
Porto Alegre aparece em 10º lugar no ranking nacional de municípios com maior frota de ônibus elétricos no transporte público e à frente de demais capitais da Região Sul. São 12 veículos que circulam pela cidade desde 19 de agosto de 2024. Número que coloca a capital gaúcha atrás de cidades menores, como Osasco (SP), Cascavel (PR) e Cariacica (ES).
Os números são da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), entidade que reúne empresas relacionadas ao setor automotivo e incentiva o desenvolvimento e utilização de veículos elétricos. Conforme dados da associação, 1.916 ônibus elétricos foram comercializados no país desde 2022. Nestes cinco anos, a liderança na aquisição foi da cidade de São Paulo, que adquiriu 1.499 veículos e possui 78,2% da frota de ônibus elétricos do país.
— São Paulo é uma cidade que tem trabalhado a questão da eletromobilidade com políticas públicas há alguns anos. Para automóveis, a cidade já tem iniciativas como a isenção do rodízio e o reembolso do IPVA. Quando a gente olha para o transporte público, teve a Lei de Mudanças Climáticas, que determinou metas para redução das emissões de gases — explica Thiago Sugahara, vice-presidente da ABVE.
Frota em Porto Alegre
Os ônibus hoje em circulação na Capital estão distribuídos em três consórcios, que operam quatro veículos cada: Zona Norte (empresa Nortran), Zona Leste (empresa Sudeste) e Zona Sul (VTC Viação Teresópolis Cavalhada). Os veículos operam três linhas exclusivamente elétricas (E178 - Praia de Belas, E378 - Integradora e E703 - Vila Farrapos) e duas linhas são operadas junto com os ônibus a diesel (110 - Restinga Nova via Tristeza, e 165 - Cohab).
Segundo a Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP), nestes três anos foram realizados testes para verificar a viabilidade do sistema, considerando a realidade do trânsito da cidade.
— A conclusão é que, em algumas linhas, o veículo elétrico opera muito bem e é bastante interessante em matéria de consumo financeiro. Mas também tem algumas restrições, principalmente em relação à autonomia. Em alguns casos, obrigatoriamente necessitará de algum tipo de recarga no meio de caminho — diz Antônio Augusto Lovatto, engenheiro de Transportes da ATP.
Conforme o engenheiro, os veículos testados possuem uma autonomia de bateria em torno de 220 a 250 quilômetros. Mas Porto Alegre apresenta algumas demandas de linhas mais longas que percorrem até 350 quilômetros.
Em compasso de espera
Na segunda-feira (10), a prefeitura de Porto Alegre publicou no Diário Oficial edital de chamamento público a empresas interessadas em apresentar soluções voltadas à descarbonização da frota do transporte coletivo. Isso contempla alternativas como veículos com propulsão elétrica, biocombustíveis, combustíveis alternativos e sistemas híbridos.
Em julho, a prefeitura havia assinado contrato de financiamento de R$ 447,7 milhões com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a compra de cem ônibus elétricos articulados a bateria e dos equipamentos de recarga necessários à operação da nova frota. Os recursos são provenientes do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (FNMC), o Fundo Clima.
Um dos desafios no investimento é o valor do veículo, em média três vezes mais caro do que o ônibus a diesel. Para viabilizar o projeto, a prefeitura fica responsável pelo financiamento do veículo. Em troca, as empresas não incluem no custo da tarifa o cálculo da depreciação do ônibus. Outro impacto considerado positivo na compra de um veículo mais caro é a manutenção.
— A gente avalia um payback (tempo necessário para recuperar o dinheiro investido em um projeto ou negócio) de oito anos, mais ou menos, em que ele se equipararia com o veículo a diesel, entre custo de energia e aquisição. Ao longo do oitavo ano, esse ônibus tende a se tornar mais econômico. Tanto que ao longo desse projeto, a gente já economizou R$ 2 milhões em diferença do diesel para o elétrico, fora a manutenção — afirma o secretário de Mobilidade Urbana, Adão de Castro Júnior.
Os ônibus elétricos a serem comprados pela prefeitura serão adquiridos por lotes. Conforme o secretário, a meta é atingir os cem até 2028.




