
O Brasil ocupa o sexto lugar no ranking mundial de casos de diabetes. De acordo com a Federação Internacional de Diabetes (IDF), o país vive uma verdadeira epidemia da doença, com aumento de quase 6% no número de diagnósticos em relação a 2021. Estima-se que mais de 16 milhões de brasileiros entre 20 e 79 anos sejam afetados, e que, somente em 2024, o diabetes tenha sido responsável por mais de 100 mil mortes no país.
Segundo o Ministério da Saúde, o diabetes é uma doença causada pela produção insuficiente ou pela má absorção de insulina — hormônio responsável por regular a glicose (açúcar) no sangue e fornecer energia ao organismo. A doença pode causar o aumento da glicemia e as altas taxas podem levar a diversas complicações. A médica endocrinologista cooperada da Unimed Porto Alegre Miriam Pecis explica que os sintomas clássicos incluem perda de peso acentuada, aumento da frequência urinária (inclusive à noite), além de fome e sede excessivas. No entanto, a especialista alerta para os sinais pouco convencionais ou silenciosos da doença, que muitas vezes passam despercebidos.
— Alterações sutis no corpo podem indicar o diabetes. Se a pessoa começa a apresentar distúrbios visuais ou mudanças no padrão urinário, mesmo sem urinar com tanta frequência, esses podem ser sinais silenciosos da doença. Além disso, é importante ficar atento a aumento de apetite, feridas que demoram a cicatrizar, formigamento em pés e mãos e sensação de fadiga — ressalta.
Os tipos mais comuns de diabetes são o tipo 1 e o tipo 2, sendo este último o mais prevalente no país — responsável por cerca de 90% dos casos. Há ainda o diabetes gestacional, que se manifesta durante a gravidez. Segundo a endocrinologista, a obesidade, o sedentarismo e o histórico familiar estão entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento do tipo 2. Embora a doença seja mais frequente após os 40 anos, o aumento da obesidade infantil tem levado ao surgimento de casos em crianças e adolescentes.
— Entre os grupos de maior risco estão as pessoas com obesidade, aquelas com mais de 40 anos e, especialmente, as mulheres que tiveram diabetes gestacional. Elas apresentam uma probabilidade significativamente maior do que a população em geral de desenvolver diabetes tipo 2 no futuro.
De acordo com o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (USP), há uma forte relação entre o consumo de alimentos ultraprocessados e o desenvolvimento do diabetes tipo 2. O estudo aponta que um aumento de apenas 10% na ingestão desses produtos eleva em 12% o risco de surgimento da doença. Miriam lembra que, com a popularização dos ultraprocessados no Brasil, houve um crescimento expressivo nos índices de obesidade — e, consequentemente, de diabetes.
Atenção aos sinais do corpo
Ao menor sinal de qualquer sintoma, a recomendação é procurar atendimento médico. Embora o endocrinologista seja o especialista indicado para o tratamento do diabetes, Miriam Pecis explica que, devido à alta prevalência da doença, outros profissionais também podem realizar o diagnóstico inicial, como clínicos gerais e cardiologistas.
— O primeiro passo é realizar exames de glicemia em jejum e hemoglobina glicada. A hemoglobina glicada indica o controle da glicose no sangue nos últimos três meses. Se necessário, pode-se solicitar o teste oral de tolerância à glicose, no qual o paciente coleta sangue, ingere uma solução de glicose e repete a coleta após uma ou duas horas — detalha a médica.
Apesar dos riscos, o diagnóstico tardio ainda é comum. Um levantamento publicado no periódico internacional The Lancet aponta que quase metade das pessoas com diabetes tipo 2 vivem com a doença sem saber. Miriam ressalta que o grande perigo do diabetes está em suas complicações: muitos pacientes só descobrem a condição após perderem parte da visão ou precisarem amputar um membro.

Tipos mais comuns
Os tipos mais comuns de diabetes são o tipo 1 e o tipo 2, sendo este último o mais prevalente no país, responsável por cerca de 90% dos casos. Há ainda a forma gestacional, que se manifesta durante a gravidez.
Pré-diabetes
Quando os níveis de glicose no sangue estão mais altos do que o normal, mas ainda não estão elevados o suficiente para caracterizar o Diabetes Tipo 1 ou Tipo 2. É um sinal de alerta do corpo, que normalmente aparece em obesos, hipertensos e/ou pessoas com alterações nos lipídios - moléculas que têm funções de reserva de energia.
Tipo 1
O Diabetes Melito tipo 1 (DM1) é uma doença crônica não transmissível, hereditária, caracterizada pela destruição das células do pâncreas (beta-pancreáticas) responsáveis pela produção e secreção de insulina, o que resulta em uma deficiência na liberação deste hormônio no organismo. O tratamento exige o uso diário de insulina para regular os níveis de glicose no sangue, evitando complicações da doença.
Tipo 2
O Diabetes tipo 2 ocorre quando o corpo não aproveita adequadamente a insulina produzida. A causa está diretamente relacionada ao sobrepeso, sedentarismo, triglicerídeos elevados, hipertensão e hábitos alimentares inadequados. É essencial manter acompanhamento médico para tratar, também, dessas outras doenças, que podem aparecer junto com o diabetes.
Diabetes gestacional
Ocorre temporariamente durante a gravidez. As taxas de açúcar no sangue ficam acima do normal, mas ainda abaixo do valor para ser classificada como diabetes tipo 2. Durante o pré-natal, toda gestante deve fazer o exame de diabetes. Mulheres com a doença têm maior risco de complicações na gestação e no parto. Esse tipo afeta entre 2 e 4% de todas as gestantes e implica risco posterior de diabetes para a mãe e o bebê.
Fonte: Ministério da Saúde
Como prevenir e controlar
Embora o número de casos de diabetes esteja cada vez mais alto, é possível prevenir a doença com hábitos saudáveis. Manter uma rotina de atividade física regular, adotar uma alimentação equilibrada, evitar o consumo de álcool e não fumar são atitudes fundamentais para reduzir o risco de desenvolver o diabetes.
Para quem já recebeu o diagnóstico, o tratamento vai muito além do uso de medicamentos. É essencial seguir corretamente as orientações médicas e adotar um estilo de vida que contribua para o controle da doença.
Confira as principais recomendações:
• Seguir as orientações nutricionais e buscar a perda de peso, quando houver excesso;
• Manter a prática regular de atividades físicas;
• Realizar exame de fundo de olho (oftalmológico) ao menos uma vez por ano;
• Fazer dosagens de albumina na urina para detectar precocemente a nefropatia diabética — complicação que afeta os rins — e iniciar o tratamento adequado;
• Ter atenção especial com os pés, devido à má circulação e à neuropatia;
• Parar de fumar, já que o cigarro compromete a circulação e eleva o risco cardiovascular.
Fonte: Miriam Pecis, médica cooperada da Unimed Porto Alegre




