Horas antes de um veado da espécie Cervus axis ser encontrado e resgatado no bairro Menino Deus, em Porto Alegre, um motorista de aplicativo flagrou o animal correndo desorientado próximo à Rótula das Cuias. O trabalhador gravou a imagem à 1h20min de quarta-feira (15).
Mais tarde, por volta das 5h30min, câmeras de um edifício captaram o veado correndo pela Rua José de Alencar, no mesmo bairro. No final da manhã, poucas horas depois de ser resgatado com ferimentos graves, o animal foi submetido à eutanásia.
A polícia abriu inquérito para apurar se houve crime ambiental e se o bicho, que é exótico, fugiu de cativeiro.
Relembre o caso
O veado foi encontrado com ferimentos na Rua Almirante Gonçalves, no bairro Meninos Deus, na manhã de quarta-feira. O cervo estava deitado entre o limite da calçada e da rua, amarrado pelo pescoço com uma fita que estava presa ao tronco de uma árvore. Havia manchas de sangue no chão do local.
Por volta das 8h, equipes da Patrulha Ambiental da Brigada Militar chegaram ao local e recolheram o animal. Identificada como da espécie Cervus axis, a fêmea de 42 quilos foi encaminhada ao Núcleo de Conservação e Reabilitação de Animais Silvestres (Preservas) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde foi avaliada em situação clínica delicada, com lesões externas em diversas regiões do corpo. Ela fora atacado por cães.
Pouco antes das 11h30min, o animal foi submetido a eutanásia. O procedimento foi realizado no Preservas.
Investigação
A Polícia Civil abriu inquérito, começou a ouvir testemunhas na manhã desta quinta-feira (16) e analisa imagens de videomonitoramento do entorno de onde o animal foi resgatado.
Conforme o delegado Gustavo Brentano, da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente, saber de que forma o veado chegou até a área urbana da cidade é o principal ponto da investigação.
Também será apurado se os cães que atacaram o mamífero foram atiçados por alguém ou somente agiram por instinto.
Origem
O Cervus axis é uma espécie nativa da Índia, mas que começa a se espalhar por territórios sul-americanos. Conforme o professor Marcelo Meller Alievi, o animal foi introduzido no continente entre as décadas de 1920 e 1930.

