Monumento público mais antigo de Porto Alegre, a fonte Afluentes do Guaíba passa por um cuidadoso processo de revitalização. Os trabalhos, conduzidos pelo Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), devem ser concluídos até esta sexta-feira (15).
A obra, instalada inicialmente em 1866, na Praça da Matriz, completa 160 anos em 2026. O monumento foi encomendado originalmente pela Companhia Hidráulica Porto-Alegrense e é composto por um chafariz principal e por quatro estátuas, que representam justamente os afluentes do Guaíba: duas figuras femininas, as Ninfas, simbolizam os rios Caí e dos Sinos, e outras duas figuras masculinas, os Netunos, simbolizam os rios Jacuí e Gravataí.
Outra estátua que compunha a obra original, de um menino, simbolizando o próprio Guaíba, foi localizada após décadas de busca, e pertence hoje a um casal de empresários que preferem não se identificar.
— O sistema desenvolvido para a instalação da fonte foi algo superinovador para a época, era utilizado para a distribuição de água potável, o que foi feito na ocasião pela primeira vez para moradores da Capital — destaca Jezoni Luis Dias Almeida, diretor Administrativo e Patrimonial do Dmae.
Esculpidas em mármore de Carrara, as peças seguem a estética clássica idealizada pelo autor do projeto, o arquiteto italiano José Obino. Após a instalação original em frente ao Theatro São Pedro, na Praça da Matriz, a fonte foi retirada do local em 1907, quando a praça foi revitalizada e um monumento em homenagem a Júlio de Castilhos foi colocado no lugar.
— Esse é considerado o primeiro monumento da cidade porque é a primeira obra comemorativa, em forma de obra de arte, da então província. Quando a cidade optou pelo serviço de abastecimento de água potável, através da companhia hidráulica, se importaram oito chafarizes da Europa, sete de ferro fundido, da França, dos quais só resta aquele na Redenção, chamado Chafariz Imperial, e o oitavo é este chafariz da fonte, que veio da Itália, feito em mármore — explica o historiador da arte José Francisco Alves, autor do livro A escultura pública de Porto Alegre.
— A instalação dos chafarizes em Porto Alegre naquela época foi um marco bastante significativo, pois ainda era algo muito raro naquela época no Brasil, ainda mais em uma cidade pequena e provinciana como era Porto Alegre — complementa Alves.
Em 1935, o Chafariz do Imperador, como o monumento ficou conhecido, foi transferido para a Praça Dom Sebastião, ao lado do Colégio Rosário, onde ficou permaneceu por décadas. Após apresentar sinais de depredação, a obra então foi instalada, em 2014, no jardim do Dmae, no bairro Moinhos de Vento, onde se encontra até hoje.

A revitalização
O processo de revitalização do monumento teve início na última semana. Os trabalhos se concentram na bacia de armazenamento da água e no chafariz principal da obra.
A primeira etapa foi o esvaziamento da fonte para identificação e tratamento das fissuras da bacia de armazenamento da água, além da limpeza do sistema do chafariz, que havia recebido intervenções pela última vez em 2023. Em seguida, foram feitos trabalhos de pintura e impermeabilização da estrutura.
Conforme o Dmae, os materiais utilizados possuem resistência à água, garantindo maior durabilidade às melhorias. Por fim, será instalado um novo motor para ampliar o tempo de funcionamento da fonte sem comprometer a qualidade da água.
— A revitalização da fonte ocorre dentro de um processo mais amplo de revitalização de todo esse espaço. Além da restauração do monumento, estamos revitalizando o jardim, e vamos instalar também novos brinquedos na pracinha, para renovar toda essa que é uma das praças mais bonitas de Porto Alegre — detalha Jezoni Luis Dias Almeida.


