
O uso da inteligência artificial (IA) no monitoramento climático e a governança de dados estiveram entre os assuntos das primeiras palestras do GovTech Summit, que começou na manhã desta terça-feira (2) no Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre.
O encontro, criado para conectar o setor público a startups, tem como foco impulsionar a transformação digital em governos e apresentar tecnologias para modernizar a prestação de serviços à população. As atividades seguem até quarta-feira (3) – veja mais informações no fim da reportagem.
André Oliveira, consultor de clima e transformação digital no Tony Blair Institute for Global Change, abordou o tema IA para a ação climática. O consultor apresentou um estudo que mapeou mais de 300 soluções tecnológicas mundiais voltadas para florestas, agricultura e clima.
Para explicar como a tecnologia e a IA devem ser aplicadas de forma efetiva, utilizou a metáfora de uma árvore, dividida em cinco partes: raízes (conectividade, capacidade de processamento e nuvem), tronco (coleta de dados), galhos (capacidade analítica/IA), copa (casos de uso prático) e nutrientes (povos tradicionais e indígenas).
— A ideia é que seja um framework (um conjunto de códigos, ferramentas e diretrizes) útil para descomplicar o universo das tecnologias e para sair da pergunta básica: "Qual tecnologia eu devo usar?" e chegar a um questionamento estratégico, de "Quais condições eu preciso criar para que qualquer tecnologia implementada tenha um impacto verdadeiro?" — disse.
Segundo ele, para que a IA seja efetiva, são necessários investimentos na infraestrutura e atenção dos gestores públicos.
— Se não fortalecer as raízes, focar em gestão de dados, envolvendo as cidades, conectividade, capacidade computacional, nuvem, a implementação de tecnologias não será transformadora como esperamos que seja. No máximo, vamos conseguir um efeito pontual, um caso legal para divulgar, e não um sistema estruturado — acrescentou.

Exemplo do gov.br
A palestra de Marcos Moreira, diretor da Infraestrutura Nacional de Dados (IND) do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), teve como tema Governo redesenhando a experiência do serviço público, com foco nas infraestruturas públicas digitais do país.
Ele apresentou dados da plataforma gov.br, que reúne os serviços do governo federal. O site tem 177 milhões de contas criadas e uma média de 1,3 milhão de assinaturas eletrônicas por dia, eliminando a necessidade de reconhecimento de firma em cartórios para diversos trâmites.
— O cidadão não precisa informar ao governo um dado que o próprio governo já tem — resumiu ao exemplificar um dos focos da plataforma.

Moreira usou uma analogia com rodovias para explicar que não basta focar apenas nos "carros" (os aplicativos e serviços), mas é preciso investir fortemente nas "estradas e sinalizações" (governança, interoperabilidade e segurança) para que as tecnologias de ponta operem de forma eficiente para milhões de pessoas.
— Para ter uma inteligência artificial que funcione bem, você precisa de infraestruturas públicas digitais principalmente quando estamos falando de identificação das pessoas, de conseguirmos ter certeza de que estamos falando com aquele cidadão. Precisamos de governança, catalogação, confiabilidade de dados. Sem isso, não vamos conseguir entregar uma inteligência artificial nem razoável — pontuou.
Programação
O GovTech Summit segue na quarta-feira (3), último dia do evento. As atividades começam às 9h, com a palestra O Papel do Governo na promoção da inovação: políticas públicas de impacto.
O encerramento do evento deve ocorrer às 18h. Ingressos podem ser comprados neste link.



