Os moradores de Porto Alegre passam, em média, uma hora e 37 minutos se deslocando pela cidade a cada dia. Isso é o que aponta a pesquisa Viver nas Cidades: Mobilidade Urbana, do Instituto Cidades Sustentáveis (ICS). Esse é o menor tempo entre as 10 capitais brasileiras pesquisadas.
Apesar da posição destacada no ranking, o dado de Porto Alegre piorou em relação ao levantamento de 2025: o período médio no trânsito aumentou três minutos.
O estudo ouviu 3,5 mil pessoas, sendo 300 de Porto Alegre, perguntando quanto tempo elas gastam diariamente para se locomover, considerando todos os tipos de transporte.

Na média geral entre os municípios consultados, o tempo de deslocamento chegou a duas horas e cinco minutos, cerca de nove minutos a mais do que no levantamento de 2025. O gasto diário no trânsito aumentou em oito das 10 capitais, sendo Fortaleza a cidade onde este tempo é maior: duas horas e 18 minutos (confira o ranking abaixo).
— Isso significa perda de dinheiro, perda de eficiência, uma série de problemas. Esse número, apesar de ser menor do que as outras cidades, não é uma grande vantagem porque é um indicador de ineficiência da mobilidade da cidade — avalia o professor do departamento de Urbanismo da UFRGS e doutor em engenharia de transporte e logística Julio Celso Borello Vargas.
Morador do Parque dos Maias, na zona norte de Porto Alegre, o historiador Leandro Souza tem um gasto diário de tempo em deslocamento maior do que a média da cidade. Ele fica cerca de duas horas no trânsito por dia para ir até o trabalho, no Centro Histórico. Leandro faz o trajeto de carro uma vez por semana. Nas outras quatro, utiliza o transporte público.
— (De carro) Mesmo com o trânsito super trancado eu levo em torno de 30 a 40 minutos para voltar para casa. Já de ônibus eu levo em torno de uma hora para e ir uma hora para voltar. Para mim, não é viável financeiramente ir (sempre) de carro, mas sinto que perco praticamente uma atividade inteira, indo de ônibus, que eu poderia estar fazendo em casa. Atividade física, por exemplo, é uma coisa que eu poderia fazer com essa hora a mais — explica.
A pesquisa do Instituto Cidades Sustentáveis não se dedica a explicar por que Porto Alegre tem um resultado melhor do que as outras capitais, mas o coordenador de Relações Institucionais do instituto, Igor Pantoja, destaca que a capital gaúcha é a que tem o percentual mais alto de pessoas que se deslocam a pé, dentre as pesquisadas, com 10%.
— Tem algumas características que fazem com que Porto Alegre tenha esse formato de uma cidade um pouco mais compacta, como se diz. Então as pessoas não precisam ir tão longe para conseguir acessar os serviços básicos, por exemplo — avalia.
O levantamento tem como foco identificar as tendências em relação à utilização do transporte coletivo e à mobilidade urbana nas capitais.
— A gente vê um aumento do uso do transporte individual na cidade, tanto por meio do carro particular, do carro próprio, quanto do transporte por aplicativos. Isso é uma tendência no Brasil inteiro, a gente tem visto esse aumento — explica Pantoja.
Para especialistas, o principal fator do crescimento do tempo de deslocamento no país todo é justamente o aumento do número de veículos nas vias.
— Cada vez mais vem diminuindo o número de usuários dos coletivos e aumento do aplicativo e da moto. Ou seja, a tendência neste rumo é só piorar. E a causa principal é essa: excesso de carro na rua — complementa o professor Julio Celso Borello Vargas.
Transporte público

Segundo a pesquisa, quando consideradas as respostas nas 10 capitais consultadas, quem usa o transporte coletivo como principal meio de locomoção passa em média duas horas e 17 minutos por dia em trânsito, 30 minutos a mais do que os usuários de transporte individual. Entre todos os entrevistados, quatro em cada 10 levam mais de uma hora e 30 minutos nos deslocamentos diários. Apenas 6% gastam até meia hora.
A capital gaúcha ainda apresenta o maior avanço percentual do uso do transporte público entre um levantamento e o outro. Na pesquisa deste ano, 74% dos entrevistados disseram usar ônibus para fazer o deslocamento, contra 67% em 2025.
O principal problema apontado pelos usuários do transporte público em Porto Alegre é o preço da tarifa, com 28%, seguido da pontualidade, com 17%, e das condições dos veículos e da frequência, com 13%. A lotação foi indicada como a questão mais urgente para 11% dos entrevistados. Em outras capitais, a superlotação é o principal problema relatado pelos usuários.
— Em Porto Alegre, a população aponta a necessidade de melhorar a velocidade dos ônibus, a ventilação dos ônibus — complementa Igor Pantoja, do ICS.
Para quem se desloca por modais individuais, a pesquisa perguntou o que os motivaria a usar o transporte público. As respostas mais comuns foram a redução do tempo de espera nos pontos e se o trajeto de transporte público fosse mais rápido do que com qualquer outro meio.





