
O primeiro alimento que o bebê recebe é o leite materno. Considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como “alimento de ouro”, ele contém todos os nutrientes necessários para o recém-nascido crescer e se desenvolver.
O Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil, publicado pelo Ministério da Saúde em 2021, revelou que ao menos 45% dos bebês até os seis meses são alimentados exclusivamente com leite materno no Brasil. Neste mês, o tema ganha destaque no Agosto Dourado, campanha global sobre a importância do aleitamento materno.
Conscientes que essa é a primeira fonte de alimento para os bebês, muitas mães se preocupam e têm dúvidas nessa fase. A mulheres sofrem pela pressão social, por medo de não saber como amamentar ou pelo receio de produzir leite insuficiente.
Essas e outras inseguranças acompanharam a analista de compras Daiane Pacheco, 34 anos, durante a recente gestação do primeiro filho, Bernardo.
— O maior anseio era saber se conseguiria criar um vínculo forte com ele e oferecer o melhor alimento possível. Tinha receio de não produzir leite suficiente, de sentir dor ou de enfrentar dificuldades na pega. Também me preocupava com a pressão que muitas mães sentem para que tudo aconteça de forma natural e perfeita desde o início — confessa ela, que deu à luz no dia 21 de julho deste ano.
O medo e a pressão que Daiane sentiu são relatados por diversas mães. O médico mastologista cooperado da Unimed Porto Alegre Mario Schorr destaca que, embora o período de amamentação seja uma experiência linda, não é a única forma da mãe estabelecer um vínculo com o filho.
— Se por qualquer motivo, como dor, ansiedade, frustração ou a necessidade de retornar ao trabalho, não for possível amamentar, isso não torna a mulher menos mãe. A maternidade é uma experiência pessoal e única. É importante que aquelas que não estejam conseguindo amamentar sejam acolhidas.
Fonte de apoio
A construção de uma boa relação entre a mãe e filho durante a amamentação também passa por uma rede de apoio bem estabelecida. O médico pediatra cooperado da Unimed Porto Alegre Roberto Issler pontua que o acolhimento de familiares, amigos e profissionais da saúde faz toda a diferença.
— A aleitamento vai muito além da simples transferência de nutrientes para o bebê. É uma experiência intensa e emocionalmente exigente. Se a mãe se sente segura e bem, o processo tende a ser mais prazeroso e fluido.
Ao se preparar para começar a amamentar é preciso entender que a prática pode apresentar desafios não só psicológicos, mas também físicos. Um deles é a pega incorreta, quando o bebê morde o mamilo e a aréola, que pode ocasionar fissuras na mama. Além disso, Schorr explica que outro desafio comum é o ingurgitamento mamário (acúmulo excessivo de leite nas mamas), conhecido popularmente como leite empedrado, que pode ocasionar dor, rigidez e aumento de volume.
— Algumas condições como descontrole da tireoide e falta de hidratação também podem afetar a produção de leite. Já a dificuldade em amamentar, somada à privação de sono, pode levar a um sentimento de frustração e tristeza na mãe, impactando a saúde mental e o vínculo com o bebê.
Ajuste de rotina
O período de aleitamento materno, em especial os primeiros meses, é marcado por ajustes na rotina. O médico pediatra Roberto Issler esclarece que, durante esses meses, a amamentação deve ser oferecida em livre demanda, ou seja, a mãe deve estar totalmente disponível para o recém-nascido, que costuma sentir fome a cada duas ou três horas, sem um horário fixo. Para saber se o bebê está recebendo leite o suficiente, Issler recomenda estar de olho em alguns sinais.
— O leite materno é rico em água, então um bebê que se alimenta bem molha de seis a 10 fraldas por dia. Se está saciado depois da mamada, ele costuma relaxar e, muitas vezes, adormecer.
Além das recomendações médicas, há 20 dias exercendo a maternidade, Daiane Pacheco também aconselha as novas mães a se informarem sobre a amamentação, principalmente sobre maneiras de aliviar os desconfortos iniciais.
— Busque apoio de profissionais. Mães e bebês têm seus próprios ritmos. Não se deixe levar pela pressão ou opiniões de outras pessoas. A amamentação é uma jornada intensa, mas extremamente gratificante, que vai se tornando mais leve à medida que nos adaptamos e ganhamos confiança — finaliza.
Prepare-se para amamentar
A amamentação repercute na saúde física e emocional da mãe e do bebê. Confira cinco formas de se preparar para esse momento.
Acredite em si
O principal preparo para o aleitamento é psicológico. Sentir-se bem e confiante ajuda a superar eventuais dificuldades. Para ajudar, converse com mulheres que estão amamentando.
Confie na sabedoria do corpo
Ao longo da gestação, o corpo se prepara para a amamentação naturalmente. As mudanças hormonais aumentam as mamas e glândulas ajudam a hidratar a pele.
Evite uso de acessórios e produtos
Tenha cautela com conselhos sobre friccionar os mamilos, ou usar óleos e acessórios de preparação das mamas. A lavagem com água corrente é suficiente para a higiene e cuidado.
Aposte no conforto
Use roupas e sutiãs confortáveis que facilitem o acesso as mamas. Protetores que isolem os mamilos e evitem atritos podem ser úteis.
Prepare um ambiente acolhedor
Escolha um local confortável para sentar, escorar os braços e a cabeça. Uma almofada para amamentação pode ser útil.
Fonte: Mario Schorr, médico mastologista cooperadora da Unimed Porto Alegre
Mitos e verdades sobre a amamentação
Existe leite fraco
Mito: não existe leite fraco. O leite materno tem todas as substâncias que o bebê precisa para se desenvolver sadio. No início da mamada, o leite contém mais água, menos gordura e mais vitaminas e sais minerais, por isso aparenta ser mais “ralo”. Já o leite do final da mamada é mais grosso por conter mais gordura.
Leite materno pode ser congelado
Verdade: na geladeira, o leite materno deve ser armazenado até 12 horas. No congelador, pode durar até 15 dias. Mantenha na geladeira ou em água corrente morna para descongelar.
Amamentação ajuda a mulher a emagrecer
Verdade: além da perda de peso mais rápida após o parto, a amamentação ajuda o útero a recuperar seu tamanho normal, reduz o risco de hemorragia, anemia e câncer de mama e ovário.
Hidratantes ou pomadas protegem o bico do peito
Mito: o uso de hidratantes afina o tecido do bico do peito e da aréola. Para evitar fissuras, a dica é espremer um pouco de leite e passar ao redor da aréola e do bico antes e depois de cada mamada.
Seios pequenos produzem menos leite
Mito: a produção de leite não depende do tamanho ou formato da mama. O tamanho dos seios está relacionado ao tecido gorduroso e não à glândula produtora de leite.
Depende de cada criança o tempo de amamentação
Verdade: alguns bebês levam de 5 a 10 minutos para mamar. Outros levam até 1h. A mãe deve seguir amamentando até ele perder o interesse.
Fonte: Rede Global de Bancos de Leite Humano – Fiocruz



