
Desde o momento em que nascemos, nosso corpo já começa a envelhecer. O processo, muitas vezes percebido apenas quando surgem os primeiros sinais visíveis — rugas e cabelos brancos, por exemplo —, na verdade ocorre de forma contínua e silenciosa, sendo influenciado pelas escolhas que fazemos ao longo da vida. Especialistas ressaltam que envelhecer bem vai muito além da herança genética: envolve cuidado permanente com alimentação, atividade física, qualidade do sono, saúde mental e vínculos sociais.
No Brasil, essa trajetória costuma ser mais desafiadora. O envelhecimento ainda está associado ao avanço de doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, asma e problemas cardiovasculares, condições que lideram as causas de internação e mortalidade entre idosos e comprometem autonomia, funcionalidade e qualidade de vida. Segundo pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), cerca de 40% dos brasileiros com 60 anos ou mais convivem com pelo menos uma doença crônica, reforçando a importância de cuidar do envelhecimento desde cedo.
Embora as condições gerais de bem-estar tenham avançado nas últimas décadas, muitas pessoas chegam à velhice convivendo simultaneamente com diferentes condições crônicas, o que prolonga o período de adoecimento e limita a autonomia. O grande desafio, portanto, é reduzir o tempo em que essas doenças afetam a vida dos idosos.
Viver melhor
O tema ganha ainda mais relevância diante do aumento contínuo da expectativa de vida global. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a média mundial ultrapassará os 73 anos em 2025, e até 2050 o planeta terá 2,1 bilhões de pessoas com 60 anos ou mais. Em outubro, a geneticista britânica Linda Partridge, uma das mais respeitadas especialistas do mundo em envelhecimento saudável, trouxe essa discussão ao Unimed Talks, evento promovido pela Unimed Porto Alegre, com curadoria do Fronteiras do Pensamento e realizado em parceria com o The Future of Medicine e a Associação Brasileira de Medicina. A médica apresentou ao público gaúcho uma visão transformadora sobre como viver mais e, sobretudo, melhor.

Para Linda, a qualidade de vida vai muito além da ausência de enfermidades. Ela está diretamente ligada ao que a Organização Mundial da Saúde define como capacidade intrínseca, ou seja, o conjunto de habilidades físicas, cognitivas e sociais que permite a uma pessoa manter e aprimorar funções essenciais para envelhecer com independência e viver com mais qualidade. Por isso, para ela, o grande desafio da medicina contemporânea já não é apenas prolongar a vida, mas garantir que ela seja vivida com qualidade, autonomia e bem-estar.
— O que queremos é reduzir o período em que as pessoas sofrem com uma má qualidade de vida simplesmente por serem idosas. Se você perguntar às pessoas o que elas mais valorizam em suas vidas, não é necessariamente apenas não ter uma doença — afirmou Linda.
O grande desafio da medicina contemporânea já não é apenas prolongar a vida, mas garantir que ela seja vivida com qualidade, autonomia e bem-estar.
LINDA PARTRIDGE, GENETICISTA ESPECIALISTA EM ENVELHECIMENTO SAUDÁVEL
Cuidado multiprofissional
A busca por mais qualidade de vida ao longo do envelhecimento exige uma atenção multiprofissional, especialmente no manejo de doenças crônicas. Segundo o geriatra cooperado da Unimed Porto Alegre Roman Orzechowski essa abordagem amplia a visão sobre a saúde do idoso e torna o cuidado mais efetivo. Além de qualificar o tratamento das doenças, ela ajuda a preservar massa muscular, prevenir quedas, garantir alimentação adequada e fortalecer a saúde mental e social, fatores decisivos para manter autonomia e bem-estar.
— O trabalho do geriatra precisa caminhar alinhado ao do fisioterapeuta, fonoaudiólogo, nutricionista, psicólogo e outros especialistas quando necessário. Essa avaliação multidimensional é o que nos dá uma visão do todo. Muitas vezes, o geriatra identifica as necessidades e faz os encaminhamentos — destaca.
Ao atuar de forma integral, é comum que o geriatra identifique o uso excessivo de medicamentos para tratar múltiplas condições. Orzechowski explica que um dos objetivos é otimizar a terapia medicamentosa, garantindo que o idoso utilize apenas os remédios realmente necessários, reduzindo riscos e melhorando a qualidade de vida.
— Muitas vezes, recebo no consultório alguém tomando algo para o colesterol alterado, quando poderia controlar com dieta e exercício, sem necessidade de remédio — exemplifica.
Estratégias para a longevidade
Mais do que alcançar idades mais avançadas, o objetivo é viver mais e melhor. Para envelhecer com saúde, o cuidado precisa começar antes dos 60 anos — e, segundo especialistas, preferencialmente antes mesmo dos 40. Para o médico geriatra cooperado da Unimed Porto Alegre Roman Orzechowski esse é o marco ideal para olhar com atenção para o “eu do futuro”.
— A partir dos 40, já temos indicação de realizar rastreios e avaliações. O envelhecimento é consequência da nossa vida adulta. Gosto de dizer que funciona como uma poupança: se não fazemos uma reserva com bons hábitos, como alimentação adequada e atividade física, na juventude, será muito mais difícil começar com 80 anos — afirma.
O cuidado com a saúde, portanto, não é uma tarefa reservada à terceira idade, mas um investimento contínuo que determina a qualidade da vida futura. Adotar hábitos saudáveis desde cedo é fundamental para adiar ou prevenir doenças crônicas que comprometem autonomia e bem-estar na velhice. A geneticista britânica Linda Partridge reforça que o envelhecimento saudável depende de uma abordagem integral.
— Manter um peso saudável, cuidar da alimentação, praticar exercícios e dormir bem. Também é essencial evitar hábitos nocivos, como fumar ou beber em excesso, e cultivar boas relações sociais e saúde psicológica — completa.
Vantagens de manter o corpo ativo
Manter-se fisicamente ativo é essencial para um envelhecimento saudável, promovendo vitalidade, autonomia e melhor qualidade de vida. Segundo o Ministério da Saúde, é recomendado a prática de 150 a 300 minutos de atividade aeróbica moderada a vigorosa por semana para adultos, incluindo aqueles que vivem com doenças crônicas. Confira os principais benefícios da prática:
- Mais energia e produtividade no dia a dia
- Sistema imunológico mais forte
- Menos estresse e melhor saúde mental
- Pulmões mais eficientes
- Mais equilíbrio e coordenação
- Coração mais saudável
- Articulações mais móveis e saudáveis
- Redução do risco de câncer
- Mais força e flexibilidade
- Auxilia no controle e perda de peso

