
Depois de passar anos dedicados à criação dos filhos, os pais geralmente enfrentam um momento de transição quando os filhos ficam adultos e decidem sair de casa em busca de independência, seja para estudar, trabalhar ou constituir família. É nesse momento que pode aparecer a síndrome do ninho vazio, fenômeno emocional que associa sintomas como tristeza e solidão.
A sensação de perda com a partida dos filhos pode ser comparada a uma espécie de luto. O médico psiquiatra cooperado da Unimed Porto Alegre Paulo Rogério Dalla Colletta de Aguiar explica que a comparação com o luto é uma boa forma de descrever o que acontece com muitos pais quando a casa fica mais vazia. Não o luto como conhecemos, mas pela transformação de uma rotina que não existirá mais da mesma forma.
— Essa mudança pode trazer sentimentos como saudosismo, ansiedade, tristeza e, às vezes, irritabilidade. Os sintomas variam e são, na maioria das vezes, transitórios. No entanto, se o sofrimento for muito agudo e durar a ponto de afetar as atividades diárias, é importante procurar ajuda profissional. Embora seja considerada uma condição psicológica, a síndrome do ninho vazio não é uma doença psiquiátrica — destaca.
As mães acabam sendo as mais suscetíveis a esse fenômeno. O médico explica que, como as mulheres assumem um papel mais protetor e afetivo no cuidado com os filhos, elas podem sentir mais o impacto da saída deles de casa. Já os pais, que culturalmente têm a visão de que os filhos são criados para o mundo e devem seguir seus próprios caminhos, tendem a sentir menos. O fenômeno também costuma ocorrer em outros momentos desafiadores, como a aposentadoria e a menopausa, o que pode potencializar o quadro.
— É importante ressaltar que a síndrome do ninho vazio não afeta apenas os pais biológicos. Avós ou cuidadores que exerceram um papel parental também podem vivenciar essa experiência — completa Aguiar.
Como se preparar para a mudança
Por mais que os pais saibam que em algum momento os filhos vão sair de casa, muitos não se preparam para viver esse momento. O médico geriatra cooperado da Unimed Porto Alegre Roman Orzechowsk acredita que o que falta, na maioria das vezes, é uma conversa clara entre a família. Para ele, a falta de comunicação acaba afetando as relações familiares.
— A vida é feita de ciclos: nossos filhos crescem e se tornam adultos. Temos que estimulá-los para seguir seus caminhos e construir suas próprias vidas. Ao mesmo tempo, os pais precisam preencher seus próprios espaços. É um exercício diário, difícil, mas fundamental. Quando nos damos conta, o tempo passou e a transição se torna muito mais desafiadora — alerta.
Por isso, a preparação para a mudança na rotina parental deve ser uma construção diária. Uma das sugestões, conforme o psiquiatra Paulo de Aguiar, é os pais desenvolverem novos interesses e se envolverem em atividades de lazer.
— O momento pode ser ideal para voltar a estudar, praticar esportes, atividades coletivas ou se dedicar a uma paixão antiga. Além de cuidar do corpo, esse pode ser um momento para alimentar a espiritualidade, reforçar amizades, ler e realizar viagens que já estavam planejadas e nunca saíram do papel — sugere o médico.
O geriatra Roman Orzechowsk acredita que o ninho vazio acontece quando a única coisa que o sustenta vai embora e não há nada para preenchê-lo. Por isso, se a rotina dos pais está preenchida com outras atividades e a vida está seguindo seu fluxo, essa transição acontece de forma mais saudável.
— A questão do desapego também é importante. Acompanhei um casal que morava em um apartamento grande e, depois que o filho saiu de casa para estudar, eles decidiram vender o imóvel. Perceberam que o espaço só fazia sentido com a presença do filho. O desapego desse espaço físico representou o início de uma nova fase. Pessoas apegadas acabam sofrendo mais — reflete.
Quando buscar ajuda
Os sintomas relacionados à síndrome do ninho vazio costumam ser passageiros. No entanto, o psiquiatra da Unimed Porto Alegre Rogério Dalla Colletta de Aguiar diz que é importante estar atento aos sinais, especialmente em pessoas que já têm diagnósticos de transtornos como depressão e ansiedade. O médico recomenda atenção com os seguintes sintomas:
- Tristeza, solidão e sensação de vazio;
- Falta de prazer constante nas atividades diárias;
- Alterações significativas no apetite e no sono;
- Baixa autoestima e sentimentos de inutilidade;
- Prejuízo na rotina, com sofrimento perdurando por mais de duas semanas.
Mente e corpo ativos
Realizar atividades em grupo é uma boa forma de manter a mente e o corpo funcionando. O programa Viver Bem da Unimed Porto Alegre oferece um calendário de atividades recorrentes gratuitas que podem contribuir com a fase de mudança de rotina familiar. Confira:
Pilates
• A atividade oferece técnicas para aumentar a consciência corporal, redução do estresse, melhora da capacidade respiratória, incremento de força e definição muscular. O pilates é oferecido no formato online.
Ativação corporal
• Para estimular o movimento do corpo, a Unimed Porto Alegre oferece a ativação corporal. A atividade visa incentivar que as pessoas realizem, onde quer que estejam, alongamentos dinâmicos e exercícios suaves de coordenação e equilíbrio.
Caminhada orientada
• Além de incentivar o exercício físico, reduzindo o aparecimento de novas doenças relacionadas ao sedentarismo, a caminhada orientada é uma oportunidade para fazer novas amizades. A atividade acontece presencialmente, com um orientador físico, em diferentes locais de Porto Alegre, como Zona Norte, Zona Sul, Redenção, Parcão e na Orla do Guaíba.
Yoga
• Realizada com uma terapeuta do bem-estar, a yoga utiliza técnicas de respiração para diminuir a ansiedade e alongamento para fortalecimento e flexibilidade.
Meditação
• A meditação melhora a postura e aumenta a disposição. Uma mente equilibrada permite uma conexão mais profunda com o seu “eu” interior.
Além da programação recorrente, a Unimed Porto Alegre mantém um calendário mensal que inclui outras atividades voltadas para o cuidado da saúde física e mental. Algumas são direcionadas para o público 60+. Clique aqui e confira.




