
Dificuldade para urinar, aumento de idas ao banheiro durante a noite e presença de sangue na urina ou no sêmen podem ser sinais de câncer de próstata, segundo tipo mais comum entre os homens — atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) preveem 71 mil novos casos no triênio 2023/2025.
Alguns fatores podem aumentar as chances da doença. Entre eles, a idade se destaca: no Brasil, nove em cada 10 pacientes têm mais de 55 anos. O histórico familiar também é relevante, já que homens cujos pais, avós ou irmãos tiveram a doença antes dos 60 anos estão em maior risco. Além disso, pesquisas recentes apontam que o sobrepeso e a obesidade estão associados a um aumento da chance de desenvolver o tumor.
Mesmo diante desse cenário, o diagnóstico precoce pode garantir uma taxa de cura superior a 80%. As duas principais formas de detecção do câncer de próstata são o exame de toque retal e o exame de sangue que mede o Antígeno Prostático Específico (PSA), uma proteína produzida pelas células da glândula prostática.
O médico urologista cooperado da Unimed Porto Alegre, Eduardo Mastalir, explica que o exame de toque retal consegue identificar alterações na próstata, como a presença de nódulos, áreas de maior consistência ou endurecidas, além do aumento do volume da glândula.
Presente apenas nos homens, a próstata é uma glândula localizada na frente do reto, abaixo da bexiga, envolvendo a parte superior da uretra (canal por onde passa a urina).
— Esse é um momento de quebra de tabu para que os homens deixem de lado o preconceito e aceitem realizar o exame, que é muito importante. Nenhum dos dois testes — nem o PSA quando elevado, nem o toque retal quando alterado — faz o diagnóstico de câncer de próstata. Eles ajudam a identificar os indivíduos que precisam ser encaminhados para a biópsia — explica.
Quebrando preconceitos
A falta de informação adequada sobre o exame de toque contribui para o diagnóstico tardio do câncer de próstata. Realizado por um especialista, o procedimento dura cerca de 10 segundos e, além de rápido, é indolor. Segundo o médico urologista cooperado da Unimed Porto Alegre, Giovani Pioner, os exames estão cada vez mais individualizados, graças aos avanços na medicina.
— O toque ganha mais importância especialmente para homens com histórico familiar de câncer de próstata ou com PSA elevado no exame de sangue. Nesses casos, é fundamental que o paciente seja submetido ao toque e, se necessário, a outros exames complementares.
Com o avanço da idade, é comum que a próstata aumente de tamanho. Mastalir explica que nem todos os sintomas estão relacionados ao câncer. Eles podem ser consequência da hiperplasia prostática benigna, um processo não tumoral do órgão, ou de prostatite, inflamação na próstata. O médico ressalta que, quando o câncer se desenvolve, ele geralmente não apresenta sintomas específicos.
A função da próstata é produzir um líquido que compõe parte do sêmen, que nutre e protege os espermatozoides.
— Por isso, o rastreamento de pacientes assintomáticos é muito importante. Em geral, homens acima de 50 anos precisam de atenção especial, com exames mais frequentes. Já homens negros apresentam maior risco devido a fatores genéticos, e, por isso, a recomendação é iniciar os cuidados a partir dos 45 anos.
Incentivo ao autocuidado
A falta de atenção dos homens à própria saúde faz com que eles busquem assistência médica com menor frequência. Segundo pesquisa publicada em 2023 pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), 46% só procuram um médico quando apresentam sintomas. Por isso, campanhas internacionais, como a do Novembro Azul, reforçam a importância do cuidado preventivo. Para o médico urologista Giovani Pioner, os homens devem investir na própria saúde desde cedo, sem esperar que problemas surjam para agir.
— Campanhas de cuidado integral, mostrando que os homens devem realizar consultas ao longo de toda a vida, são fundamentais. Até pouco tempo, focávamos apenas na doença. Hoje sabemos que é preciso pensar no homem como um todo: não apenas na próstata, mas em todas as etapas da vida e em todas as suas condições de saúde — pondera.
A próstata não é responsável pela ereção nem pelo orgasmo. Em homens jovens, ela possui o tamanho de uma ameixa, mas seu tamanho aumenta com o avançar da idade.
Para o médico Eduardo Mastalir, a campanha é uma oportunidade de abordar a saúde do homem de forma integral. O urologista destaca que esse momento serve para sensibilizar sobre a importância do autocuidado, que inclui acompanhamento da pressão arterial, controle do diabetes, manutenção do peso, alimentação equilibrada e qualidade do sono.
— Embora fatores como idade, ancestralidade afrodescendente e genética sejam riscos para o câncer de próstata, é essencial investir na prevenção, combatendo fatores de risco modificáveis comuns a todos os tipos de câncer, como tabagismo, alcoolismo, obesidade, sedentarismo, estresse e dieta inadequada — finaliza.
Como tratar
O tratamento do câncer de próstata varia conforme a extensão da doença e pode envolver diferentes técnicas, isoladas ou combinadas. Quando a doença atinge apenas a próstata, a intervenção pode contar com:
- Cirurgia oncológica
- Radioterapia
- Observação vigilante, em casos selecionados
- Possível combinação de cirurgia, radioterapia e tratamento hormonal, conforme avaliação médica
Como prevenir
Para ajudar a prevenir o câncer de próstata, especialistas recomendam adotar hábitos saudáveis que atuam na redução do risco da doença e de outras condições crônicas. Entre eles:
Alimentação equilibrada: incluir frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais na dieta, reduzindo o consumo de gorduras, especialmente as de origem animal
Manutenção do peso: manter o peso corporal compatível com a altura ajuda a reduzir o risco de câncer e de outras doenças metabólicas
Atividade física regular: praticar pelo menos 30 minutos diários de exercícios contribui para a saúde geral e o controle do peso
Não fumar: o tabagismo está relacionado a diversos tipos de câncer, incluindo o de próstata
Evitar o consumo de álcool: bebidas alcoólicas em excesso podem aumentar o risco de desenvolvimento de tumores






