
Moradores do bairro Petrópolis, em Porto Alegre, denunciam uma sequência de furtos de cabos de energia subterrâneos registrados entre o fim de abril e o início de maio em diferentes ruas da região.
Segundo os relatos, os crimes acontecem durante a madrugada e atingem ligações elétricas subterrâneas entre a rede e imóveis residenciais, provocando falta de luz e prejuízos aos moradores.
Os suspeitos abrem caixas instaladas nas calçadas para retirar os fios. Segundo moradores, eles procuram principalmente esse tipo de instalação porque os cabos possuem cobre — material que possui valor de revenda.
Nesse sistema, a rede principal segue ligada aos postes, mas parte da fiação passa por baixo da calçada até chegar às residências.
O terapeuta Jeferson Pinheiro, um dos moradores diretamente atingidos, ressalta que a residência da família foi alvo de dois furtos em menos de 48 horas. Após o primeiro ataque, foi necessário realizar reparos na instalação elétrica. Na madrugada seguinte, os suspeitos voltaram ao mesmo ponto.
— Nos sentimos totalmente inseguros no bairro. Eles roubam e depredam mesmo sabendo que existem câmeras de vigilância — relata.
Fabiano Fachel, também morador da região, afirma que moradores têm compartilhado imagens dos suspeitos em grupos de WhatsApp do bairro.
— O que está nos indignando é que esses sujeitos estão caminhando pelo bairro, sendo filmados por câmeras dos edifícios, e não estão preocupados com isso — afirma.
Empresário e morador da região Nelson Soares relata que os casos têm se espalhado por diferentes pontos do Petrópolis nas últimas semanas, como nas ruas Álvares Machado, Borges do Canto, Felipe de Oliveira, Ferreira Viana e Faria Santos.
Quais medidas estão sendo tomadas

Titular da 8ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, o delegado Luciano Peringer, afirma que a investigação desse tipo de crime passou a ser tratada como prioridade.
— Desde que assumi a delegacia, recentemente, priorizamos os principais crimes que assolam a região, efetuando a prisão e identificação de vários indivíduos — afirma.
Segundo o delegado, os investigados por esse tipo de crime costumam ser reincidentes.
— Normalmente são pessoas em situação de rua e usuários de drogas. Alguns têm diversas passagens pelo mesmo tipo de crime — diz.
Peringer afirma que a Polícia Civil também atua para identificar possíveis receptadores do material furtado.
— Juntamente com a Brigada Militar, estamos mapeando receptadores e comércios que adquirem esse tipo de material para também responsabilizar esses comerciantes pelo crime de receptação — afirma o delegado.
Com a sequência de ocorrências, moradores afirmam que passaram a discutir medidas de segurança privada e reforço no monitoramento das ruas durante a madrugada.
"Coibir o comércio ilegal"
A Secretaria Municipal de Segurança (SMSEG) afirma que mantém fiscalização permanente em ferros-velhos e estabelecimentos de reciclagem da Capital para combater a receptação de fios furtados.
Segundo a pasta, as equipes exigem documentação fiscal e comprovação da origem do material armazenado nos locais fiscalizados.
— Estamos intensificando as ações sobre os receptadores para reduzir e coibir esse comércio ilegal na Capital — afirma o secretário Alexandre Aragon.
De acordo com a SMSEG, a chamada Operação Ferro-Velho busca enfraquecer o mercado ilegal de cobre e outros materiais furtados, considerado um dos principais fatores para a manutenção desse tipo de crime.
Até a publicação desta reportagem, a Brigada Militar não havia se manifestado sobre o caso. O espaço segue aberto para posicionamento da corporação.
Como funciona a rede subterrânea
A CEEE Equatorial afirma que os casos registrados no bairro Petrópolis envolvem, na maior parte, ligações subterrâneas instaladas pelos próprios moradores e condomínios entre o poste da rede elétrica e os imóveis.
Segundo o executivo de Serviço de Redes da Regional Norte da CEEE Equatorial, Thiago Rodrigues, a rede principal da concessionária na região é aérea. Já o trecho subterrâneo costuma ser uma opção adotada pelos clientes, principalmente por questões estéticas.
— A gente tem a possibilidade de atender de forma aérea, mas alguns clientes optam pela alimentação subterrânea. Nesse caso, a responsabilidade da Equatorial vai até a entrega da energia na ponta da mufla, junto ao poste — explica.
De acordo com Rodrigues, é justamente nesse trecho subterrâneo — entre o poste e os imóveis — que os criminosos têm agido. Os suspeitos abrem caixas instaladas nas calçadas e cortam os cabos para retirar o cobre.
— Esse cabo que vai da parte superior do poste até a entrada do cliente é responsabilidade do cliente — afirma.
Custo para restabelecer a energia
A situação também gera reclamações entre os moradores por causa dos custos para restabelecer a energia após os furtos. Segundo os relatos, além da troca dos cabos, muitos condomínios e residências precisam contratar eletricistas e refazer parte da estrutura subterrânea danificada pelos criminosos.
— A gente colocou o cabeamento subterrâneo para evitar falta de luz por causa de temporal e queda de árvore. Agora os criminosos roubam os cabos e o prejuízo fica todo para o morador — afirma o terapeuta Jeferson Pinheiro.
O executivo explica que a situação é diferente da rede subterrânea existente em parte do Centro Histórico de Porto Alegre, onde a estrutura pertence integralmente à concessionária.
— No Centro, a rede subterrânea é da Equatorial e fica em galerias mais profundas, com acesso mais difícil. Já essas caixas de ligação dos prédios costumam ser rasas e mais vulneráveis — diz.
Para tentar reduzir os furtos, a concessionária afirma que também vem substituindo cabos de cobre por alumínio em regiões com maior incidência desse tipo de crime.
A CEEE Equatorial afirma ainda que trabalha com um "mapa de calor" para identificar áreas com maior número de ocorrências. Além disso, a empresa acrescenta que vem realizando ações preventivas em Porto Alegre e no litoral gaúcho.


