
Alugar um imóvel para morar ficou mais caro nos últimos meses em Porto Alegre. Há lugares onde, em média, o preço do metro quadrado quase dobrou em 12 meses.
As informações são do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis (Secovi-RS), que considerou apenas moradias disponíveis para locação e não as já alugadas.
Segundo o levantamento, preço médio do aluguel residencial em Porto Alegre cresceu 11,65% em 12 meses fechados em março, quase três vezes a inflação oficial brasileira no mesmo período (4,14%).
O bairro Bom Fim teve o aumento mais expressivo no período: de R$ 32,05 para R$ 60,65 o metro quadrado, o que representa uma disparada de 89,2%.
— Isso ocorreu porque houve o incremento de imóveis novos, dos tipos loft e studio. São espaços modernos que possuem diferencial de estrutura, conceito e exclusividade, o que faz com que seus preços sejam diferenciados — explica Cézar Sperinde, vice-presidente de locações do Secovi-RS.
Também estão entre os aumentos percentuais mais relevantes os bairros Três Figueiras (50,2%) e Belém Novo (42,6%).
O bairro Santa Cecília foi onde o aluguel teve a queda percentual mais significativa, de 55,2%, de R$ 86,20 para R$ 38,58 — em março de 2025, o local chegou a ter o valor mais alto entre os bairros da Capital.
— No Santa Cecília ocorreu o movimento contrário ao Bom Fim. Unidades de lofts e studios que estavam disponíveis para locação foram locadas, ou, por algum motivo, deixaram de ser anunciados, reduzindo o preço médio da amostra no bairro — explica Sperinde.
Três bairros no norte da Capital atingidos pela enchente de maio de 2024, que tinham o metro quadrado mais barato em março de 2025, aumentaram o valor do aluguel em 12 meses: Rubem Berta (13,3%), Navegantes (24,6%) e Sarandi (42%).
Outros pontos alagados na crise climática também mostraram avanço nos valores, como Menino Deus (11%), Centro Histórico (10,6%) e Humaitá (15%).
— O afastamento temporal faz com que haja um certo esquecimento (da enchente), mesmo com o risco da repetição. Por isso, os aumentos percentuais tendem a ser grandes nesses bairros. Assim, onde o preço caiu devido à enchente, a tendência era de um aumento no período seguinte, ou seja, 2025 e 2026 — comenta o professor da Faculdade de Arquitetura e da pós-graduação em Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Eber Marzulo.
O levantamento considera 4.675 imóveis residenciais, como apartamentos, casas, coberturas, mobiliados, semimobiliados e loft/studio localizados em 64 bairros porto-alegrenses.
Os que estão fora da lista não tiveram dados suficientes para o cálculo da média nos dois períodos. Imóveis com classificação em bairro indefinido foram excluídos do ranking.
Bairros com maiores altas do aluguel
Na média por metro quadrado, entre março de 2025 e março de 2026
- Bom Fim: R$ 60,65 (+89,2% em relação ao ano anterior)
- Três Figueiras: R$ 75,17 (+50,2%)
- Belém Novo: R$ 53,13 (+42,6%)
- Sarandi: R$ 29,94 (+42%)
- Vila Jardim: R$ 41,35 (+41,1%)
Bairros com maiores quedas do aluguel
Na média por metro quadrado, entre março de 2025 e março de 2026
- Santa Cecília: R$ 38,58 (-55,2%)
- Praia de Belas: R$ 44,47 (-20,7%)
- Mário Quintana: R$ 25,02 (-15,8%)
- Auxiliadora: R$ 63,81 (-15,0%)
- Jardim do Salso: R$ 44,41 (-14,7%)
Metro quadrado mais barato em março de 2026
- Espírito Santo: R$ 20,41
- Jardim Leopoldina: R$ 22,42
- Navegantes: R$ 23,57
- Rubem Berta: R$ 24,02
- Glória: R$ 24,98
Metro quadrado mais caro em março de 2026
- Jardim Europa: R$ 87,69
- Três Figueiras: R$ 75,17
- Moinhos de Vento: R$ 63,86
- Auxiliadora: R$ 63,81
- Montserrat: R$ 62,75



