
As emergências do Sistema Único de Saúde (SUS) em Porto Alegre enfrentam um novo cenário de superlotação. Na manhã desta quarta-feira (6), os quatro hospitais de alta complexidade da Capital estão com mais pacientes do que leitos disponíveis.
O caso mais crítico é no Hospital São Lucas da PUCRS. São 48 pessoas internadas para 10 leitos de emergência disponíveis, uma taxa de 480% de lotação. Neste momento, são atendidos apenas casos graves, classificados como risco laranja e vermelho.
Conforme o diretor técnico do hospital, Fabiano Ramos, o cenário é considerado acima do normal, que já é de superlotação. A taxa média durante o ano costuma ser de 200%.
Mesmo com a mudança de temperatura no mês de maio, os casos de doenças respiratórias ainda não são o motivo que explica essa alta.
— As doenças respiratórias não representam um cenário que hoje esteja nos impactando para chegar a esse nível de 480%. O que a gente vê são pacientes com câncer, doenças cardiovasculares e outras doenças crônicas que buscam a emergência porque não se consegue atender esses pacientes antes que eles precisem buscar as nossas emergências da cidade de Porto Alegre — explica Ramos.
O hospital afirma que tem adotado medidas como o reforço das equipes assistenciais, a reorganização dos fluxos internos para maior agilidade na triagem e no encaminhamento, além da priorização rigorosa dos casos conforme a gravidade.
A orientação é que pacientes menos graves busquem atendimento em Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou de Pronto Atendimento (UPA).
Outras emergências
O Hospital de Clínicas comunicou que atende apenas casos de risco de morte, pacientes oncológicos e transplantados que estejam em tratamento no hospital. Há 159 internações para 56 leitos, uma taxa de 283% acima da lotação.
Os outros dois hospitais que atendem casos mais complexos, Conceição e Santa Casa, também estão superlotados em suas emergências, com 72 pacientes para 51 leitos (141%) e 72 pacientes para 28 leitos (257%), respectivamente.
Já os hospitais de média complexidade possuem cenário mais favorável, ainda que com alta ocupação: 50% no Vila Nova, 100% nos hospitais Restinga e Fêmina.
As unidades de Pronto Atendimento também se encontram superlotadas. O cenário mais crítico é na UPA Moacyr Scliar, com 51 solicitações de internação para 17 leitos disponíveis.
Desde sexta-feira, está em andamento a Operação Inverno, com um incremento de 152 leitos extras em hospitais para atendimentos de casos respiratórios.



