
As crianças estão entre os grupos mais afetados pelas doenças respiratórias neste inverno. Segundo o painel de monitoramento de doenças respiratórias da Secretaria Estadual da Saúde (SES), no início da semana, os menores de 12 anos somavam 3.651 hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), número superior ao registrado em qualquer faixa etária adulta considerada isoladamente.
O cenário também se repete nos casos de influenza, com 558 internações entre crianças de até 11 anos. Dados do painel também apontam que o vírus sincicial respiratório (VSR), principal causador da bronquiolite, já provocou 690 hospitalizações em crianças menores de cinco anos no Estado.
Dessa forma, especialistas reforçam a importância de reconhecer os primeiros sintomas e redobrar os cuidados para evitar a evolução dos quadros respiratórios. Pais e responsáveis devem estar atentos aos primeiros sinais de infecção e buscar atendimento quando houver indícios de agravamento do quadro.
A médica pediatra cooperada da Unimed Porto Alegre Roselaine Losch explica que tanto o resfriado quanto a gripe costumam apresentar sintomas iniciais semelhantes, como coriza, perda de apetite e prostração.
— O resfriado costuma melhorar em cinco a sete dias, com febre baixa, e a criança não fica tão prostrada. Já a gripe geralmente provoca maior prostração, dores no corpo e perda de apetite, além de febre mais alta. Mas neste ano temos observado alguns casos de influenza com febre baixa. Por isso, é importante prestar mais atenção ao estado geral da criança do que apenas à temperatura — alerta a especialista.
Nos casos de gripe ou resfriado, a orientação é manter a criança em repouso, bem hidratada e alimentada, além de evitar o contato com outras crianças para reduzir o risco de transmissão. Se a febre persistir por mais de 72 horas ou houver prostração intensa, é recomendada avaliação pediátrica.
De olho nos sintomas
A bronquiolite é uma infecção viral que acomete os bronquíolos, pequenas ramificações dos brônquios responsáveis por conduzir o ar até os alvéolos pulmonares, principalmente em crianças menores de dois anos. Em muitos casos, o quadro começa como um resfriado comum, mas pode evoluir e exigir atenção redobrada dos pais e responsáveis. Segundo Roselaine, os principais sinais de alerta incluem chiado no peito, dificuldade para respirar, respiração rápida ou ofegante e piora do estado geral da criança.
— Eu sempre oriento os pais a observarem a respiração. Se a barriguinha estiver afundando muito e as costelas ficarem bastante aparentes, isso pode indicar que ela está fazendo um esforço excessivo para respirar. Esse também pode ser um sinal de pneumonia, geralmente acompanhada de febre. Qualquer quadro que se prolongue ou venha acompanhado de muita prostração deve ser avaliado por um pediatra — reforça.
Cuidado também na escola
A prevenção não devem se limitar ao ambiente doméstico. A médica pediatra cooperada da Unimed Porto Alegre Marília Gentilini Gervini destaca que as escolas, onde as crianças permanecem boa parte do dia, também favorecem a circulação de vírus respiratórios. Nesse ambiente, medidas simples fazem diferença, como a higienização frequente das mãos, a ventilação adequada das salas de aula e a limpeza regular de brinquedos e superfícies de uso compartilhado.
— Nas escolas, é importante manter copos individualizados. Os brinquedos também devem ser higienizados, principalmente aqueles que costumam ir à boca. É fundamental manter os ambientes arejados. O frio dificulta isso, mas a renovação do ar é essencial para reduzir a transmissão de vírus — orienta Marília.
Também é importante ensinar as crianças a cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar e a não compartilhar objetos de uso pessoal.
Foco na imunização
A vacinação segue sendo a forma mais eficaz de reduzir doenças respiratórias. Além da imunização contra a influenza, que protege contra os vírus da gripe dos tipos A e B, Marília reforça a importância de manter todo o calendário vacinal atualizado.
