
O verão chegou, e com ele, é comum que as pessoas realizem mais atividades ao ar livre, sejam piqueniques e encontros com amigos ou exercícios físicos. Embora o clima mais quente seja propício para a prática de caminhadas, corridas, vôlei, futebol, entre outros, é necessário tomar algumas precauções para evitar acidentes, lesões, e até desidratação.
Os chamados “atletas de verão” – pessoas que praticam esportes de forma esporádica durante a estação, nas férias ou no final de semana – têm a maior probabilidade de sofrer alguma lesão ortopédica nesse período, conforme o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO). Na falta de um preparo adequado, os músculos e articulações acabam ficando em risco.
O médico ortopedista cooperado da Unimed Porto Alegre Paulo Gusmão explica que o nosso organismo não aceita “pulos de degrau" quando se trata de exercícios físicos, ou seja, a evolução deve ser lenta e gradual.
— O grande problema é que, no verão, muitos querem virar atletas olímpicos da noite para o dia por puro entusiasmo. Em novembro e dezembro, começo a atender muitas mulheres no consultório que resolveram emagrecer e começam a caminhar ou correr demais. Uma das consequências comuns é a dor na perna, que os corredores chamam de "canelite", mas que muitas vezes já é uma fratura por estresse — ressalta.
Cuidados na praia e na cidade
A prática de exercícios físicos é um dos maiores fatores de proteção da saúde. No entanto, se for mal orientada, pode causar problemas. O médico ortopedista cooperado da Unimed Porto Alegre Rogério Vargas diz que pessoas que são sedentárias durante a semana concentram suas atividades em um ou dois dias, como o futebol, corrida, crossfit ocasional ou pedaladas longas sem preparo, precisam ficar alerta para lesões musculares, tendinites, hérnias e lesões de joelho, coluna e ombro.
— Entre os erros mais comuns estão começar com exercícios com intensidade máxima sem preparo; usar excesso de carga; ignorar a dor como sinal de alerta; e a falta de aquecimento e alongamento adequados. Também é comum que as pessoas tentem copiar exercícios de amigos ou da internet sem planejamento físico, além de não respeitarem a idade e as limitações do próprio histórico clínico — ressalta.
E se não sobrecarregar o corpo com alta intensidade de exercícios é importante para evitar lesões, o calçado certo é outro grande aliado para quem planeja realizar atividade física com segurança. O ortopedista Paulo Gusmão explica que cada pessoa tem um tipo de pé, podendo ter o arco plantar normal, plano/chato ou cavo. Sendo assim, o médico afirma que o ideal é sempre procurar um especialista para saber qual o calçado mais adequado.
— O problema é que a pessoa passa o ano todo usando calçado fechado e, de repente, vai para a areia mole ou corre na beira da praia. Para a corrida, a recomendação é um tênis estruturado. Às vezes, o paciente já sabe que tem uma diferença de altura entre as pernas e usa uma palmilha de silicone para compensar. Reforço que o ideal seria uma avaliação ortopédica para orientar o melhor tipo de calçado e evitar lesões — diz Gusmão.
Além de escolher um calçado que garanta conforto e estabilidade, também é necessário analisar a superfície na qual irá se exercitar. Conforme o ortopedista Rogério Vargas, o solo também influencia, seja na areia, na rua ou dentro da academia.
— É comum haver alterações anatômicas, como o pé plano (popular "pé chato"), que causa um desequilíbrio biomecânico e gera dor no joelho, podendo levar a lesões de menisco. O tipo de solo também influencia: terrenos com muitas deformidades podem lesionar quadril, coluna e pés. Nas academias e no crossfit, as lesões musculares surgem pelo excesso de carga. Na corrida, o esforço excessivo sem aquecimento é o vilão. Outras patologias comuns são fascite plantar, tendinites e lesões de cartilagem — reitera.
Não esqueça da hidratação
As altas temperaturas exigem não apenas a hidratação nas atividades diárias, mas também durante os exercícios físicos ao ar livre. A desidratação impacta a saúde dos tecidos e dos músculos do nosso corpo, por esse motivo a recomendação é que a hidratação seja ainda maior no verão. Rogério Vargas reforça que, sem a reposição adequada, as pessoas podem sentir dores de cabeça e musculares intensas, apresentar vômitos e até riscos cardíacos.
— A média de consumo de água é de 2 a 3 litros por dia, mas, com o exercício no calor, essa necessidade pode duplicar. É fundamental hidratar antes, durante e depois da prática — diz o ortopedista.
Quando procurar um médico
Mesmo tomando cuidado, ainda é possível que, por algum descuido, a pessoa sinta dor ou incomodo. Nesses casos, a procura de um médico é indispensável. Paulo Gusmão reforça que hoje a medicina está muito acessível, e o recurso da teleconsulta ajuda no diagnóstico inicial e na orientação. O ortopedista faz o alerta de que uma fratura exposta é uma emergência absoluta.
– A janela de oportunidade é de 6 horas para limpar e suturar, evitando infecções graves. Outra urgência é quando há deslocamento (ombro, cotovelo ou rótula), o que pode afetar artérias e nervos. E a terceira urgência é a infecção articular, quando a articulação está quente, muito dolorida e a pessoa tem febre. Para esses casos, deve-se correr para o hospital. Para dores menores, a orientação por teleconsulta ou um atendimento eletivo resolvem bem – diz Gusmão.
Como praticar exercícios físicos no Verão?
A estação mais quente do ano requer cuidados para quem busca praticar atividades físicas ao ar livre. Confira algumas recomendações:
- Escolha horários de temperaturas mais amenas (até as 9h ou a partir das 16h)
- Tome água antes, durante e depois do exercício físico
- Procure se exercitar em locais com sombra (ex.: caminhadas em parques com árvores)
- Use roupas leves e que facilitem a transpiração.
- Use filtro solar e reaplique sempre que necessário.
Fonte: Ministério da Saúde




