
Os serviços dos hospitais Fêmina, Criança Conceição e Cristo Redentor serão transferidos para o novo Complexo de Saúde Inteligente do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), na zona norte de Porto Alegre. Com 750 leitos, a estrutura deverá ampliar entre 20% e 25% a capacidade de atendimento das três unidades.
O projeto prevê, ainda, 43 salas cirúrgicas, 70 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulta e outros 70 de UTI pediátrica e neonatal.
As obras estão previstas para começar no segundo semestre de 2029, por meio de uma parceria público-privada (PPP). A primeira etapa deverá ser entregue no segundo semestre de 2030.
O GHC, o Ministério da Saúde e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) iniciaram nesta terça-feira (8) a estruturação do projeto. Essa etapa definirá as soluções de engenharia, a organização dos serviços, os custos e as regras jurídicas e financeiras da parceria com a iniciativa privada.
Estrutura
O complexo será formado por seis prédios, com aproximadamente 100 mil metros quadrados de área construída. Além das novas sedes dos três hospitais, estão previstos uma central de logística e abastecimento farmacêutico, um centro ambulatorial e um centro de ensino, pesquisa e inovação.
As novas estruturas serão erguidas em frente ao Hospital Conceição, no bairro Cristo Redentor, na zona norte da Capital. A área inclui o terreno onde funciona atualmente a central de logística do GHC e espaços adquiridos do Grupo Zaffari, nas proximidades da Rua Umbu. Segundo o diretor-presidente do grupo, Gilberto Barichello, o local tem cerca de um hectare e meio.
A estrutura também deverá contar com serviços de diagnóstico, reabilitação e reprodução assistida, banco de leite humano, emergências integradas e heliponto.
Inteligência artificial e equipamentos conectados
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a classificação de complexo inteligente está relacionada à conexão entre os equipamentos hospitalares e ao uso de inteligência artificial para auxiliar diagnósticos, organizar os atendimentos e reduzir filas.
— Todos os equipamentos acompanham o paciente. Isso permite que qualquer profissional de saúde veja o andamento do paciente em qualquer ponto do hospital e dá mais velocidade para fechar o diagnóstico — explicou.
A proposta inclui o acesso remoto a informações clínicas, resultados de exames, consultas marcadas e posição dos pacientes nas filas. Os equipamentos também poderão transmitir dados em tempo real entre ambulâncias, emergências e unidades de terapia intensiva.
Padilha citou a experiência da UTI inteligente já instalada no GHC e conectada ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Segundo o ministro, a equipe do hospital consegue receber informações e imagens do paciente enquanto ele ainda está sendo transportado.
— Os dados do paciente que está no Samu são lidos aqui na UTI do GHC. Quem está na UTI pode fazer contato com o profissional que está no Samu. Tudo isso faz com que o problema de saúde seja resolvido mais rápido — afirmou.
O secretário municipal de Saúde de Porto Alegre, Fernando Ritter, disse que a concentração dos três hospitais permitirá reduzir a duplicação de estruturas administrativas e direcionar mais profissionais e recursos para a assistência.
— Na hora em que se otimiza a estrutura e se juntam três hospitais em um único local, também se otimiza muita força de trabalho que não repercute diretamente na assistência. Com inteligência e tecnologia, a gente consegue facilitar o atendimento ao paciente — afirmou.
Segundo Barichello, o projeto também prevê a redução do uso de papel, a análise de grandes volumes de dados e a instalação de sensores ambientais. Esses equipamentos poderão, por exemplo, medir a temperatura e os sinais vitais dos pacientes e ajudar no monitoramento das taxas de infecção nas diferentes áreas hospitalares.
O GHC pretende começar ainda neste ano a preparação dos trabalhadores para as mudanças. Conforme o diretor-presidente, estão sendo planejados um curso de especialização e uma residência multiprofissional em saúde digital.
PPP não incluirá a gestão hospitalar
O investimento previsto é de R$ 1,9 bilhão. A empresa privada poderá participar da construção, da compra e manutenção dos equipamentos e da prestação de serviços administrativos e de apoio.
Padilha afirmou que a gestão da assistência permanecerá pública e que os profissionais da saúde continuarão vinculados ao GHC.
— A gestão é pública, do Grupo Hospitalar Conceição. A parceria privada é para a construção da obra, compra e manutenção dos equipamentos e funcionamento administrativo — disse o ministro.
Segundo Barichello, o formato estudado é conhecido como PPP de "bata cinza". O investidor ficará responsável por atividades como limpeza, transporte interno, estacionamento e outros serviços administrativos, sem assumir o atendimento aos pacientes.
O investidor será remunerado pelo GHC pela prestação dos serviços de apoio durante o período do contrato, estimado entre 25 e 30 anos. Segundo Barichello, esses pagamentos permitirão à empresa recuperar o valor aplicado na construção e nos equipamentos e obter a margem de lucro prevista na parceria.
O contrato poderá durar entre 25 e 30 anos, período que ainda será calculado pelo BNDES. Ao fim da parceria, toda a estrutura permanecerá como patrimônio do GHC.
O que ocorrerá com os prédios atuais
Todos os serviços dos hospitais Fêmina, Criança Conceição e Cristo Redentor deverão migrar para o novo complexo. O GHC, entretanto, estuda manter outras atividades de saúde em dois dos prédios atuais.
Uma das ideias é transformar a sede do Fêmina em um hospital de cuidados paliativos. O prédio do Cristo Redentor poderia receber pacientes em transição de cuidados e abrigar familiares de pessoas em tratamento.
Barichello ressaltou que essas possibilidades ainda são preliminares e não foram discutidas com o Ministério da Saúde.
— São ideias que precisam ser discutidas, desenvolvidas, analisadas, e calculadas. A ideia não é se desfazer das estruturas, mas transformá-las em mais cuidado — afirmou.
O prédio atual do Hospital Criança Conceição não deverá ser reaproveitado. Segundo o diretor-presidente, o imóvel foi construído na década de 1970 para funcionar como hospital de infectologia e apresenta limitações estruturais que impedem reformas de maior porte.
O governo projeta concluir a elaboração do projeto e avançar na escolha do investidor até 2029. O início das obras está previsto para o segundo semestre daquele ano, com a entrega da primeira etapa no segundo semestre de 2030.

