
Dois anos após o incêndio que deixou 11 pessoas mortas e 15 feridas na Pousada Garoa, no Centro de Porto Alegre, um ato homenageou as vítimas neste domingo (26) e pediu justiça e punição aos responsáveis. A mobilização ocorreu em frente ao antigo prédio, na Avenida Farrapos, 305.
O coordenador da Pastoral do Povo da Rua da Arquidiocese de Porto Alegre, Elton Bozzetto, marcou presença no ato e cobrou responsabilização pela tragédia:
— Um lugar que era para cuidar das pessoas acabou matando as pessoas. Foi um ato de inumanidade indescritível. O que nós queremos é que a responsabilidade aconteça. E que esse caso sirva de exemplo para todos nós, para que nunca mais em Porto Alegre venhamos a presenciar isso que aconteceu aqui.
O protesto contou com uma ação simbólica. Em frente ao prédio incendiado, foram deixadas 11 rosas brancas, representando cada uma das vítimas da tragédia.
Também foi pendurada no portão uma colcha com os nomes das vítimas bordados: Adair Cruz, Anderson Correa, Cleiton Mello, Dionatan Cardoso da Rosa, Douglas de Lima Alves, João Batista Ebani, João Luiz Gomes, Julcemar Cardoso Amador, Lenita Aparecida Scheleck, Maribel Terezinha Padilha e Silvério Roni Martin.
O incêndio na Pousada Garoa ocorreu em 26 de abril de 2024. O local fica na Avenida Farrapos, na região central de Porto Alegre. O estabelecimento mantinha convênio com a prefeitura para o acolhimento de pessoas em situação de rua ou de vulnerabilidade social. À época, foi constatado que o local operava sem alvará de funcionamento e sem o Plano de Proteção contra Incêndio (PPCI).
Dois anos depois
As investigações do incêndio apontaram uma série de irregularidades, como negligência na manutenção e falhas estruturais. O relatório final da CPI, concluído em junho de 2025, indicou a responsabilidade do proprietário da rede, André Kologeski, destacando problemas graves. Extintores vencidos, fiação exposta e falta de rotas de fuga adequadas estavam entre as lacunas apontadas.
O documento não indiciou agentes públicos municipais, sob a justificativa de falta de elementos suficientes. Na esfera judicial, o caso segue em andamento em duas frentes: criminal e cível. A Polícia Civil indiciou três pessoas por incêndio culposo: o proprietário da pousada, o ex-presidente da Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc), Cristiano Roratto, e uma fiscal do contrato. O processo ainda tramita na Justiça.
O caso está tramitando no 2º Juízo da 2ª Vara do Júri do Foro Central da Comarca de Porto Alegre, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Em agosto de 2025, a Defensoria Pública do Estado ajuizou uma ação civil pública pedindo uma indenização milionária contra a prefeitura de Porto Alegre e o proprietário da Pousada Garoa. A ação pede mais de R$ 10 milhões em indenizações por danos morais coletivos.
