O retorno das paradas de ônibus que funcionavam junto ao Viaduto Otávio Rocha, na Avenida Borges de Medeiros, está em avaliação pela prefeitura de Porto Alegre. Apesar do fim da obra de revitalização do viaduto, que liberou a circulação no trecho, a retomada do ponto original de embarques passará por estudos de viabilidade.
Em nota, a Secretaria de Mobilidade Urbana diz que as análises contemplam a reorganização das linhas (veja a íntegra abaixo). A pasta não informa detalhes do estudo nem se há um prazo esperado para a conclusão das análises.
O direcionamento técnico deve auxiliar eventuais decisões referentes às questões de governança do Centro Histórico. Conforme apurou a reportagem, a tendência é de que as paradas não retornem ao espaço. Haveria uma pressão de outras secretarias para que as calçadas permaneçam livres no trecho, preservando a manutenção do espaço e os negócios que ali serão instalados.
Até o início da obra, em 2022, o trecho abrigava as paradas das linhas Restinga. Com o início dos trabalhos no trecho, os pontos de embarque e desembarque do transporte público foram deslocados uma quadra para baixo, no sentido Centro-bairro. Atualmente, os finais das linhas ficam próximos à Cinemateca Capitólio.
A revitalização do viaduto da Borges foi entregue no início de abril. O prazo da obra, que inicialmente era de 18 meses, foi prorrogado algumas vezes. A restauração completa foi liberada à população com quase dois anos de atraso.
Mudança divide opiniões
Entre usuários de ônibus ouvidos pela reportagem, a preferência é de que as paradas retornem ao local original, especialmente pela menor distância em relação ao Mercado Público da Capital, de onde muitos passageiros desembarcam para pegar outras linhas.
Passageiro frequente da linha Restinga Velha, Paulo Sidney, 57 anos, diz que a distância entre a parada atual e o Terminal Parobé, também no Centro, leva quase 10 minutos de caminhada.
O autônomo Rubens Araújo, 51 anos, acrescenta que o local anterior, embaixo do Viaduto, dava mais segurança aos passageiros. Ele pega ônibus na Borges diariamente.
— Preferiria que as paradas voltassem ao ponto original. Principalmente porque lá ficamos melhor abrigados e o viaduto protege da chuva. Onde está agora, forma longas filas e a gente fica desprotegido — diz Araújo
Já entre os comerciantes da quadra, a percepção é de que as paradas de ônibus no local onde estão hoje ajudam a aumentar o movimento nos negócios. O fluxo maior de pessoas atrai clientes para os mercadinhos e cafés instalados na região.
Sobre o viaduto
Ícone da arquitetura e cartão-postal porto-alegrense, o Viaduto Otávio Rocha foi construído entre 1928 e 1932, quando foi inaugurado. A obra foi concebida para atender a uma necessidade viária que conectasse as zonas leste, sul e central da Capital.
Desde outubro de 1988, a construção é tombada como patrimônio histórico cultural. Antes da atual revitalização, a edificação de 270 metros de extensão havia passado por obras em 2001.
Com a última reforma, o viaduto passou a contar com iluminação cênica em LED, maior acessibilidade e novo modelo de paisagismo.
Veja a nota da prefeitura
"A Secretaria de Mobilidade Urbana, em conjunto com a Secretaria de Planejamento e Gestão, realiza estudos de posicionamento para o atendimento das linhas de ônibus do Terminal da Borges de Medeiros.
As análises contemplam a reorganização das linhas que anteriormente operavam junto ao Viaduto Otávio Rocha, antes das intervenções de qualificação, com o objetivo de otimizar a operação e melhorar o atendimento aos usuários do transporte coletivo."
