O navio LMZ Phoebe, com bandeira das Ilhas Marshall — país da Oceania situado no oceano Pacífico —, destacou-se na paisagem do Cais Navegantes, no porto da Capital, onde permaneceu atracado durante quatro dias.
Com quase 190 metros de comprimento e 32,9 mil toneladas de peso, sua passagem por águas gaúchas é uma demonstração do retorno de Porto Alegre ao mapa da navegação globalizada quase dois anos após a enchente de 2024.
A embarcação graneleira possui cinco porões para armazenamento de insumos e trouxe cerca de 9,9 mil toneladas de cloreto de potássio. Trata-se de fertilizante utilizado na agricultura. A carga foi transportada por caminhões e carretas para a Região Metropolitana.
Os idiomas e a rota envolvidos na viagem também impressionam. Comandado pelo capitão russo Denis Selivanov, fabricado na China e de propriedade grega, o navio saiu de São Petersburgo, na Rússia, atravessou o oceano Atlântico e parou primeiro em São Francisco do Sul, em Santa Catarina. Na sequência, rumou para o Cais Navegantes, em Porto Alegre, onde atracou em 18 de abril e partiu na terça-feira (21) (confira, no mapa abaixo, a viagem e as próximas paradas).
O diretor de Relações Institucionais da Portos RS, Sandro Boka, contextualiza que há três meses, os navios com dimensões superiores a 150 metros de comprimento receberam permissão para voltarem a navegar pela hidrovia. Em 26 de janeiro o Equinox Eagle, das Ilhas Cayman, foi o primeiro gigante a retornar ao Cais Navegantes.
— Após a grande enchente de 2024, praticamente todos os nossos canais foram assoreados. Tivemos que fazer um planejamento de ações e licitar por lotes os canais mais críticos (Itapuã, Leitão, Pedras Brancas, Furadinho e São Gonçalo) e depois os demais. Faz três meses que esses grandes navios foram autorizados a navegar novamente nas hidrovias do Rio Grande do Sul — explica.
Conheça o funcionamento da operação
Ao atracar no Cais Navegantes, os operadores portuários sobem a bordo e solicitam o plano de carga ao capitão. Às vezes, também são realizadas medições de praxe. Em torno das 14h, começa a operação de descarregamento da carga. Caminhões e carretas posicionam-se embaixo de uma estrutura semelhante a um grande funil.
Enquanto os caminhões aguardam a carga, guindastes situados dentro das embarcações e operados por profissionais terceirizados transportam o cloreto de potássio dos porões para os veículos. Dentro desses espaços, opera uma retroescavadeira, que tem a função de preparar os montes a granel para essa operação.
— O processo envolve descarregar nos caminhões, passar na balança, pesar, gerar a nota e encaminhar a carga para o receptor do terminal — enumera o operador portuário Ubirajara Echeveste, da empresa Sirius Operações Portuárias.
Cerca de 50 pessoas participam dessas operações. Tratam-se de estivadores, porteiros, caminhoneiros, coordenadores de operação, guardas e seguranças do trabalho. A tripulação do navio apenas mexe em equipamentos, a descarga dos insumos fica mesmo sob responsabilidade dos operadores dos guindastes.
— Um navio é o gerador de empregos para vários setores. Tem diversas empresas atreladas à operação. Ele não gera emprego apenas na área marítima, mas também à empresa que processa o fertilizante, transportadores, rebocadores... A atividade marítima é todo um ecossistema. É o ganha-pão de várias famílias — diz o agente marítimo Caio Moran, da World Shipping, empresa responsável por mediar as operações do navio com o porto.
Em Porto Alegre, chegam pela hidrovia especialmente insumos para fertilizantes. Também são descarregados cereais como cevada para a produção de malte. Na quinta-feira (23), chegou uma embarcação com o produto, utilizado por cervejarias.
— Nós temos um polo de indústrias de fertilizantes na Região Metropolitana, que pegam os insumos, misturam e vendem como fertilizante. Dali, distribuem para as regiões Norte, Oeste e Centro do Estado. E nós temos, em Rio Grande, grandes indústrias que distribuem para a Região Sul — compartilha o diretor Sandro Boka.
Segundo o representante da Portos RS, as cargas podem ser encaminhadas dos caminhões direto para as indústrias, ou serem armazenadas temporariamente nos armazéns do cais da Capital. Para a realização do serviço, os navios precisam contar com guindastes próprios. Os equipamentos situados no cais de Porto Alegre estão fora de operação.
As 9,9 mil toneladas de cloreto de potássio descarregadas nessa operação por via marítima correspondem a 550 caminhões com capacidade de transporte de cerca de 18 toneladas.

— A volta dos gigantes a Porto Alegre tem um simbolismo. Além de nós começarmos a reestruturar o porto de Porto Alegre, começamos a amenizar o problema logístico criado com a enchente de 2024 — conclui o diretor.
Grandes navios que estiveram na Capital em 2026
- Equinox Eagle (26/01 até 29/01) (Ilhas Cayman)
- Bell Bay (18/02 até 21/02) (Hong Kong)
- MV Sweet lady III (21/02 até 24/02) (Malta)
- Yi CHUN 15 (06/03 até 09/03) (Hong Kong)
- Star Helsinki (11/03 até 14/03) (Libéria)
- Bell Bay (14/03 até 18/03) (Hong Kong)
- Bam Despina (19/03 até 22/03) (Ilhas Marshall)
- Port Alberni (21/03 até 26/03) (Hong Kong)
- Agia Triada (31/03 até 02/04) (Ilhas Marshall)
- Paraná Warrior (01/04 até 04/04) (Libéria)
- LMZ Phoebe (18/04 até 21/04) (Ilhas Marshall)





