Um prédio de três andares, com aspectos externos de abandono, chama a atenção de quem transita pela esquina das ruas Cel. Genuíno e José do Patrocínio, no Centro Histórico de Porto Alegre. O imóvel, que é original de 1930 e está há décadas desocupado, tem um projeto de revitalização avançando junto à prefeitura, e está mais próximo de voltar a ser utilizado.
Na verdade, o prédio não está abandonado. O imóvel pertence desde 2014 aos irmãos e empresários Paulo Cesar e João Paulo Pardelhas. Juntos, eles administram o Hotel Pampa, localizado na Rua Demétrio Ribeiro, também no Centro.
Desde que o prédio foi adquirido, os atuais proprietários vêm investindo na revitalização. Na parte interna, toda a estrutura antiga foi demolida, e já foi feita a recuperação das vigas e do piso.
— Já investimos alguns milhões na obra. Quando nós compramos, já estavam em estado de decomposição o piso e as vigas de madeira. Agora, está todo estruturado, pronto para o acabamento — destaca Paulo Cesar.
Nas últimas semanas, o processo de revitalização do imóvel teve avanços significativos. No início do mês, foi aprovado pela prefeitura o Estudo de Viabilidade Urbanística (EVU), que avalia a viabilidade da obra e o impacto gerado na região em relação a aspectos como trânsito e saneamento.
Já na última quarta-feira (15), foi protocolado junto à prefeitura o projeto final para o empreendimento. Apesar de quase centenário, o prédio não é tombado pela prefeitura, somente "inventariado" — na prática, significa que a fachada original precisa ser preservada em caso de intervenções.
— A expectativa é que a aprovação do projeto final ocorra dentro de um prazo entre três e quatro meses. A partir disso, vamos retomar a obra para sua conclusão — afirma o arquiteto Luciano Fabrício, do escritório Arqui 4, responsável pelo projeto atual.
Em busca de um investidor
Luciano estima que, após a aprovação do projeto, cerca de 12 meses de obras sejam suficientes para a conclusão de toda a revitalização.
Neste meio tempo, Paulo Cesar busca parceiros para a destinação do imóvel. Sua ideia principal é ter um investidor que o ajude a concluir a obra e que já assuma a operação do prédio após a finalização dos trabalhos.
— Já pensei em fazer um hotel ali, mas a proposta não avançou. Hoje a gente pensa em fazer uma locação do prédio todo para um parceiro, uma empresa que queira assumir ali e, de repente, fazer um centro comercial, ou alguma outra ideia. Se tivermos um parceiro já durante o final da obra, o acabamento pode ser feito direcionado a esse novo negócio — reforça o empresário.

O histórico
O prédio foi construído em 1930. Atualmente, o imóvel tem 892 metros quadrados de área adensável, ou seja, passível de uso para seu objetivo estabelecido, que é comercial.
Originalmente, o imóvel foi projetado justamente para ter uso comercial somente no térreo, com seis espaços distintos delimitados para lojas. Nos andares superiores, a utilização era residencial, com diversos apartamentos.
Segundo estima Pardelhas, "pelo menos há uns 20 anos" o prédio está totalmente desocupado. Os últimos negócios registrados no local foram uma loja de molduras e uma farmácia, ambos no térreo.



