
A venda de carros elétricos vem crescendo no Rio Grande do Sul a cada mês. Em agosto, conforme a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o Estado chegou a 47.976 unidades desse tipo, o que representa um salto superior a 280% em relação à frota de 12.554 veículos registrada no final do ano passado.
Com esse volume circulando, os pontos de recarga ganham protagonismo. Porto Alegre já conta, desde maio, com três carregadores localizados em vagas públicas e outros cinco devem ser instalados até o final deste ano para atender a essa demanda em expansão — especialmente quem mora em apartamento e não tem viabilidade técnica ou autorização de condomínio para instalar uma estação própria. Os locais são frutos de uma parceria entre o gabinete de inovação, órgão vinculado à Secretaria Geral de Governo da prefeitura, e a Esquina do Futuro.
Conforme a Esquina do Futuro, as instalações dependem da liberação da CEEE Equatorial. A concessionária informou que a ampliação de carga está em andamento, dentro do prazo de execução de até 60 dias, ainda sem data exata de entrega.
O CEO da empresa, Eduardo Costa, afirma que o objetivo é democratizar a eletromobilidade.
— A ideia é abranger mais pontos e democratizar a possibilidade de recarga, levando-a ao maior número de lugares — pontua.
No entanto, o conforto, a tecnologia e a economia na hora de abastecer exigem algo bem específico: paciência.
O desafio do tempo x economia no bolso
Para quem opta por recarregar nos pontos públicos espalhados pela Capital, a economia no custo do abastecimento — em comparação com os veículos a combustão — cobra seu preço em tempo. Em média, a carga completa custa entre R$ 40 e R$ 50 e pode levar de 40 minutos a 1h20min, dependendo do modelo do carro e do tipo de carregador.
O perfil de quem usa a rua para abastecer
A reportagem circulou por dois pontos instalados desde maio por volta das 10h da última quarta-feira (9) e encontrou Luis Alcino Terres, 64 anos, recarregando na 24 de Outubro. Morador de Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, e proprietário de um veículo elétrico há oito meses, o motorista de aplicativo utiliza a vaga pública pela segunda vez.
— Aproveito o tempo que ele fica carregando para tomar um café e fazer um lanche — afirma.
A utilização é feita inteiramente pelo aplicativo da Esquina do Futuro: o motorista estaciona, conecta o cabo, escaneia o QR code e o processo é iniciado. O totem exibe o tempo restante de recarga. Alcino destaca a diferença no bolso:

— Com o carro a combustão, eu gastava cerca de R$ 4 mil por mês só com combustível. Agora, rodo a mesma quilometragem — 360 quilômetros por dia — e gasto cerca de R$ 1 mil.
No ponto da Rua Jaraguá, o também motorista de aplicativo Mario Villa Real, 45, abastecia pela primeira vez em via pública.
— Vim por curiosidade. Funciona igual a qualquer eletroposto da cidade: é só escanear o QR code e começar — relata.

Ao todo, foram realizadas 1.735 recargas nesses espaços públicos desde maio: 636 na Encol, 633 no Germânia e 466 na 24 de Outubro.
Panorama e infraestrutura
O Rio Grande do Sul conta com 2.160 pontos de recarga, sendo 445 em Porto Alegre, a grande maioria em estabelecimentos comerciais ou áreas privadas. O diretor de Comunicação da ABVE, Davi Bertoncelo, relata que a Capital está próxima do patamar ideal. Enquanto a média brasileira é de 20 veículos por carregador, Porto Alegre registra 21,8. Parâmetros internacionais apontam o ideal de 10 veicúlos por carregador (a China fica entre 7 e 9; a Europa, entre 12 e 15).
Como usar os pontos de recarga em áreas públicas
- Passo 1: Baixe o aplicativo da Esquina do Futuro;
- Passo 2: Estacione na vaga destinada à recarga;
- Passo 3: Conecte o carregador ao veículo;
- Passo 4: Ative a recarga pelo QR code.
- Custo: varia de R$ 1,79 a R$ 1,99 por kWh (há planos de fidelidade com descontos).
- Capacidade: os equipamentos públicos entregam 40 kW. O BYD Dolphin (mais vendido) absorve essa carga inteira. Modelos com maior capacidade de recepção podem demorar mais nesses totens, sendo recomendados postos ultrarrápidos — como a estação de 480 kW da mesma empresa na Avenida Sertório, onde um Audi GT (que aceita até 320 kW) carrega totalmente em 15 minutos.
- Durabilidade das baterias: a ABVE garante que os modelos atuais (de 3ª geração) podem durar até 20 anos e que o desgaste equivale ao de qualquer componente mecânico, desmistificando a comparação com celulares.


