Devido ao atraso no pagamento dos salários, enfermeiros, técnicos de radiologia e farmacêuticos da Santa Casa de Pelotas, no sul do Estado, estão em greve desde o início da semana. A paralisação é por tempo indeterminado. Como consta em lei, atendimentos de urgência e Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) estão mantidos com 50% do efetivo.
Os trabalhadores reivindicam o pagamento do salário de fevereiro, o fim dos atrasos e parcelamento dos rendimentos e o depósito do FGTS e um terço de férias, que ainda não foram pagos.
Os funcionários também exigem melhores condições de trabalho. Segundo relatos, falta sabão, papel higiênico, luvas, aventais, fio de sutura e alguns medicamentos como dipirona e penicilina.
A paralisação causa impacto na comunidade, principalmente com o adiamento de cirurgias.
— Houve a necessidade de se adiar cirurgias eletivas, mantendo apenas as urgentes (em pacientes internados) e as emergenciais na maternidade e traumatologia, além de pacientes que vêm ao hospital na iminência do parto ou após acidente traumatológico — explica o provedor do hospital, Lauro Ferreira de Melo.
O dirigente confirmou a liberação de uma verba de R$ 574 mil do Fundo de Apoio Financeiro e de Recuperação dos Hospitais Privados, Sem Fins Lucrativos e Hospitais Públicos (Funafir), obtidos por meio de empréstimo com o Banrisul. O montante garantiu o pagamento de 50% dos salários de fevereiro. Segundo Lauro Ferreira de Melo, mais de R$ 1,4 milhão já deveriam ter sido pagos pelo Estado, que não repassa valores desde setembro de 2018.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Enfermeiros do Rio Grande do Sul, Estevão Finger, está sendo avaliada a possibilidade de ingresso no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS) e no Ministério Público de Contas para averiguar o valor dos recursos públicos que devem ser pagos ao hospital e verificar a possibilidade de quanto deste montante poderia ser destinado ao pagamento dos salários.