Correção: o menino que morreu após queda de árvore tinha oito anos e não sete, como publicado entre 10h27min e 11h42min. O texto já foi corrigido.
Um menino de oito anos morreu após a queda de uma árvore sobre uma casa na zona norte de Porto Alegre na manhã desta sexta-feira (28). Ele foi identificado como Willyam Gustavo Barboza. A informação foi confirmada pelo diretor do Departamento Municipal de Habitação (Demhab), André Machado, em entrevista à Rádio Gaúcha.
Willyam Gustavo dormia na cama com a mãe e um bebê no momento em que a árvore caiu sobre a casa, localizada na Avenida Élvio Antônio Filipetto, na Vila Barranco, próximo ao Porto Seco.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), além de Willyam, outras três pessoas foram encaminhadas para atendimento no Hospital de Pronto-Socorro (HPS): a mãe, que teve lesões leves; um bebê de quatro meses, que não teve nenhum arranhão; e o pai, que não estava na casa, mas recebeu atendimento psicológico. Todos receberam alta hospitalar ao longo da tarde desta sexta-feira.
Em um primeiro momento, foi informado pelo Demhab que Willyam Gustavo teria sete anos, mas a informação foi corrigida depois para oito anos. Também havia sido relatado que a irmã de dois anos do menino estava junto na hora do acidente, mas ela não estava na casa.
A avó de Willyam Gustavo, Neli Barboza, 63 anos, relatou que testemunhou o acidente:
— A única solução que eu tive é correr para a rua, pedir ajuda. Como é que eu ia vencer aquela árvore?
Neli diz que tentou alertar a filha, mãe do menino, a sair do local antes da queda da árvore. Segundo ela, a família morava no local havia cerca de um mês.
O corpo do menino foi liberado por volta das 17h para o Instituto Médico-Legal (IML), onde será realizada perícia para apontar a causa exata da morte.
O velório será realizado neste sábado (29), às 2h, no Cemitério Santa Casa, na Avenida Professor Oscar Pereira, 423. O sepultamento será às 14h.
"Sensação de impotência"
O diretor do Demhab comentou a situação ao vivo na Gaúcha.
— Sensação de impotência que bate na gente neste momento. Tive aqui há dois meses para ver a situação dessas pessoas da Vila Barranco, para acolhê-las, mas, infelizmente, como sempre acontece no poder público, o nosso socorro chega depois da tragédia — afirmou o diretor.
O diretor do Demhab afirmou que as famílias da Vila Barranco vivem à beira da avenida e que aquelas "crianças estão sempre em risco".
— Nós, que somos da classe média, passamos por lugares como esse todos os dias e achamos que é normal viver numa situação tão desigual como essa e não é — desabafou Machado.
Ele explicou que, antes da queda da árvore, o departamento estava alinhando junto à liderança da comunidade para fazer cadastramento das famílias para a equipe social analisar os perfis e dar um encaminhamento.
Segundo o diretor do Demhab, a mãe será acolhida no programa Estadia Solidária, que dá R$ 1 mil por mês durante período determinado a fim de que ela possa locar outra moradia ou se hospedar em casa de parentes.
O coronel Evaldo Rodrigues, secretário-geral da Defesa Civil, afirmou que a área onde a família vive não é classificada como de alto ou muito alto risco.
— O que houve foi uma situação pontual de queda de um vegetal. A questão é a condição desse vegetal, e não a localidade como um todo. Ela não era uma árvore estável. Ela tinha problema nas suas raízes. Eram raízes pequenas. Ela veio a tombar em função do solo encharcado — afirmou o coronel.
Vizinha diz que conseguiu tirar o bebê
A vizinha Simone Quadros de Farias, 42 anos, ainda bastante abalada, contou à reportagem que estava em casa quando tudo aconteceu. Ao perceber uma moça gritando, pedindo socorro, Simone entrou na casa com a ajuda de outros três vizinhos e conseguiu tirar o bebê. Ela relata que uma das crianças, ainda consciente, pedia por ajuda:
— Não consegui puxar ele. A árvore tava em cima, a casa tava, o telhado. Eu só consegui puxar o bebê. Não consegui salvar ele.
Por meio de nota, a prefeitura de Porto Alegre lamentou o ocorrido e afirmou que o prefeito Sebastião Melo determinou que a família receba todo o atendimento e suporte necessários por parte das equipes do município (leia a íntegra abaixo).
Podas preventivas
O manejo preventivo de árvores será realizado nos próximos dias no local do incidente. Segundo a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos, a árvore que atingiu a residência foi retirada do local. Outras cinco no mesmo terreno ou nas proximidades serão podadas.
O objetivo é prevenir novas quedas, considerando o solo encharcado e as características do terreno.
Posicionamentos
O que diz a prefeitura de Porto Alegre
A Prefeitura de Porto Alegre lamenta profundamente a morte de uma criança após a queda de uma árvore sobre uma residência na avenida Élvio Antônio Filipetto, na Vila Barranco, próxima ao Complexo Porto Seco, na Zona Norte, na manhã desta sexta-feira, 28.
O prefeito Sebastião Melo determinou que a família da vítima receba todo o atendimento e suporte necessários por parte das equipes municipais, nas áreas de saúde, assistência social, habitação e acolhimento psicológico.
A árvore que atingiu a residência estava localizada no pátio interno do imóvel. Não havia protocolo ou solicitação prévia para poda ou corte. A casa está situada em uma área de ocupação irregular.
O que diz a Defesa Civil
A Defesa Civil do Estado foi comunicada pelo Corpo de Bombeiros Militar a respeito de uma ocorrência de queda de árvore sobre uma residência na manhã desta sexta-feira (28), em Porto Alegre, ocasionando o óbito de uma criança e deixando uma pessoa ferida e outros dois afetados. Conforme dados preliminares, o fato possui relação com os ventos que atingiram o município.
Às 7h24 desta manhã, Defesa Civil do Estado emitiu alerta de severidade alto indicando a possibilidade chuva, vento e granizo para a Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPOA), com risco alto de alagamentos e destelhamento, compreendendo todo o território da capital gaúcha. O alerta tinha vigência até 9h30 do mesmo dia. Conforme dados do Centro de Monitoramento (CMDEC), durante o período de vigência, foram registados ventos de 59,4 km/h em Porto Alegre, na estação da DCRS - 00033, localizada no bairro Ipanema.


