Um pátio cercado por árvores e verde guarda belezas simples e proporciona momentos de reflexão e tranquilidade. Trata-se do claustro da Igreja Santa Teresinha, no bairro Farroupilha, em Porto Alegre, que tem acesso restrito aos freis, mas deve ser aberto à comunidade ainda neste ano.
Forma arquitetônica comum em conventos e mosteiros, o claustro da Santa Teresinha é um espaço ao ar livre que conta com parreira e horta com abóbora, tomate, radiche, alface e temperos. Além disso, tem orquidário, churrasqueira e oficina. Os sabiás são aves presentes nesse recanto.
— É como o claustro de um convento. Como não saímos muito, o lugar sempre foi utilizado para o trabalho manual dos freis, trabalho esse que é muito ligado à espiritualidade deles — contextualiza o frei Raphael Rodrigues, 42 anos.
O claustro exibe uma arquitetura diferenciada com um corredor composto por arcos.
— Esse jardim ficava atrás da capela — conta o frei. — Depois de construída a igreja, até para a renda dos freis, eles adquiriram uma propriedade na Avenida Venâncio Aires, onde havia uma gráfica e uma fábrica de escapulários, que também tinham acesso ao jardim. Então, esse jardim era de lazer, horta e espaço laboral. E ainda ligava uma propriedade a outra sem precisar sair na rua. Fazia o caminho por dentro do convento.
Abertura para a comunidade
Os detalhes do claustro podem ser vistos pelas janelas dos restaurantes do entorno e dos andares mais altos dos prédios próximos. O acesso é apenas por uma porta.
— O plano é que esse jardim seja um espaço para a comunidade. Principalmente aos sábados e domingos, para poder ser um local de espera das missas e para contemplar esse jardim dentro de Porto Alegre — compartilha o frei Raphael, há quatro anos na Igreja Santa Teresinha.
Ainda não há previsão de data de abertura ao público, o que deve ocorrer até o final do ano. Uma das ideias é que seja construído um deck no local.
Recentemente, a paróquia, localizada na Avenida José Bonifácio, 645, passou por reformas em espaços como saguão, secretaria, banheiros e salas de catequese. O sonho agora é instalar um ar-condicionado central.
Em outubro de 2023, a Igreja Santa Teresinha foi elevada à condição de santuário arquidiocesano, reconhecimento de que abre suas portas a fiéis de todos os lugares. Desde então, o templo e a secretaria não fecham mais ao meio-dia, funcionando das 7h às 19h de forma ininterrupta.
Mensagem no orquidário

Atualmente, são rezadas 30 missas semanais, sendo a média de quatro por dia. Após ser elevada a santuário, a igreja começou a receber ainda mais fiéis. Esse também é um dos motivos para transformar o pátio do claustro em um recanto para os visitantes.
— No futuro, quem sabe, até abrigar um café onde as pessoas poderão contemplar a natureza em um espaço reservado — projeta o frei Raphael.
No orquidário, é possível ver uma frase em espanhol atribuída a Santa Teresa D'Ávila: "Solo Dios basta" ("Só Deus basta", em português). Quem costuma cuidar das flores é o frei Júlio Refosco, 84, que conta:
— Um dia, uma pessoa observando esse espaço da janela disse que olhar para isso aqui produzia uma grande paz para a gente.
Um robusto exaustor e equipamentos externos de ar-condicionado dos restaurantes do entorno ficam voltados para o pátio. Dessa maneira, o silêncio não predomina no claustro. É preciso se acostumar aos ruídos.
A parreira fica sob responsabilidade do frei Wilson Izidoro Tonello, também de 84 anos, que resume:
— É bonito e tem muitos sabiás. Eles fazem ninhos. O pessoal que vem à missa fica olhando da janela.
Igreja tem estilo gótico
Em estilo gótico, a Igreja Santa Teresinha começou a ser construída em 1924 e foi inaugurada em 27 de setembro de 1931.
Conforme o livro Torres da Província — História e Iconografia das Igrejas de Porto Alegre, que tem apresentação de Alcy Cheuiche e textos de Armindo Trevisan, Moacyr Flores e Élvio Vargas, a paróquia conta com 46 metros de comprimento.
A torre única atinge 50m de altura, e os pináculos laterais chegam aos 30m. Na agulha da torre, é possível ver a imagem de Santa Teresinha do escultor Alfred Adloff.
Trata-se de uma igreja inventariada por estruturação, o que preserva suas características externas e impede sua destruição.




