
Conhecido por movimentar a vida noturna do bairro Rio Branco, o Metz Bar foi novamente interditado pela prefeitura de Porto Alegre. A medida começou a valer em 1º de maio e ainda não há data para reabertura.
De acordo com a Secretaria Municipal de Segurança (SMSEG), a interdição cautelar acontece após "reiteradas denúncias" relacionadas a poluição sonora, obstrução do passeio público e funcionamento em desacordo com o alvará de licença.
Segundo o órgão, entre janeiro e abril, foram registradas 27 denúncias de perturbação sonora, além de 11 reclamações referentes à ocupação irregular da calçada, supostamente praticadas pelo estabelecimento.
Conforme o empreendimento, o processo diz respeito às pessoas que ficam na rua em frente ao estabelecimento, algo que eles dizem não poder controlar.
— Não temos o poder de impedir que as pessoas ocupem o passeio público, o que também nos prejudica, pois muitas pessoas trazem bebidas de fora, caixas de som e cadeiras, ou seja, não consomem no bar, deixam lixo na rua e causam transtornos — afirma Luana Brum, uma das proprietárias da casa.
O bar diz pagar aos seguranças para orientar que as pessoas não ocupem as calçadas e não usem caixas de som, o que, por vezes, não é respeitado. Além disso, informou que também paga uma pessoa para limpar as adjacências do local, em diferentes horários "para não deixar o lixo na rua, que se acumula mesmo com bar fechado".
"Processo moroso"
Em nota, a prefeitura de Porto Alegre diz estar aberta ao diálogo com os proprietários do estabelecimento e a comunidade do entorno, "com o objetivo de conciliar atividades de entretenimento com o bem-estar da vizinhança". No entanto, os sócios do bar afirmam enfrentar dificuldades para dialogar com o órgão (leia a íntegra abaixo).
— Levamos mais de uma semana para conseguir ter o acesso ao processo pela prefeitura, tentando acessar esse processo para a gente poder entrar com recursos, poder se defender de alguma forma. Olha o quanto isso impacta num negócio tão pequeno quanto o nosso, né? — lamenta Luana sobre o que ela aponta ser uma "morosidade no processo".
O empreendimento, com 19 metros quadrados internos, relata também enfrentar prejuízos financeiros pela interrupção no funcionamento.
— A interdição impacta muito, porque nós somos um lugar bem pequeno. A gente já está na metade de um mês sem funcionar, sem nenhum tipo de faturamento. Isso realmente impacta muito, porque as contas todas se mantêm — explica Luana.
Além do impacto financeiro, estimado em mais de 50% do faturamento mensal, a empreendedora relata o impacto psicológico causado pela interdição.
— A gente sempre é tratado como se estivesse cometendo um crime. Somos tratados como se fôssemos bandidos e o causador de um grande mal para a sociedade e para o entorno, enquanto só estamos tentando empreender. Isso é horrível, isso abala muito a gente, além de ficar uma péssima imagem para o negócio — acrescenta.
Sem data para a possível reabertura, o bar receia que a solução seja o encerramento das atividades.
Pressão à vida noturna

O bar funciona no local desde 2017 e logo se consolidou como um dos pontos de encontro da juventude para curtir a vida noturna da Capital.
— A gente abriu o Metz em 2017, justamente com a ideia de revitalizar o entorno da Goethe, que sempre foi um ponto de encontro dos jovens, principalmente nas décadas de 1980, 1990, e acabou tendo seu movimento diminuído nos anos 2000. No decorrer do ano de 2018, a prefeitura tentou também trazer um movimento para a área, fez uma limpeza na praça, que é a divisão da Mariante com Goethe, para a instalação de food trucks, e não foi bem sucedido — conta Leandro Bonin, sócio do espaço.
Localizado entre os tradicionais Bom Fim e Moinhos de Vento, o bairro Rio Branco passou a receber, nos últimos anos, diversas conveniências, bares e casas noturnas. A aglomeração passou a incomodar os moradores, gerando resistência e pressão contra a boemia na região.
Um dos marcos dessa disputa entre empreendedores e moradores do bairro envolveu o bar Pito. O local foi alvo de reclamações, foi interditado, e, depois disso, limitou o horário de funcionamento até a meia-noite, mas seguiu sendo alvo de denúncias. Com a imagem desgastada após tantos impasses, foi colocado à venda.
Espaço de socialização
Na época, o anúncio da venda do Pito gerou discussão entre jovens e especialistas em sociologia urbana, que consideram isso um movimento conservador de busca pelo sossego.
A pressão contra a boemia, conforme especialistas, impõe uma crise na diversão e no entretenimento noturnos da Capital. Além disso, também afeta a socialização, a expressão cultural e o sentimento de pertencimento para os jovens, que usam esses espaços como ponto de encontro e construção de identidade.
O que diz a prefeitura
"A Prefeitura de Porto Alegre, por meio da Secretaria Municipal de Segurança (SMSEG) e da Diretoria-Geral de Fiscalização (DGF), esclarece que a interdição cautelar do Bar Metz ocorreu na sexta, 1, com base no Código de Posturas do Município.
A medida foi adotada após reiteradas denúncias e fiscalizações relacionadas a poluição sonora, obstrução do passeio público e funcionamento em desacordo com o alvará de licença, uma vez que o estabelecimento atuava como casa noturna.
Entre janeiro e abril deste ano, foram registradas 27 denúncias de perturbação sonora pelo canal 156, além de mais de 11 reclamações referentes à ocupação irregular da calçada.
A Prefeitura reforça que a ação buscou garantir o direito ao sossego e à qualidade de vida dos moradores da região. A administração municipal permanece aberta ao diálogo com os proprietários do estabelecimento e a comunidade, com o objetivo de conciliar atividades de entretenimento com o bem-estar da vizinhança."




