A expectativa de novos volumes de chuva significativos no segundo semestre deste ano em razão do fenômeno El Niño levou a prefeitura de Porto Alegre a preparar um plano de contingência para áreas que seguem desprotegidas, cujos detalhes serão divulgados ainda neste mês. Na mesma oportunidade, a gestão municipal deve apresentar o balanço do andamento dos projetos para o sistema de proteção contra cheias da cidade, e o que foi feito em dois anos.
Apesar da previsão de bastante chuva no segundo semestre, o consultor contratado pelo município para fazer o diagnóstico dos problemas e sugerir novos projetos avalia serem pequenas as chances de um novo "maio de 2024". Em entrevista ao Gaúcha Atualidade nesta sexta-feira (17), o engenheiro civil e pós-doutor em recursos hídricos Carlos Tucci afirmou que Porto Alegre tem 126 anos de dados pluviométricos. Neste período, foram oito enchentes. Somente duas — a de 1941 e a de 2024 — extrapolaram os limites do Cais Mauá.
— Mesmo que você tenha a mudança climática, o tempo de retorno calculado para uma cheia como a de 2024 é de mais de 200 anos. Então, a chance é pequena — afirmou o professor.

Segundo o consultor, a região considerada mais preocupante envolve o aeroporto Salgado Filho. Os terrenos entre o terminal e o bairro Sarandi, na zona norte, seguem desprotegidas.
Em janeiro, a prefeitura apresentou ao governo do Estado uma proposta de construção de um novo dique e de fechamento das aberturas dos arroios Areia e Sarandi, que passam sob a freeway (BR-290). Como esse é um projeto complexo, a prefeitura busca uma solução emergencial.
— O que está se discutindo agora, no plano de contingência para setembro e outubro, é fechar parte desse sistema para que não entre água, porque entrando água por ali pode ir para boa parte da cidade. Aquilo está aberto — alerta Carlos Tucci.
Areia no Guaíba
Dois anos após a enchente histórica, a presença da areia trazida por rios que formam a bacia do Guaíba não é uma preocupação para o especialista. Questionado se a retirada de grandes volumes de sedimentos do fundo do manancial ajudaria a evitar uma nova cheia, Carlos Tucci é enfático:
— Não adianta nada, não tem efeito mínimo. Para se ter uma ideia, entre o Guaíba e a Lagoa dos Patos você tem em torno de 200, 250 quilômetros de área. Um metro de profundidade dá 14 bilhões de metros cúbicos. É muito volume.



