecnológicas, menos agressivas e com recuperação mais rápida.
De outro, há pacientes que ainda não conhecem essas possibilidades ou que carregam experiências anteriores com cirurgias mais invasivas, associadas a cortes maiores, sangramento, limitações e períodos prolongados de recuperação. Nesses casos, a orientação médica tem papel fundamental para explicar o diagnóstico, apresentar as opções de tratamento e esclarecer quando a técnica endoscópica pode ser indicada.
Na minha avaliação, cerca de 30% dos pacientes já chegam informados sobre os procedimentos minimamente invasivos, enquanto aproximadamente 70% ainda desconhecem a técnica. Por isso, ampliar a divulgação e o acesso à informação é essencial para que mais pessoas conheçam alternativas de tratamento já disponíveis.
Por que pacientes de outras regiões do país buscam Passo Fundo?
Passo Fundo tem atraído pacientes de outras regiões porque reúne estrutura hospitalar, tecnologia avançada e experiência médica em procedimentos de alta complexidade. No IOT, essa combinação permite oferecer tratamentos modernos e menos invasivos, especialmente na cirurgia endoscópica da coluna.
A chegada de novas plataformas robóticas para cirurgias ortopédicas, como as voltadas ao quadril, joelho e ombro, reforça o papel da cidade como um polo de inovação na área médica. Além disso, o avanço de soluções robóticas para a coluna aponta para novas possibilidades de tratamento nos próximos anos.
A segurança do procedimento também depende de um conjunto de recursos. Além da técnica cirúrgica, são fundamentais a qualidade da anestesia, o monitoramento cerebral e cardíaco e o acompanhamento contínuo das condições do paciente durante a cirurgia. Esses avanços ampliam as possibilidades de atendimento, inclusive para pessoas idosas que, no passado, dificilmente seriam candidatas a uma cirurgia.
Essa estrutura tem feito com que pacientes de diversas cidades do Estado, inclusive da capital, procurem atendimento em Passo Fundo por indicação e referência. Hoje, o grupo do IOT reúne um dos maiores volumes de cirurgias endoscópicas da região, com mais de 500 procedimentos realizados nas regiões cervical, torácica e lombar, em pacientes de diferentes faixas etárias.





