
Os olhos, assim como outras partes do corpo, também podem adoecer à medida que envelhecemos. Da mesma forma, os problemas de visão podem afetar significativamente a qualidade de vida. Com a prevenção adequada, no entanto, até 80% dos casos de doenças oculares poderiam ser evitadas no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). O alerta sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce ganhou ainda mais relevância na última quinta-feira, 10 de julho, Dia Mundial da Saúde Ocular.
A médica oftalmologista cooperada da Unimed Porto Alegre Helena Messinger Pakter ressalta que quanto mais cedo o acompanhamento começar, mais fácil é tratar uma possível doença. Conforme a especialista, a partir dos 40 anos a saúde ocular começa a demandar um cuidado especial. Nessa faixa etária, é comum que os pacientes passem a se queixar de uma “vista cansada”, também conhecida como presbiopia.
— Os pacientes começam a sentir dificuldade para enxergar de perto, precisando afastar os olhos para ler letras pequenas. Costumamos recomendar a procura por um oftalmologista e não comprar apenas óculos para perto diretamente na farmácia ou ótica. Essa primeira consulta é uma oportunidade para realizarmos um exame completo, já que muitos problemas oculares graves podem ser assintomáticos nos estágios iniciais, e o exame pode identificá-los precocemente — recomenda.
Catarata e glaucoma
De acordo com o Ministério da Saúde, três doenças oculares são as responsáveis pelo maior número de atendimentos feitos pelos oftalmologistas no Brasil: catarata, glaucoma e Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI). As duas últimas são irreversíveis e, caso não tratadas precocemente, podem causar cegueira. Na catarata, visão embaçada e dificuldade de enxergar à noite são os principais sintomas. A doença é caracterizada pela opacificação do cristalino (a lente natural do olho) e, embora seja a causa mais comum de cegueira em pessoas a partir de 60 anos, pode ser tratada.
— Por isso é fundamental que as pessoas entendam a importância do acompanhamento oftalmológico regular, especialmente na terceira idade — reforça o médico oftalmologista cooperado da Unimed Porto Alegre Gustavo Bordin.
Já o glaucoma compromete o nervo óptico. A condição é progressiva e, na maioria das vezes, começa com uma perda sutil da visão periférica. A oftalmologista Helena Messinger Pakter explica que, por esse motivo, o paciente frequentemente não percebe os sintomas iniciais e a doença pode avançar silenciosamente até os estágios finais, quando pode levar à cegueira.
— Pessoas com histórico familiar de glaucoma (em especial, parentes de primeiro grau) apresentam um risco significativamente maior de desenvolver a doença. Para esses pacientes é recomendado buscar atendimento oftalmológico preventivo antes que a doença se manifeste ou progrida. O glaucoma não tem cura, mas pode ser controlado com colírios, laser ou cirurgias, visando diminuir sua progressão — completa Helena.
A detecção precoce do glaucoma, de acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), já evitou a cegueira em 300 mil brasileiros.
DMRI
Outro diagnóstico ocular, mais comum em pessoas com 55 anos ou mais, é a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI), que afeta a mácula, parte central da retina responsável pela visão nítida e detalhada. Embora possa levar à perda de visão irreversível, existem tratamentos que podem retardar a progressão da DMRI. Assim como na catarata e no glaucoma, o diagnóstico precoce segue sendo o essencial para o resultado das intervenções.
— Além de ser associada com o envelhecimento, outros fatores como genética, exposição excessiva ao sol e tabagismo também podem levar ao desenvolvimento do DMRI — sintetiza Bordin.
Saúde integral
Cuidar da visão vai muito além de enxergar bem: é uma forma de investir na saúde de forma integral. O oftalmologista tem um papel fundamental nesse processo. O especialista não apenas faz o diagnóstico e trata doenças oculares, mas também pode identificar sinais de outras condições sistêmicas do corpo, como diabetes e hipertensão, que se manifestam nos olhos.
— Através de um exame oftalmológico é possível, por exemplo, diagnosticar diabetes e saber se aquele paciente está ou não fazendo o tratamento adequado para aquela doença — diz o médico cooperado Gustavo Bordin.
O diabetes também é responsável por desenvolver a retinopatia diabética, que é o resultado dos danos causados nos vasos sanguíneos da retina por causa da comorbidade. Entre os sintomas estão visão embaçada ou flutuante, manchas escuras e flashes de luz. No início, a doença pode ser assintomática.
— A retinopatia pode ser diagnosticada em exames de rotina e necessita de acompanhamento multidisciplinar com endocrinologista — finaliza Bordin.
Quando procurar um oftalmo
- Dificuldade repentina ou progressiva para enxergar de perto ou de longe;
- Visão embaçada, distorcida ou com manchas;
- Perda da visão periférica;
- Dor nos olhos, vermelhidão persistente ou secreção;
- Sensibilidade à luz ou halos (círculos ou anéis luminosos) ao redor das luzes;
- Qualquer alteração inexplicável na visão.
Cuidados com a saúde dos olhos
- Faça exames oftalmológicos regulares: realizar consultas para entender a saúde ocular é fundamental. A partir dos 40 anos o check-up anual é indispensável. O médico pode identificar precocemente fatores de risco e doenças que ainda não apresentaram sintomas.
- Realize o manejo de doenças crônicas: algumas doenças como diabetes, hipertensão e colesterol podem ocasionar problemas oculares. Por isso, é necessário mantê-las sob controle, sempre seguindo orientações médicas.
- Proteja-se do sol: use óculos de sol com proteção UV adequada sempre que estiver ao ar livre. Em atividades de risco, como esportes e trabalhos manuais, utilize óculos de proteção para evitar traumas.
- Não fume: além de ser um risco para o coração, o tabagismo também aumenta o risco de doenças oculares, incluindo catarata e DMRI.
- Faça pausas no dia a dia: para quem passa muito tempo em frente às telas, o recomendado é usar a regra do 20-20-20: a cada 20 minutos, olhar para algo a 20 pés (aproximadamente seis metros) de distância por 20 segundos. Isso ajuda a relaxar os olhos e a piscar mais, mantendo a superfície ocular lubrificada.






