A área onde existia uma praça na esquina das ruas 24 de Outubro e Silva Jardim, no bairro Auxiliadora, dará lugar a um empreendimento imobiliário com 184 unidades. Cercado por tapumes, o terreno já passa por obras. A construção envolve um investimento direto de aproximadamente R$ 50 milhões.
Comprada pelas incorporadoras Vanguard, do Grupo Plaenge, e TGD, a área pertencia à Igreja Nossa Senhora Auxiliadora, que é vizinha à praça, e fazia parte do patrimônio da Arquidiocese de Porto Alegre desde 1920, até ser negociado em 2024. As empresas também adquiriram dois terrenos vizinhos, na Rua Silva Jardim, onde funcionavam uma gráfica e uma pet shop.
Chamado Shift, o projeto foi lançado em dezembro do ano passado, com entrega prevista para abril de 2029. A maior parte das unidades será de studios, com plantas a partir de 24,28 metros quadrados. Haverá também apartamentos maiores, incluindo unidades garden de até 91,63 metros quadrados, mas em menor número.
Segundo a Plaenge, cerca de 90% das unidades já foram vendidas. Os studios foram lançados por valores a partir de R$ 400 mil. A estimativa é de que o projeto movimente cerca de R$ 90 milhões em vendas. A empresa não informa quanto foi pago pelos terrenos.
Aposta no crescimento do bairro e em modelo de unidades menores
A empresa afirma ter identificado uma demanda por imóveis compactos em uma região com oferta de comércio e serviços. A avaliação é de que esse perfil de localização favorece a procura por unidades menores.
— Trabalhamos muito a ideia de ser um bairro de lazer. São espaços internos pequenos, mas a poucos passos é possível encontrar muita conveniência — afirma Daniel Mossatte, superintendente regional da Plaenge Empreendimentos.
O entorno reúne bares, restaurantes, academias, mercados e hospitais, além de ter ligação com diferentes regiões da Capital. Segundo Mossatte, a localização também favorece quem trabalha ou circula por áreas próximas:
— Ali acaba sendo um eixo de deslocamento corporativo, em que rapidamente é possível acessar a Avenida Carlos Gomes ou o bairro Moinhos de Vento, por exemplo.
Entre os compradores, a empresa identifica diferentes perfis. Parte das unidades deve ser destinada a locação, inclusive com possibilidade de administração profissional. Há também clientes que pretendem morar no imóvel ou utilizá-lo como segunda residência ou base para estadias ocasionais em Porto Alegre.
Para Mossatte, a procura também acompanha uma mudança no perfil do Auxiliadora, que passou a atrair mais pessoas para viver na região nos últimos anos.
Restrição a construções foi retirada pela prefeitura
Antes de ser negociada, a área da antiga praça tinha uma restrição relacionada ao uso como área verde, que impedia construções no local. O impeditivo, porém, foi retirado pela prefeitura em 2023, após um pedido da igreja. Depois disso, a área chegou a ser anunciada para locação por uma imobiliária, antes de ser negociada com as empresas.
A Plaenge afirma que não havia mais nenhum entrave para a construção e que o projeto foi desenvolvido em conformidade com todos os trâmites de licenciamento e aprovação junto aos órgãos competentes. Conforme a prefeitura, não foram exigidas contrapartidas.
Procurada, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus) afirmou que a retirada do impeditivo se deu com base no que prevê o Plano Diretor para fins de regularização das matrículas. De acordo com os órgão, essas restrições são reavaliadas de tempos em tempos. A secretaria reforçou ainda que o imóvel é uma área privada.

Projeto divide opiniões na vizinhança
Moradores e pessoas que circulam diariamente pelo local têm opiniões divergentes sobre o avanço do novo projeto. Ocupantes do entorno avaliam que a chegada de novos moradores pode aumentar o movimento e fortalecer o comércio local.
— São novos moradores que vão movimentar a região. Para nós, como comércio, é bom. Teremos mais clientes — afirma Sebastião Batista, 64 anos, comerciante.
A retirada da antiga área verde, no entanto, também é criticada por quem lamenta a redução de espaços abertos e da arborização no bairro. A professora Lia Ribeiro, 50 anos, que costuma passar pelo local por conta de consultas médicas na região, se surpreendeu com a rápida transformação e criticou a retirada das árvores.
— Eu senti muito com essa mudança. Havia muitas árvores antes aqui, era um lugar muito verde. Nós já temos uma cidade que é muito quente, e isso deixa pior ainda — afirma.
Em relação à área externa, a Plaenge afirma que o empreendimento prevê o conceito de fachada ativa e um projeto paisagístico voltado à valorização dos espaços verdes e à convivência. Segundo a empresa, a fachada ativa busca aproximar o edifício da calçada, com um térreo aberto e integrado à rua, em vez de muros ou grandes grades.
Procurada, a administração da Igreja Nossa Senhora Auxiliadora informou que o espaço da praça já não estava aberto ao público nos últimos meses antes da venda do terreno por questões de segurança, mas não quis fazer outros comentários.




