
Com mais de nove décadas de atuação, o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) segue firme na defesa dos direitos da categoria e dos mais de 16 mil associados. Dentro do conceito “Coragem para defender, gestão para avançar”, a atual direção apresenta ações e estratégias para lidar com temas delicados e complexos, como os impactos da crise da saúde no exercício profissional, a abertura de novos cursos de Medicina e a violência contra médicos.
Essas e outras frentes são prioridade da atual gestão do Simers, liderada pelo ginecologista e obstetra Marcelo Matias, eleito presidente da entidade para o triênio 2025-2027. Essa não é a primeira vez que Matias está à frente do Sindicato. O médico já ocupou a presidência em 2019 e a vice-presidência em 2022.
Em entrevista, ele detalha os desafios da gestão diante do cenário da saúde no RS.
Quais os principais desafios da gestão?
O modelo de contratação médica é um dos maiores entraves. Desde a reforma trabalhista de 2017, a contratação via pessoa jurídica se tornou comum, fragilizando vínculos e expondo médicos à inadimplência, especialmente em unidades básicas e hospitais terceirizados.
Muitos cumprem as suas jornadas, mas não recebem, devido à instabilidade das empresas intermediárias. Para monitorar esses casos, o Simers criou o “Devedômetro”, ferramenta que monitora locais com atrasos salariais.
Outro ponto crítico é o subfinanciamento do SUS. Apesar do repasse federal estar vinculado ao PIB, a inflação da saúde cresce em ritmo superior. Isso compromete instituições essenciais, como as Santas Casas, especialmente no RS.
Como o Simers atua diante da crise hospitalar e da violência contra médicos?
A presença local é fundamental. Desde 2018, o Simers ampliou sua estrutura no interior, com diretorias regionais e atuação presencial. Essa descentralização garante respostas mais rápidas e eficazes aos desafios enfrentados fora da capital.
Defender melhores condições para os médicos é também defender a qualidade da saúde pública. Estrutura e segurança para quem cuida resultam em atendimento mais digno para todos. Para enfrentar a intimidação contra médicos, criamos o Observatório da Violência contra profissionais da saúde.
Qual o papel do Observatório da Violência?
O Observatório é uma iniciativa estratégica para enfrentar a violência contra médicos, especialmente no interior. Foi criado em parceria com a Secretaria de Segurança Pública do Estado, que acolheu e viabilizou a proposta.
A ideia é qualificar as notificações e dimensionar o problema, para a criação de políticas e estratégias de combate. Santa Cruz do Sul, por exemplo, tem se destacado pelo número de denúncias, muitas envolvendo médicas jovens. A partir desses dados, o Simers lançou campanhas locais e intensificou a coleta de informações.
Além da SSP, o projeto conta com o apoio de conselheiros do Conselho Federal de Medicina, da Associação Médica do Estado e do Conselho Regional de Medicina. Também será oferecido um curso itinerante para orientar os profissionais sobre como agir em casos de violência e reduzir conflitos nas unidades.
As denúncias podem ser feitas por meio do site do Simers e o registro da ocorrência policial na respectiva delegacia. O objetivo é ir além da atuação sindical e contribuir com soluções.
Como é a relação da gestão com os associados?
Nosso compromisso é permanente. O sindicato atua como uma extensão da prática médica — presente, acessível e atento às necessidades da categoria.
Cada caso é tratado com empatia e seriedade: se o médico recebeu seu salário, se há insumos no hospital, como ele se sente no ambiente de trabalho. O vínculo com os associados é construído com escuta ativa e dedicação. Liderar o Simers é uma missão de vida.
Quais os benefícios oferecidos aos associados?
Além da atuação sindical, os associados contam com plantão jurídico 24h, contabilidade para clínicas, apoio no IRPF, seguros, planos de saúde para médicos e dependentes (inclusive netos), convênios com empresas, pós-graduação, entre outras vantagens.
Como o Simers acompanha o desenvolvimento das especialidades médicas no RS?
O sindicato foi pioneiro na criação de diretorias regionais e núcleos temáticos voltados às especialidades com maior impacto institucional, como obstetrícia, pediatria, psiquiatria, medicina de emergência e de família e comunidade, por exemplo.
Esses núcleos atuam em pautas específicas — desde o fechamento de centros obstétricos até questões de remuneração e judicialização. O Simers também mantém um núcleo exclusivo para o combate ao exercício ilegal da medicina, um dos mais ativos do país, especialmente após a Lei do Ato Médico, de 2013.
Com dados próprios e atuação articulada, o Simers fortalece as especialidades e garante a segurança da prática médica em todo o Estado.
Como o sindicato vê o aumento de cursos de Medicina no país?
O crescimento descontrolado de cursos é uma das maiores preocupações. Em 1992, havia cerca de 87 faculdades. Hoje, são mais de 450, muitas autorizadas por decisões judiciais, sem avaliação técnica do Ministério da Educação.
Isso levanta dúvidas sobre a qualidade da formação e os impactos no sistema de saúde. Para enfrentar o problema, o Simers criou um grupo de trabalho e ingressou com ação no STJ, cobrando transparência do MEC sobre os critérios de abertura dos cursos. O objetivo é garantir padrões mínimos de qualidade e segurança.
Veja quais são as vantagens e os benefícios para associados do Simers