— A vacina pneumocócica é fundamental para prevenir doenças graves. A Pneumo 20 passou a integrar o calendário básico da rede pública, contribuindo para prevenir pneumonias graves, meningites e outras infecções.
Como reduzir o risco de doenças respiratórias
- Mantenha a vacinação em dia, especialmente contra a influenza e outras doenças previstas no calendário infantil
- Lave as mãos com frequência ou utilize álcool em gel quando não houver água e sabão
- Mantenha os ambientes ventilados, mesmo nos dias mais frios
- Evite contato com pessoas que apresentem sintomas gripais
- Oriente as crianças a cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar, preferencialmente com o antebraço
- Não compartilhe copos, mamadeiras, talheres e outros objetos de uso pessoal
- Higienize brinquedos e superfícies compartilhadas regularmente
- Mantenha a criança bem hidratada e com alimentação equilibrada
- Em caso de sintomas, evite enviar a criança à escola ou à creche para reduzir a transmissão de vírus
Fonte: Ministério da Saúde
Assistência pediátrica é ampliada

Para atender ao aumento da demanda por cuidados infantis durante o inverno, a Unimed Porto Alegre passa a oferecer, a partir deste sábado (11), atendimento pediátrico 24 horas na unidade localizada no Shopping Total. O serviço, que funcionava diariamente das 7h às 23h, agora opera de forma ininterrupta.
Referência em atendimento ambulatorial de baixa e média complexidade para crianças de 0 a 12 anos, a unidade conta com estrutura exclusiva e equipe formada apenas por médicos pediatras.
Segundo o superintendente da Unimed Porto Alegre, Marcelo Hartmann, a ampliação incluiu a readequação da estrutura física e o reforço do corpo clínico, que passou de 24 para 40 pediatras. Para ele, o serviço tem papel estratégico, já que a maior parte das urgências pediátricas envolve casos de menor complexidade, como infecções de ouvido, dores de garganta e síndromes gripais, permitindo um atendimento mais ágil e eficiente.
— Nesta época do ano, aumentam os atendimentos pediátricos nas emergências por causa do inverno. Muitas crianças acabam indo ao hospital, onde podem enfrentar aglomerações, maior exposição a contaminações e longas esperas. Como os hospitais priorizam casos de alta complexidade, os quadros de baixo risco costumam ser atendidos mais rapidamente em unidades pediátricas como a nossa — afirma Hartmann.
Infraestrutura ampliada
Com a expansão, a unidade passou a ocupar uma área de 400 metros quadrados e ampliou sua capacidade de atendimento de 216 para 288 pacientes por dia. Além das consultas, o local oferece exames laboratoriais, procedimentos e exames de imagem, como raio-X de tórax, reunindo os principais recursos necessários para o diagnóstico e o tratamento dos pacientes.
Nos casos em que houver necessidade de internação, a equipe médica realiza o contato direto com a rede hospitalar para a transferência e continuidade do tratamento. O transporte dos pacientes é realizado com a ambulância do SOS Unimed, garantindo agilidade e segurança.
A ampliação também fortaleceu a retaguarda hospitalar da cooperativa. O Hospital de Clínicas passou de dois para seis leitos exclusivos para clientes da Unimed Porto Alegre, e o Hospital Santo Antônio, da Santa Casa, ampliou a oferta de serviços especializados.
Quando procurar atendimento médico
- Febre alta persistente, mesmo após o uso de antitérmicos
- Febre que dura mais de 72 horas
- Quadro de saúde que não apresenta melhora ou se prolonga por vários dias
- Criança muito prostrada ou com piora do estado geral
- Recusa de líquidos e alimentos
- Respiração rápida, difícil ou com esforço
- Chiado no peito
- Em bebês, afundamento da barriga e marcação das costelas ao respirar
- Em crianças maiores, qualquer sinal de esforço para respirar
Fonte: Roselaine Losch, médica pediatra cooperada da Unimed Porto Alegre





