
O Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) constrói, nesta sexta-feira (24), dique provisório na orla do Guaíba, no bairro Guarujá, na zona sul de Porto Alegre.
Com retroescavadeiras, a prefeitura ergue barreira de terra em frente ao rio para conter eventual cheia, prevista para avançar entre esta sexta-feira e o sábado (25).
A obra dá sequência a uma medida iniciada na quinta-feira (23), na vizinha Praça Zeno Simon. No local, o Dmae instalou sacos de areia para bloquear o canal que liga a Rua Jacipuia ao Guaíba e posicionou uma bomba móvel, que retira a água da chuva acumulada e a devolve ao rio.
O objetivo é impedir que o Guaíba avance pelo sistema de drenagem e provoque alagamentos nas ruas do entorno.
Bairro sem proteção contra cheias

O Guarujá é um dos bairros da Zona Sul que ainda não conta com sistema de proteção contra cheias. Sem diques e comportas, a drenagem da chuva depende da diferença de nível entre a rede pluvial (as tubulações que escoam a água das ruas) e o Guaíba. Quando o rio sobe, a água pode fazer o caminho inverso, voltar pelos canos e provocar alagamentos.
O trabalho desta sexta-feira dá continuidade à ação da véspera. De acordo com o departamento, as equipes atuam durante a tarde na construção de um pequeno dique para proteger o canal, de modo a manter o nível da água mais baixo do que o do Guaíba. É a mesma lógica de preservar o desnível entre a rede pluvial e o rio.
As estruturas devem permanecer no local ao menos enquanto durar o alerta de cheia para as regiões ribeirinhas das Ilhas, do Guarujá e do extremo sul da Capital. O aviso da Defesa Civil vale até segunda-feira (27).
A projeção do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IPH/UFRGS) indica que a cota de alerta na região, de 2m50cm metros (nível a partir do qual o monitoramento se intensifica), deve ser superada, com o Guaíba chegando a 2m70cm até sábado.
Na madrugada desta sexta-feira, o rio subiu de forma gradual e começou a avançar na Região das Ilhas. A elevação ocorre por causa do escoamento das águas das bacias dos rios Taquari, Caí e Jacuí, que deságuam no Guaíba.
Moradores duvidam da eficácia

Quem vive no bairro acompanha a movimentação das máquinas com desconfiança. Terezinha Lucero mora a poucos metros da Praça Zeno Simon, em uma casa de dois pisos que foi invadida por cerca de 70 centímetros de água durante a enchente de maio de 2024. A memória do prejuízo ainda pesa.
— Perdemos muita coisa, perdemos muito — relata Terezinha.
Para ela, a barreira chega tarde e pode não ser suficiente diante da força do rio.
— Espero que não, mas acho que não vai resolver. Pode amenizar, mas, se o saco romper, já era — pondera a moradora.
A psicóloga Yasmin Moraes, que vive na região desde 2008, faz coro à vizinha e responsabiliza a prefeitura pela demora em agir.
— A prefeitura levou mais de dois anos para se mexer. Agora, com a água chegando, não adianta — critica Yasmin.
Ela conta que a sucessão de alagamentos derrubou o valor dos imóveis e travou as vendas no bairro.
— A desvalorização é de, no mínimo, 50%, e, ainda assim, não conseguimos vender — afirma a moradora.
Solução definitiva
A alternativa definitiva para proteger o Guarujá ainda está em fase de estudos. Entre as opções analisadas pelo Dmae estão a construção de um muro de proteção, a elevação da Avenida Guaíba ou da própria Praça Zeno Simon.
Os estudos de viabilidade técnica devem ficar prontos até o fim do ano, e a estimativa é de que a obra custe cerca de R$ 300 milhões.
O projeto ainda exigiria o reassentamento de famílias, além de desapropriações e indenizações.
Quadras da orla fechadas
Outra medida preventiva anunciada pela prefeitura foi a suspensão do uso das quadras esportivas da orla do Guaíba até 30 de julho. Na tarde de quinta-feira, a chuva já havia formado poças nas quadras de areia.
Também na quinta-feira, a Defesa Civil do Estado emitiu um alerta de risco alto de inundação para a Região das Ilhas.
Moradores que perceberem o avanço da água em suas ruas devem acionar a Defesa Civil pelo telefone 199.


