
A Casa de Saúde Menino Jesus de Praga, em Porto Alegre, que acolhe pessoas de todo o Estado com lesões neurológicas e motoras graves e dependência total de cuidados, vai inaugurar nesta terça-feira (15) a primeira estrutura de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Inteligente do país implantada em uma instituição de acolhimento de longa permanência.
A tecnologia já vem sendo usada nos núcleos da instituição desde março deste ano, mas ganha outra estrutura com a chamada Casa do Futuro. São 12 novos leitos e infraestrutura de nível hospitalar voltados para os acolhidos com até 10 anos de idade.
O investimento de cerca de R$ 3 milhões possibilitou a instalação de uma estrutura que usa inteligência artificial para o monitoramento contínuo e cruzamento de dados sobre os atendidos. A Casa de Saúde oferece atualmente acolhimento permanente para 60 pessoas de diferentes idades.
— Diferentemente de um hospital, onde tem o giro de pacientes, no nosso caso aqui eles são moradores. Então, eles vão ficar aqui para sempre, até serem adotados ou acontecer o óbito, justamente pela questão da complexidade de saúde deles — explica Arno Duarte, Diretor Executivo da Casa.
Devido à complexidade dos acolhidos, muitos necessitam de acompanhamento constante de pressão, temperatura e outros sinais, por exemplo. Esses procedimentos, que antes eram realizados pela equipe de forma manual, passaram a ser coletados automaticamente com os novos sistemas instalados.
Os dados coletados nos equipamentos são enviados automaticamente ao prontuário eletrônico, sem necessidade de transcrição manual. O monitoramento é realizado de forma contínua, 24 horas por dia. A nova estrutura utiliza inteligência artificial, por exemplo, para analisar prescrições, identificar interações medicamentosas e apoiar a detecção de forma precoce de alterações clínicas.
— Esse dado vai diretamente para o sistema. A partir dessa leitura, também tem uma inteligência artificial que faz a análise preditiva daquelas condições de saúde daquele paciente. Então, se ele tiver alguma possibilidade de uma intercorrência, ou tiver alguma queda de pressão, aumento de temperatura, isso já vai estar sendo alertado à equipe assistencial, que está aqui 24 horas, e também aos médicos que acompanham esse acolhido — detalha Duarte.
Um dos pontos destacados é a maior segurança dos dados, com menores riscos de erros de digitação, leitura ou registro no leito incorreto. Enquanto a coleta manual registra sinais vitais em determinados momentos do turno, a captura automatizada gera dados continuamente, minuto a minuto.
Outro reflexo, segundo o diretor, é a otimização das atividades repetitivas por parte dos profissionais que atuam no espaço, para que eles possam se dedicar aos acolhidos, com momentos de interação.
— Não somos um hospital, não estamos aqui para curar os acolhidos e sim para cuidar deles. Com essa tecnologia, passo a ter um profissional com mais disponibilidade para descer com um acolhido na praça, gerar experiências, levar numa sala de cinema que temos aqui dentro. Isso vai permitir que o próprio profissional tenha mais tempo para essas atividades com os acolhidos para gerar essa experiência de vida, esse carinho, esse cuidado.
Com os 12 novos leitos, a expectativa é poder ampliar o número de acolhidos e atender municípios que estão em lista de espera.
— O cuidado que tem aqui não existe em outro lugar. A gente desconhece, no Brasil, outro local com um cuidado de acolhimento institucional, que é um abrigo, mas com uma qualidade de saúde, que é de hospital. Então, a gente consegue ter essa atividade híbrida entre os dois serviços — diz Duarte.
Custo de quase R$ 2 milhões por mês
Com 4,7 mil metros quadrados e três pavimentos, a Casa de Saúde Menino Jesus de Praga conta com piscina para hidroterapia, consultório odontológico, caldeira, gerador de energia e dois furgões adaptados para o transporte de pessoas com deficiência. São cerca de 180 colaboradores distribuídos em uma equipe multidisciplinar.
Todos os acolhidos chegam via demanda judicial, após terem passado por abandono ou maus-tratos. As despesas giram em torno de R$ 33 mil mensais por acolhido, além da folha de colaboradores. Isso tudo representa um custo de quase R$ 2 milhões por mês.
A Casa se mantém por meio de doações, projetos inscritos em leis de incentivo fiscal, parcerias com o poder público e compra de vagas pelos municípios e pelo Estado.
— Muitas vezes as pessoas olham pra essa estrutura e acham que a Casa não precisa de doação porque está bem. Na verdade, é justamente o contrário. Por conseguir manter esse padrão, a gente precisa da doação para não precarizar, não voltar para trás, não diminuir o nível de cuidado. A gente precisa justamente manter essa estrutura eficiente e com qualidade — afirma o diretor.
Neste caso da UTI, o investimento em softwares, serviços, profissionais e dispositivos clínicos foi viabilizado pela combinação de emendas impositivas municipais e estaduais, emendas parlamentares federais, recursos do Fundo para Reconstituição de Bens Lesados do Rio Grande do Sul e doações de pessoas físicas e jurídicas, articuladas pelo movimento Amigos da Casa.
Como ajudar a Casa de Saúde Menino Jesus de Praga
- No site da instituição, é possível obter informações sobre como ser um amigo da Casa, como doar parte do Imposto de Renda e como fazer uma doação recorrente
- Doações de valores podem ser realizadas por meio da chave Pix 89.621.767/0001-41 (CNPJ)
- Também é possível ajudar adquirindo produtos do bazar de roupas da Casa. O espaço, que vende roupas novas, fica aberto nas quartas-feiras, das 10h às 17h, e no primeiro sábado de cada mês, das 10h às 15h
- Endereço: Rua Nelson Zang, 420, bairro Partenon, em Porto Alegre
- Fones: (51) 3352-9589 ou (51) 99572-8124.


