
O estrabismo — distúrbio visual caracterizado pelo desequilíbrio na função dos músculos oculares, fazendo com que os olhos não se alinhem corretamente — afeta 1,4% da população brasileira, conforme estudo conduzido pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Embora seja frequentemente associado à infância, o problema pode surgir em qualquer idade e, quando não tratado, compromete a visão, a percepção de profundidade e a qualidade de vida. Na maioria dos casos, contudo, a condição tem tratamento e pode ser corrigida por diferentes métodos.
O que é estrabismo e quais são os primeiros sintomas?
O primeiro passo para entender o estrabismo é saber que ele pode se manifestar de diferentes formas, sendo as duas mais comuns:
Desvio convergente (esotropia): quando um dos olhos se volta para dentro, em direção ao nariz. É o tipo que mais preocupa nos primeiros anos de vida porque pode comprometer o desenvolvimento da visão a longo prazo.
Desvio divergente (exotropia): quando um dos olhos desvia para fora. Na infância, é comum que seja intermitente – o olho “escapa” em alguns momentos e depois retorna ao alinhamento. Como geralmente não é constante, tende a causar menor impacto no desenvolvimento visual.
De acordo com a médica especialista em oftalmopediatria e em cirurgia de correção de estrabismo em crianças e adultos Juliana Wagner Dada, o tipo de desvio influencia o momento mais adequado para a intervenção cirúrgica.
— Nos casos de esotropia, o procedimento costuma ser realizado entre os nove e os 18 meses de idade. Já na exotropia, a cirurgia geralmente é indicada entre 3 e 4 anos de idade, mas pode ser antecipada quando o desvio é muito frequente ou interfere nas atividades e no desenvolvimento da criança — explica.
Embora a cirurgia seja o tratamento mais comum e definitivo para a maioria dos casos, ela não é a única alternativa. A conduta varia conforme a causa do estrabismo, a idade do paciente e as características do desvio.
Outras opções de tratamento incluem:
Óculos: em algumas crianças, especialmente naquelas com hipermetropia elevada, o uso dos óculos pode ser suficiente para corrigir o desalinhamento dos olhos, evitando a necessidade de cirurgia.
Lentes prismáticas: indicadas principalmente para adultos com pequenos desvios e visão dupla, ajudam a alinhar as imagens e reduzir o desconforto visual.
Toxina botulínica (botox): pode ser utilizada em casos específicos, como pacientes com paralisias oculares após AVC, como tratamento temporário até a cirurgia, ou em bebês que ainda não atingiram a idade ideal para o procedimento.
Também afeta adultos
Embora a maior parte dos diagnósticos ocorra na infância, Juliana ressalta que o estrabismo também pode afetar adultos, seja pela persistência de um desvio desde a infância ou pelo surgimento da condição ao longo da vida. Apesar disso, ainda é comum que pacientes deixem de procurar tratamento por acreditarem que a cirurgia não vale a pena nessa fase.
— Muitas pessoas têm o sonho de corrigir o desvio, mas acabam desmotivadas por ouvirem que não vale a pena ou que a condição pode voltar. Não é verdade. Temos excelentes resultados pós-operatórios. Como em qualquer tratamento, não existe garantia absoluta, mas isso não é motivo para deixar alguém sofrendo com uma condição que tem procedimento consolidado — afirma a especialista.
A possibilidade de corrigir o estrabismo na vida adulta, inclusive, transformou a vida de Ariane Rocco, que decidiu passar por uma segunda cirurgia após obter apenas uma correção parcial na primeira intervenção.
— Hoje, posso dizer que foi uma das melhores decisões que tomei. O pós-operatório foi muito mais tranquilo do que eu imaginava, e o resultado superou minhas expectativas. A correção foi muito superior à da primeira cirurgia, e isso refletiu não apenas na aparência, mas principalmente na minha autoestima, autoconfiança e qualidade de vida. Minha gratidão por todo o carinho e pela competência da Dra. Juliana, que fizeram esse resultado ser possível – relata.
Impactos positivos
De acordo com Juliana, o tratamento do estrabismo traz benefícios que devem ser analisados sob três perspectivas:
Visão: na infância, quando um dos olhos permanece desalinhado, o cérebro pode passar a ignorar as imagens enviadas por ele, levando ao desenvolvimento da ambliopia, conhecida como “olho preguiçoso”. Se não tratada precocemente, a condição pode resultar em perda permanente da capacidade visual.
Percepção de profundidade: também chamada de visão tridimensional ou estereopsia. Quando os olhos estão desalinhados, a capacidade de avaliar distâncias fica comprometida, dificultando atividades como subir e descer escadas, praticar esportes e realizar tarefas que exigem coordenação motora fina.
Autoestima e vida social: embora a questão estética não seja a principal preocupação médica, o estrabismo pode afetar significativamente a autoconfiança, os relacionamentos interpessoais e a qualidade de vida dos pacientes.
Após a cirurgia de correção do estrabismo, Bibiane Ramos percebeu na filha, Rafaela, os impactos positivos do tratamento.
— A cirurgia mudou a vida da Rafa de uma forma muito especial. Além da melhora estética, percebemos um aumento enorme em sua autoestima e confiança. Hoje, ela se sente mais segura para sorrir, tirar fotos e viver a infância sem se preocupar com o olhar. Como mãe, ver esse resultado não tem preço. Somos imensamente gratos à Dra. Juliana e a toda a equipe pelo cuidado, carinho e profissionalismo em cada etapa — comenta.
Quando procurar ajuda
É comum que os pais tenham dúvidas sobre quando um desvio nos olhos deve ser motivo de preocupação. Juliana informa que, nos primeiros meses de vida, pequenos desalinhamentos podem acontecer, já que o bebê ainda está desenvolvendo a capacidade de fixar o olhar e coordenar os movimentos oculares.
— Essa condição, no entanto, não deve persistir ao longo do desenvolvimento da criança. Após os seis meses de vida, ela já precisa apresentar os olhos alinhados — alerta.
Caso os pais percebam que um dos olhos continua desviando, “escapando” ou entortando após essa idade, é importante buscar uma avaliação oftalmológica. Nesses casos, a recomendação é procurar um profissional com experiência específica em estrabismo.
Especializada em oftalmopediatria e cirurgia de correção de estrabismo em crianças e adultos, Juliana Wagner Dada atua na área desde 2019 e realiza, em média, de seis a oito cirurgias por mês. A médica mantém canais abertos para agendamento e orientação de pacientes e familiares sobre o diagnóstico e as possibilidades de tratamento.

